Nas e seus 25 álbuns favoritos

Pra quem conheceu aqui no blog os 25 álbuns favoritos do Kendrick Lamar numa matéria traduzida do site da revista Complex, vai gostar desse post onde, também no site da Complex, o Nas contou em entrevista um pouco sobre cada um de seus álbuns favoritos.

Continue lendo pra conhecer um pouco mais o gosto musical do cara e o que ele tem pra dizer sobre cada um dos seus 25 discos favoritos.

Miles Davis, Kind of Blue (1959)

“O Miles e o Coltrane fizeram os melhores álbuns de jazz, mas têm muitos outros também. O Miles também ganhou sucesso com um CD de jazz e se você ouve, ele soa como se fosse ‘feito pra ser feito’. Este álbum era pra ser. Esse mundo não seria o mesmo sem este álbum.”

John Coltrane, A Love Supreme (1965)

“É provavelmente meu álbum favorito dele, mas eu amo tantos outros. Esse álbum existe num planeta só dele. É diferente, é maduro, é crescido, é sem tempo, é sexy, é clássico, é não-ortodoxo. Vou parar por aí.”

Bob James, One (1974)

“Esse daí está, com certeza, entre os meus favoritos de todos os tempos. Te leva pra um lugar novo a cada vez que tu escuta, essa é a parte mais louca sobre este CD. Se um CD consegue me levar a algum lugar, realmente me levar a algum lugar, esse CD não é brincadeira.”

Stevie Wonder, Songs in the Key of Life (1976)

“O Stevie literalmente cura a alma.”

Marvin Gaye, Here, My Dear (1978)

“Na primeira vez que eu ouvi, ninguém que eu conhecia tinha ouvido. É engraçado como muitas pessoas amam Marvin Gaye, mas nunca souberam desse disco que foi tão pessoal. É louco como as minhas últimas gravações têm um pouco disso. A Motown colocou cópias limitadas desse CD à venda e ele era arriscado. Acho que a indústria da música queria mais um álbum de hits, mas esse álbum era a expressão dele.

Eu sinto como se eu estivesse na mesma situação que ele quando fez esse álbum (porque ele estava se divorciando e eu estou me divorciando). Eu sinto como se ‘Life is Good’ fosse a minha ‘Here, My Dear’. Elas são parecidas em muitos aspectos. Eu me identifico com ele como ser humano, como um artista.

Esse álbum me fez gostar muito mais dele porque ele foi artista o suficiente pra dizer o que ele tinha pra dizer. Eu gosto quando ele fala sobre a Anna Gordy, quem ele era casado com. Eu entendo aquilo, eu sei sobre o que ele está cantando. Eu vivi aquilo, eu realmente me identifico com aquele CD.”

Michael Jackson, Thriller (1982)

’Thriller’ foi quando eu fui apresentado à música boa com o pacote inteiro, o que significa que o artista é legal, mas que ele também se parece com o que tem que parecer. A história dele com o Jackson 5, todo o soul adicionado àquilo tudo e o CD, claro, foi inovador e conquistou o mundo.”

Run-D.M.C., King of Rock (1985)

“Esse foi um dos primeiros álbuns de rap que eu ouvi. O sucesso comercial com uma pegada diferente – tinha rock, era de uma fase diferente, um outro patamar do Furious Five e do Treacherous Three. Eles eram o que vinha depois, então eles personificaram o que vinha depois e ‘Raising Hell’ mostrou como eles evoluíram como grandes artistas do hip-hop. O grande momento da minha vida sendo um fã de rap foi quando o King of Rock saiu.”

Anita Baker, Rapture (1986)

“É simplesmente maravilhoso. O ‘Rapture’ saiu perto da época dos meus ‘hustler days’. Não só eu sendo um hustler, mas todo mundo com quem eu andava era também. Se você tinha uma mina naquela época, o que a Anita cantava pra você fazia você dar valor praquela mina e fazia você entender o amor que vocês tinham um pelo outro quando você a ouvia. Fazia você se perguntar se você realmente gostava daquela pessoa porque o amor que ela cantava não era o que você tinha pela pessoa. Esse CD era um guia pro amor naquela época.”

