Review: Drake – Nothing Was The Same

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Antes de entendermos  Nothing Was The Sameterceiro álbum do rapper canadense Drake precisamos voltar e rever algumas questões. Assinado com a Young Money após uma série de boas mixtapes, Drizzy começava a entrar no mainstream. A mais memorável, So Far Gonejá trazia Bun B e Lil Wayne entre as participações. Lykke Li e Trey Songz figuravam em outras boas faixas como Little Bit e Successful. O carro-chefe e single que emplacou foi Best I Ever Had. Este foi um marco para ele. A música mostrava três lados de Drake: o cantor, o rapper e o hitmaker.  Foi assim que o cara de Toronto se firmou na indústria musical. Pouco depois era requisitado para os vocais em Forever, dividindo espaço com nada menos que Eminem, Kanye West e Lil Wayne. Wayne teve papel importante nessa transição. Além de assiná-lo, fez com que Drake se desenvolvesse aos poucos. Ao lado de Weezy, a dupla da Young Money emplacou alguns singles além de boas colaborações como She Will, Love Me, HYFR e outros.

O primeiro cd de Drake, Thank Me Later, foi estritamente comercial. Algumas boas músicas mas nada que tivesse a sua marca, o seu registro. Até mesmo Find Your Love ou Over ficaram devendo. Nicki Minaj, Jay-Z, The-Dream, T.I.  e tantos outros artistas apareceram no álbum. No fim, foi somente uma estréia. Take Care, seu segundo álbum, foi bem mais pessoal. Noah “40” Shebib esteve muito mais presente e este é um pouco positivo. Marvins Room, Doing It Wrong combinavam contrastando com o teor abordado em outras músicas como Lord Knows, HYFR e Underground Kings. Se no primeiro CD ele falava da fama, com o passar do tempo isso foi ainda mais frequente. Temas como amor, mulheres, relacionamentos passados e a fama sempre rondaram os estúdios por onde Drake passou. Após Take Care, Drake emplacou versos empolgantes em diversas participações. Fucking Problems, No Lie, Poetic Justice, Pop That só para citar algumas das músicas. Além de participar, Drake levava esses rappers em sua turnê. Ninguém naquele momento pensava de forma tão inteligente o marketing como ele.

O amadurecimento foi gradual. Aos poucos o ex-ator de Degrassi foi se tornando maior e maior. Com isso vieram brigas. Não precisamos nos alongar ao dizer que Common poderia ter acabado com a carreira dele. Poderia, mas não se trata somente de um rapper. Poucas vezes vimos um ser tão talentoso quanto Drake. Por isso, quando ele rima em 5 AM in Toronto “Give these niggas the look, the verse, and even the hook / That’s why every song sound like Drake featuring Drake“, podemos concordar com a afirmação. Poderia ter se tornado enjoativo, como foi com 2 Chainz aparecendo em cada refrão ou Rick Ross com um verso em cada música para rádio, mas não se tornou. Drake ficou maior e maior, se tornando o mais importante artista da Young Money. A OVO se tornou mais que um selo. Em breve ele estaria coletando outros artistas, como o próprio Sampha que aparece em Nothing Was The Same. O amadurecimento musical é uma característica de seu mais novo álbum. Não somente as músicas mais profundas mas a parte de produção é bem mais elaborada que os últimos projetos. Houve uma grande preocupação em fazer um belo álbum e no fim, podemos concluir que sim, ele o fez.

Então, vamos finalmente ao review do álbum:

Tuscan Leather

No começo achei confusa e não gostei. Tomei um tempo para ouvi-la novamente e então digeri melhor.  É uma boa intro e a segunda parte se destaca. No final, mais alguns samples.

Furthest Thing

Uma boa música que traz o emocional à tona na medida certa. A segunda parte se destoa um pouco, mas é a ponte para Started From The Bottom. Boa produção e boa introdução para o que será apresentar a seguir.

Started From The Bottom

Carro-chefe de Nothing Was The Same, Started From The Bottom foi muito divulgada e havia uma grande expectativa por essa música. Poucas rimas, um refrão pegajoso e uma base bem forte e grave, é assim que podemos classificar esta canção. Foi muito bem recebida e pode se dizer que é um dos pontos altos do disco.

Wu-Tang Forever

Utilizando sampes da música It’s Yourz do Wu Tang, essa foi outra música que teve muita repercussão – mais pelo título em si do que pelo conteúdo -, com muitos ouvintes discutindo se de fato, tratava-se de uma homenagem ou não. Sendo homenagem ou não, foi o bastante para que muitos conferissem a música como um belo ato de marketing. Gostei da música, esperava um pouco mais. Diz bastante, mas pouco ao mesmo tempo. Não deixa o nível decair e o mantém após o single carro-chefe do disco.

Own It

Faixa dotada de apelo emocional. Gosto como ele faz a interpelação entre cantar e rimas. Ainda conta com samples de It’s Youz do Wu Tan. Alguns disseram que ela foi escrita e direcionada para Rihanna. Gostosa de se ouvir, é outra música muito bem produzida por 40 Noah e seus auxiliares, PartyNextDoor e Sampha.

