Pusha T fala sobre as músicas que não entraram no Cruel Summer e mais

Desde que começou a trabalhar em sua carreira solo o Pusha T anda bem ocupado. Esse ano foi particularmente especial para o rapper que apareceu em um dos mais famosos singles do ano, “Mercy”, lançou várias músicas próprias e colaborou com várias das mais respeitadas e geniais mentes do rap nos últimos tempos.

A revista Complex falou com o Pusha T sobre as sessões no estúdio com o Kanye West e a G.O.O.D. Music e muito mais. 

Continue lendo e confira a entrevista completa transcrita e traduzida.

Você tem alguma faixa favorita no Cruel Summer?

Minha faixa favorita provavelmente é alguma que não foi parar no álbum. A galera não sabe que há faixas em que o Common rima em cima – tipo, a gente colocou ele pra rimar em cima de música de strip. Você sabe o quão bom aquilo saiu? Aquelas músicas saíram tão boas que tipo – é irritante o fato de eu não saber se todo mundo vai poder ouvir aquilo um dia.

Você me conhece, conhece minha perspectiva. Tem eu, o Big Sean e aí tem o Common que é super consciente. Ele tem uma perspectiva completamente diferente. Ele realmente tava rimando e ele realmente queria estar nesse álbum. Ele ouviu nossos versos e ficou tipo “cara, eu vou fazer algo em cima disso” e eu tipo “sério?” e ele “vou fazer, sim”.

Nós fomos e voltamos – nós estávamos em LA – e ele fez um verso monstro. Eu não acho que as pessoas vão ter oportunidade de ouvir. O Cruel Summer foi uma coleção de versos e rimas e músicas e foi quase um álbum só do Kanye. A coisa que mais me chocou [sobre My Beautiful Dear Twisted Fantasy] foi quando eu cheguei lá, ele [Kanye] abriu seu álbum pra todo mundo. Foi assim que aconteceu o Cruel Summer. O Cruel Summer era só um monte de beats e ele ficou tipo “ponham alguns versos nisso aí!”

Você acha que vai rolar um CD com as músicas que ficaram de fora do Cruel Summer?

Olha, se ele for esperto nos negócios, vai ter. [Risos] Se ele quiser fazer dinheiro com música que já foi feita, sim. Eu espero que sim.

Você ficou feliz com o produto final do projeto?

Com certeza! Eu fiquei muito animado. Eu fiquei com o sentimento de que a gente fez um bom trabalho. Ele soa realmente como um projeto da G.O.O.D. Music. Os estilos diferentes, as diferentes atitudes dentro do projeto – tudo isso aí. É realmente muito bom e eu acredito nisso. Eu acho que ele agrupou todo mundo que devia estar nele. Foi uma distribuição justa. Foda pra caramba.

Você esperava que “Mercy” se tornasse um hit tão grande?

Com certeza! Essa música é foda. Quando você faz grandes faixas que são um pouco não-ortodoxas – isso aconteceu comigo desde “Grindin” -, as pessoas aceitam. Quando você está com o Kanye, ser não-ortodoxo chama mais atenção. Chama cinco vezes mais atenção.

Se eu lanço alguma coisa não-ortodoxa, as pessoas ficariam tipo “cara, você tá bem louco.” Não é sempre que essas coisas dão certo. Quando você faz isso com o Kanye, funciona. Quando você faz coisas inovadoras, as pessoas te dão um reconhecimento, então, por isso eu já achava que ia ser um hit.

Pra dar uma trilha pra essa entrevista, dá um play em “Mercy” e continua lendo:

Vamos falar sobre o seu single, “Pain”.

“Pain” é o começo do meu álbum solo. Isso não é um aquecimento. Isso pros meus fãs, pra minha família, isso é pras pessoas que entendem o que é, sabem de onde eu vim e entendem a minha dinâmica na G.O.O.D. Music. O tema desse single engloba todo o tema do meu álbum. O pré-refrão diz “I don’t never feel pain cause I done felt too much pain”. Isso engloba tudo.

Você trabalhou com o Future em estúdio?

Sim.

Vocês já tinham entrado em contato antes ou essa foi a primeira vez?

Então, o que aconteceu foi isso: todo mundo estava longe de todo mundo. Com “todo mundo” eu quero dizer da G.O.O.D. Music. Estávamos todos em nossas casas. Eu estava em Virginia, o Kanye estava em algum lugar em LA ou Paris. Em qualquer lugar. Vai saber. Aí todo mundo ficou meio perto e a gente se juntou e eu fiquei tipo “o que que tá rolando? Qual é o negócio?” A gente ficava debatendo coisas e eu tipo “vocês sabem o que é louco? Future ta tocando muito nos clubes daqui.” Eu falo que é louco porque eu só conhecia duas das faixas dele e ele tinha tipo sete faixas tocando muito nos clubes.