 Boogie Down Productions, Criminal Minded (1987)

“O KRS-One é alguém que os artistas precisam estudar. Os artistas hoje em dia são mimados e querem ir de ‘ninguém’ pra ‘o melhor de todos’. É loucura. ‘Criminal Minded’, o KRS-One era a rua indo atrás do império do rap, a Juice Crew, sem o grande apoio que a Juice Crew tinha.  Você sabe que é preciso muito de mim pra dizer isso porque a Juice Crew foi fundada nos meus projetos, mas eu tenho que ser verdadeiro e dar os créditos pra quem merece os créditos.

Quando o KRS-One fez o clássico Criminal Minded – ele não precisou da Warner Brothers, ele não precisou da MCA Records. Ele fez com uma gravadora independente. É por isso que eu digo que as pessoas precisam estudar ele porque ele conseguiu fazer um álbum clássico em uma gravadora independente e foi o que o MC Shan fez também. A Cold Chillin’ não era uma gravadora grande quando o Shan lançou o Down By Law.

Os artistas de hoje em dia não veem aquele empreendedorismo, eles não vivem ele. Eles dizem que são das ruas e ainda assim estão procurando por contratos milionários. Se você tem talento e você é batalhador, por que você não faz algo independente sem o contrato milionário? Se você não é um grande artista, por que você está procurando um grande contrato, então? Como eu disse em ‘The Genesis’, eu faço isso como se nem existisse um contrato. Isso significa que eu pretendia fazer algo independente e acabei tropeçando na Columbia Records.

Eu digo que os artistas mais novos devem estudar o KRS-One porque aí ta ele, uma voz marcante e pioneira no hip-hop que começou na cena independente. Eu sinto que esse é o real movimento da rua. Eu não vejo mais movimentos como esse em Nova York, eu vejo gente dizendo ser das ruas, mas não vejo movimentos dignos das ruas. Grande abraço pro KRS.”

Eric B. & Rakim, Paid In Full (1987)

“O Eric B. e o Rakim sintetizaram e personificaram a cultura das ruas de Nova York e do resto da nação. Eles usavam Gucci antes da Gucci ser popular nas ruas, eles estavam contando dinheiro na capa do CD e eles faziam aquilo parecer legal. O estilo da música foi construído pras ruas. As letras do Rakim eram as ruas em forma de música.”

MC Shan, Down by Law (1987)

“Esse álbum mudou minha vida. Uma das maiores razões é porque o Shan é de Queensbridge, mas ainda assim, o estilo dele me ajudou a formar o meu estilo. A produção com ele e o Marley abriu a minha cabeça para o que eu queria soar, como eu acho que eu devo soar e como eu potencialmente posso soar.”

Big Daddy Kane, Long Live the Kane (1988)

“Eu sou um grande fã do Big Daddy Kane. ‘Ain’t No Half Steppin’ e ‘Raw’ são músicas ótimas.”

Slick Rick, The Great Adventures of Slick Rick (1988)

“Esse é um livro da história da música. É de um nova-iorquino com sotaque inglês com uma imaginação que nunca foi ouvida antes na música. Ele é maravilhoso.”

Public Enemy, It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back (1988)

“Isso foi algo que eu nunca tinha ouvido antes. A voz do Chuck D e o que ele estava dizendo me fez pensar. A voz do Flava Flav, a atitude dele e como ele cooperava com o Chuck era foda. Os beats do The Bomb Squad eram de outro mundo. O Public Enemy tomou uma posição forte como líder na indústria da música. Eles eram corajosos.”

Kool G Rap & DJ Polo, Wanted: Dead or Alive (1990)

“O Kool G rap foi uma grande influência pra mim. O que ele fez com o rap foi que ele elevou o nível das letras pro nível mais alto que se pode ir. O Rakim era científico, o Big Daddy Kane era acrobático, mas o Kool G Rap era tipo serras elétricas ensanguentadas brigando com cada estilo de letras. Ele levou as letras pra um nível em que não se pode mais ir além. Ele levou pro nível mais alto.”

Main Source, Breaking Atoms (1991)

“É um dos meus álbuns favoritos. Com certeza. Eu tô nele, então né… [Risos].”