Worst Behavior

Outra música que não me agradou. Achei-a confusa demais, mas gostei do refrão.

From Time 

Com Jhené Aiko comandando a intro e tomando as redes no refrão com a voz suave e calma, esta é outra bela criação de Nothing Was The Same. De longe me lembra ‘Little Bit’, que está na mixtape So Far Gone. Drake rima em dois versos sobre o que é um dos seus assuntos comuns, as mulheres e sua relação com elas

Hold On, We’re Going Home

Peço desculpas aos que gostaram do clipe, mas Drake tem a mania irritante de estragar suas melhores músicas com clipes sem contexto e ligação nenhuma ao que é dito na música. Já o repetira em ‘Find Your Love’ e ‘Best I Ever Had’.  A essência se mantém, mas seria mais fácil e apropriado fazer algo mais parecido com o visual de Take Care. A tentativa de atuar utilizando suas músicas de maior força comercial é tosca. Mesmo assim, não é de todo mal, ainda mais pelo fato da música colaborar. Esta é uma reedição aos anos oitenta, com resquícios de Quincy Jones, misturados com a essência de Marvin Gaye. Uma candidata forte entre as melhores músicas do ano.

Connect

Uma música muito gostosa de se ouvir que reflete sobre conexão, seja ela por meio de pessoas ou pelo que se é dito. Drizzy tem uma levada bem gostosa que faz com essa música mantenha o nível das outras.

The Language

Essa música tem chamado muito a atenção do público pela letra. Há quem diga que as primeiras linhas, “I don’t know why they been lying but yo shit is not that inspiring / Bank account statements just look like I’m ready for early retirement / Fuck any nigga that’s talkin’ that shit just to get a reaction / Fuck going platinum, I looked at my wrist and it’s already platinum“. Mera coincidência ou não, as rimas disparadas são polêmicas. Rihanna em seu twitter citou algumas partes da música. Drizzy simplesmente acabou com tudo nessa faixa. Chama atenção também o seu flow usado, lembrando a sua participação na música Versace. The Language ainda faz uma alusão à música ‘All We Do’ de Young Jeezy, agora só Jeezy.

305 To My City 

Refrão de Detail. Esse efeito slow me lembra muito algo que é constantemente usado pelos rappers de Houston, o Chopped & Screwed. Outra boa música, embora nesta não conste muito conteúdo de qualidade nas letras. Mas é outra boa surpresa de NWST. O refrão fica na cabeça. Sabendo do trabalho de Detail não ansiava por ouvi-la. Grata surpresa.

Too Much

Sampha faz os vocais do refrão. Uma música mais emotiva que relembra bem o disco anterior, Take Care. Acho que a combinação de ambos os artistas da October Very Own se encaixou muito bem. É de preferência minha músicas desse estilo.

Pound Cake / Paris Morton Music 2

A primeira parte da música – Pound Cake – tem participaçãod e Jay-Z, artista de maior renome do disco. O seu verso é um dos melhores do ano, assim como a música. Jigga comanda a primeira parte e a segunda é um seguimento que dá fim ao disco, com o ‘freestyle’ de Drake.

Come Thru

Aos meus ouvidos não agradou, mas não se trata de uma música que seja ruim, somente não faz o meu estilo. Mas é outra boa música onde ele canta e rima ao mesmo tempo. O refrão é repetitivo e por isso logo gruda. Novamente, o ponto forte dela está no final, artificio utilizado e já visto em outras faixas, Chopped & Screwed.

All Me

2 Chainz e Big Sean participam dessa bela faixa. Pesada, tanto no que tange as rimas como a produção, esta poderia estar na tracklist de fato e não na versão de luxo. 2 Chainz faz bem sua parte, assim como Big Sean e Drake despeja com violência as rimas. Bela faixa.

The Motion

Sampha novamente aparece nessa música. Assim como no dia em que lançou Jodeci Freestyle, Versace e outras músicas, entre elas, estava essa. Poderia estar outra em seu lugar. É uma boa música, com um final bacana, com boas rimas sobre a sua posição no rap e relações interpessoais, mas não faria falta se não estivesse ali.

Drake fez um dos seus melhores trabalhos. Muito consciente da mensagem que queria passar, conseguiu casar harmonicamente a produção – um dos pontos fortes de Nothing Was The Same -, com a parte lírica. Já era previsto que o rapper de Toronto faria uma grande obra. Após ouvi-la repetitivamente e com o mais senso crítico apurado, posso dizer que este cd se destaca como um dos melhores projetos deste ano. Vale a pena conferir pela maturidade sonora que é apresentada, além de Drake em si, ser uma grande atração que faça o ouvinte prestar atenção por si só.

Leia o meu blog também! http://continuumspace.blogspot.com.br/

2 Respostas para “Review: Drake – Nothing Was The Same

  1. Drake eh talentoso ta despontando como um grande rapper gostei desse album e do take care o thank me later achei muito ruim, nesse album só faltou a melhor musica q o drake ja fez 5.am in toronto e started from the bottom eh um hino .

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