Eu gostei daquelas faixas. Gostei muito. Eu gosto muito do Future e eu acho que eu não escuto ele do mesmo jeito que as outras pessoas. Muitas pessoas usam ele nos clubes por causa das melodias, mas tem algo meio sombrio que eu pego dele quando escuto seus vocais. Eu disse que podia ser usada e eu gostaria de usar algo dele em algo mais dark. Eu disse que achava que ainda assim ia ser foda e foi assim que a gente fez “Pain”. 

O Kanye ficou tipo “a gente tem que entrar em contat com o Future” e o Future estava lá de noite as nove em ponto. Ele chegou no estúdio usando calças vermelhas, uma camiseta vermelha, uma jaqueta de couro vermelha, boné vermelho, tênis todo vermelho e óculos escuros. Ele ouviu o beat e depois de uma meia hora ele ficou tipo “eu já senti muita dor”. [Risos]

E foi isso aí. Ele ouviu e depois começou a formar ela. A música se formou naturalmente com o que ele sentiu dela e eu acho isso louco, isso de a gente nem ter conversado sobre e ele ter sentido a música.

Um dos seus singles esse ano foi com o The-Dream. Qual foi a diferença entre trabalhar em “Dope Bitch” e “Pain”?

O que eu aprendi sobre melodia é que você tem sentir, é sobre sentimento. Esses dois caras – o Dream especialmente – o Dream é louco. Eu digo isso porque ele sabe como incorporar o espírito de alguém. Ele sabe como aproveitar toda a emoção de uma gravação de 45 segundos.

A mesma coisa acontece com o Future. “Pain” não foi nada mais nada menos do que uma coisa cheia de sentimento. Dream sempre me diz “quando você pensa demais, você perde um pouco disso [sentimento]”. Esse sou eu como rapper. Isso é um cabo-de-guerra de vez em quando dentro do meu disco. Eu tipo “isso é foda, mas eu queria dizer isso!” e ele tipo “você ta pensando demais”. O Dream é super fechado e viajado numa gravação. Ele se fecha na emoção do negócio e aí funciona super rápido.

Parece que o lance é bem natural com ele.

É, bem isso. Muito natural. Eu vou te contar a coisa mais engraçada. Eu tava no estúdio com ele uma vez e a gente tava só discutindo gravações e falando sobre pessoas que a gente queria trabalhar com. Eu acho que eu tava falando sobre a Missy Elliot ou algo do tipo, daí ele disse que trabalhar com ela seria demais. A gente tava tentando entrar em contato com ela – seria tipo ela trabalhando com o som do Total daquela época do Bad Boy. O Future imediatamente começou a cantar tipo a Keisha do Total.

A gente brincou com a ideia da Keyshia Cole, a gente brincou com a ideia da Rihanna, a gente brincou com a ideia de um monte de mulher e ele começava a cantar todas as músicas delas. Ele tipo “o que você acha disso?” e eu sentado lá pensando tipo “esse cara… você tá louco. Você tá quase esquizofrênico.” Isso era tudo que eu conseguia pensar e eu falava pra ele “é, isso pode funcionar”. Eu olhando pra ele e observando tipo “é… você é diferente.”

Você teve dois singles bem fortes, mas você também teve alguns atrasos. Isso foi frustrante pra você?

Nah. Quando eu assinei com a G.O.O.D. Music as pessoas logo ficaram tipo “cara, você tem que lançar um CD” e eu tipo “cara, eu assinei com a G.O.O.D. Music como um artista solo”. Eu tenho que tratar isso como um artista solo novo. Daí as características, daí as mixtapes, todo o barulho e coisas sobre as gravações que eu estou fazendo, elas estando ligadas a um projeto ou não.

Acho que as pessoas ficaram tipo “cara, todo mundo te conhece, faz alguma coisa logo” e eu tipo “foda-se isso, eu vou começar a fazer isso e—

Começar do começo.

Exatamente. É assim que o meu projeto vai ser construído. Eu não tô muito preocupado com datas. Eu tô preocupado com o agora e com o que é relevante, trabalhar pra ter certeza de que as pessoas vão conhecer e amar o que eu faço. Eu sou novo pra algumas pessoas e eu nunca dei uma data. Eu estive sempre envolvido em projetos, mas agora tá na hora, tá na hora de um projeto só meu.

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