Ice Cube, Death Certificate (1991)

“O Death Certificate foi um dos CDs que mudou minha vida junto com o Down By the Law, Criminal Minded e alguns outros. O Death Certificate surgiu pra mim quando eu tava na rua, quando eu tava andando com gente da rua, numa época em que eu tava fazendo decisões que podiam mudar minha vida. O Death Certificate falou comigo. Até hoje é um dos álbuns de rap mais ousados, corajosos e verdadeiros que já foram feitos.”

A Tribe Called Quest, The Low End Theory (1991)

“O People’s Instinctive Travels foi um álbum bem louco, mas eles evoluíram em The Low End Theory. Já era algo foda no primeiro álbum, mas o segundo pegou um público mais amplo e eles foram pra um nível mais alto que eu nem achei que fosse possível. É um daqueles álbuns que pegou todo mundo de surpresa.”

Scarface, Mr. Scarface Is Back (1991)

“No meu tempo de moleque da rua eu tava tentando fazer o meu negócio. O CD do Scarface falou comigo e meus amigos. Lá estávamos nós em Queensbridge, Nova York e um cara de Houston está falando aquelas coisas. A voz dele, as palavras dele… Ele ainda é um dos meus MCs favoritos até hoje. Eu não compro muitos CDs, mas eu vou comprar os CDs do Scarface toda vez que ele lançar um.”

N.W.A., Niggaz4Life (1991)

“Eles já tinham todo aquele lance de controvérsia rolando e em Niggaz4Life foi tipo ‘o que vocês vão fazer agora?’ Nego queria banir os caras, nego queria censurar os caras. O grupo provavelmente fez o governo inventar o selo de aviso de censura nos álbuns de rap. Aquilo foi um desafio e eu gostei de ver como eles administraram tudo aquilo depois do Ice Cube ter saído. Era muita coisa nas costas deles e eles mataram a pau.”

Dr. Dre, The Chronic (1992)

“O The Chronic era psicodélico, ‘funkodélico’, umas das peças mais geniais do hip-hop californiano. Levou o rap pra outro nível. Esse álbum, sozinho, levou toda essa cultura pra outro patamar, fez dela mais forte, manteve ela nas ruas e é lindo. É lindo de se ouvir e é hardcore ao mesmo tempo.”

Snoop Dogg, Doggy Style (1993)

“Àquela altura do campeonato o Snoop era a pessoa mais avançada no meio da música. Como você ia fazer isso duas vezes era a questão. Surgiu o The Chronic que era de outro mundo e depois foi tipo ‘tá, o que que vai rolar com o Snoop?’ O mundo todo tava esperando pra saber o que ia acontecer e aconteceu.”

Jay-Z, Reasonable Doubt (1996)

“Eu vi esse guri Jay, eu já sabia que ele era foda. Eu vi ele entrar no negócio do rap e ele mandou um álbum cheio de letras, um álbum das ruas e ele conseguiu pegar o seu lugar. Muita gente não conseguia fazer isso. Muita gente que tava lançando CDs na época em que o Reasonable Doubt saiu não tá mais no meio.

Ele reivindicou o seu lugar. Ele mostrou pra todo mundo que as letras dele eram foda e que ele era foda. Ele entrou na tradição das ruas de Nova York do jeito que eu fiz, do jeito que o Biggie fez. Ele entrou daquele jeito e continua assim desde então. Se você ouvir o Reasonable Doubt, ele fez acontecer.”

The Notorious B.I.G., Life After Death (1997)

“Ele estava à frente do seu tempo. Ele rimava de uma perspectiva de alguém que viveu uma vida completa. Ele rimava de uma perspectiva de alguém olhando pro futuro, alguém que tava mudando de uma fase pra outra melhor. Era um álbum duplo, o que era um movimento ousado. Também mostrou que ele era um artista de tanta sustância que um CD só não seria suficiente. Ele é, honestamente, um dos melhores.”

Outkast, Aquemini (1998)

“Eu acho que gosto dos grandes artistas e eles estão nessa categoria. O Outkast é a coisa mais foda desse mundo.”

Uma resposta para “Nas e seus 25 álbuns favoritos

  1. ouvi uma ou outra musica e Life After Death e é foda, ele podia começar a trabalhar com outros artistas de outros estios musicas,estilos musicas completamente diferente e talvez ele superaria todos esses albuns

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