Garimpando #1: Godfather Don

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Descrito como “uma das maiores forças criativas do cenário underground de Nova York,” Godfather Don foi o cara por trás de muitos clássicos do underground nos anos noventa, trabalhando com diversos artistas como Screwball, Ultramagnetic MCs, Ayatollah, Kool Keith, entre outros.

Cronologia da carreira

Godfather Don foi descoberto no projeto Hazardous, de 1991, aonde ele era bastante comparado à Chuck D pelo seu estilo agressivo e contundente nas rimas. O disco foi lançado pela Select Records, que na época era o lar de artistas como Chubb Rock, Kid ‘n Play, AMG e dos produtores do Trackmasters. Mas o forte de Godfather Don era a produção, e dois anos depois ele produziria todo o aclamado disco The Four Horsemen, do grupo Ultramagnetic MCs. Gravado em 1992, o disco teria faixas gravadas em uma sessão de Don e Kool Keith para o disco colaborativo deles, o Cenobites. O negócio ficou tão bom que as faixas foram parar no disco do grupo, e os dois artistas lançariam um disco com inéditas um ano depois. Cenobites LP contém dez faixas, e é um dos mais famosos projetos do underground dos anos noventa.

Em 1998 ele lançou Diabolique, seu segundo disco. Soou bastante como o primeiro projeto, mas não tirou a credibilidade do artista de Flatbush. O projeto foi lançado pela Hydra Entertainment, que deu a oportunidade de Don lançar inúmeros 12” de singles e coletâneas de instrumentais. Os famosos Hydra Beats tiveram 14 volumes, sendo quatro deles cortesia de Godfather Don.

Em 2000 ele ajudou no surgimento do grupo Screwball, formado Hostyle, KL, Blaq Poet, & Solo. O grupo da Tommy Boy Records era visto como bons olhos no cenário da época. O primeiro disco deles tem Godfather Don envolvido em três faixas, além de produtores como DJ Premier, Pete Rock e Marley Marl trabalhando nas produções. No segundo disco, Don e Ayatollah dividem a produção do projeto. Já no terceiro, Godfather Don tem a mão em sete faixas. Essa fase da carreira de Don mostrava bem o que ele gostava de fazer: produzir. Nesse começo de década, ele chegou a produzir para o Mobb Deep na mixtape Free Agents Murda, de 2003. A conexão entre eles não era recente, em 1995, Don sampleou vocais de Shook Ones Pt. 2 em sua faixa Stuck Off the Realness.

Godfather Don sempre esteve ativo no Rap, mas não com a mesma frequência de antigamente. Ele tem trabalhos datados de 2007, 2009, 2010 e 2011, mas a maioria com sessões dos anos noventa, porém, inéditas. Curiosamente, algum dos projetos dele, como os 12″ de The Slave Of New York E.P. e Billy Bathgateaonde conheci seu trabalho -, foram lançados direto na Inglaterra. Seu último projeto se trata de The Reformation Circa. 1999 E.P., de 2011, com muito material gravado nos anos noventa mas nunca lançado.

Influência, estilo, e histórias

A carreira de Godfather virou algo cult para ser estudado. Ele combinava estilos de produtores como Pete Rock, Large Pro, e Showbiz, em só um tipo de som. Antes de começar com o Rap, ele já tocava rock, na guitarra e no baixo, e isso sempre influenciou as suas produções. Mesmo comparado a tais lendas da produção, ele nunca foi famoso como eles. