GZA Ao Vivo no Vale do Anhangabaú

São Paulo, 7 de Setembro, uma tarde ensolarada e perfeita para uma celebração. E o que celebrar? O grande feito que foi a Independência de nossa querida nação? Nada disso, o motivo da reunião de milhares de pessoas no Vale do Anhangabaú neste domingo foi o primeiro final de semana do Mês da Cultura Independente que contou com a apresentação de um dos lendários membros do lendário Wu-Tang Clan: GZA.

Mas first things first. Apesar de toda a ansiedade que eu e meu parceiro de show, Gabriel Monteiro, do blog Filmes Sobre Filmes, sentíamos a espera do rapper norte-americano, ainda havia uma primeira expectativa que ficou por conta do show do abertura apresentado por Edi Rock, nada mais apropriado já que ele também faz parte de um grupo renomado, os Racionais Mc’s.

Com o objetivo de conseguir bons lugares chegamos cedo – por volta do meio dia – ao local da apresentação, porém nosso cedo se tornou muito mais cedo devido a um atraso. O show previsto para começar às 14h segundo o site oficial dos organizadores do evento só teve início às 16h.

Mas adversidades a parte, Edi Rock subiu ao palco acompanhado pela sua banda de apoio Us Fora da Lei e de Don Pixote. Como já era de se esperar a base do show foi composta por faixas de seu disco solo, o recentemente lançado Contra Nós Ninguém Será, seguindo essa linha de raciocínio nada melhor para abrir o show do que a faixa que abre o disco, a pesada Selva de Pedra.

Após a empolgação inicial o show teve aquela caída natural, causada principalmente pela pouca interação com o público e performance de músicas menos expressivas de Don Pixote a até do próprio Edi Rock. A coisa começou a ficar boa quando entrou em ação Sandrão, o rapper da Zona Oeste de São Paulo subiu ao palco para uma bela homenagem ao grande Chorão do Charlie Brown Jr., com o apoio da multidão que se aglomerava próximo ao palco tocou Ratatá é Bicho Solto, colaboração da banda de Chorão e o RZO. Logo após, com espírito renovado, Edi Rock e Don Pixote voltaram ao palco mascarados para tocar Cava Cava, o que manteve o público em delírio.

Isso serviu perfeitamente para aquecer os espectadores para o que seria a melhor parte do show de abertura, um medley com músicas dos Racionais Mc’s, os fãs foram a loucura ao ouvir clássicos como Mundo Mágico de Oz, Capitulo 4 Versículo 3, A Vida é Desafio e Negro Drama. Aproveitando o auge da apresentação Edi Rock encerrou com seu maior hit em carreira solo That’s My Way.

Nesse momento a expectativa para o que viria a seguir era altíssima, e durante o intervalo entre uma apresentação e outra o público era entretido com clássicos do rap nacional. Tamanha era a euforia causada pela seleção que se formaram rodas de bate-cabeça próximas ao palco, foi a deixa perfeita para proporcionar Cenas Lamentáveis™, um rapaz se feriu e teve de ser carregado para fora da confusão.

foto via @iluminajesus no twitter

Mas voltando a falar de coisa boa. Eu estava de costas para o palco quando o DJ soltou o play no sample do filme Shogun Assassin que serve de intro para o álbum Liquid Swords e música do mesmo nome, foi o bastante para se juntar a gritaria descomunal que se apossou de todos ali presentes, o show teve base principalmente em seu álbum de estreia, clássicos como Gold e Cold World vieram logo de cara.

Bastaram apenas alguns minutos para que tivesse início uma série de invasões ao palco, ocasião que em certo momento chegou a atrapalhar o andamento da apresentação quando o número de Vândalos Disfarçados de Fãs™ era incontrolável pelos seguranças, um fato que acentuou ainda mais a falta de organização do evento. Foi aí que outra vez ele, Sandrão do RZO, subiu ao palco dessa vez para acalmar os ânimos da galera e pedir para que deixassem o show prosseguir.

O que se passou a partir daí foi apenas momentos de alegria para os que estavam ali, GZA prosseguiu com 4th Chamber e Shadowboxin’. E quem estava esperando para ouvir as músicas do Wu-Tang Clan não foi para a casa triste, Clan In Da Front começou a sequência que prosseguiu com uma homenagem para Ol’ Dirty Bastard. GZA relembrou o ex-companheiro de Clan com Shimmy Shimmy Ya e Wu-Tang Clan Ain’t Nuthing ta Fuck Wit – a partir daí a invasão ao palco já estava liberada. Reunited e Protect Ya Neck também fizeram parte do setlist. Destaque para essa última que contou com a participação de uma moça que estava na plateia, foi ao palco e mandou o verso inteiro do Inspectah Deck. SHOUTS OUT!

Até que finalmente chegou o momento mais esperado por mim quando o beat de Liquid Swords retornou para uma performance cheia de energia. Após deixar em todos os presentes uma sensação de êxtase extremo The Genius terminou com Big Bang Rap, música nova que fará parte de seu próximo projeto Dark Matter.

PS.: Um grande abraço pro cara que fez cosplay da capa do 36 Chambers e subiu no palco.

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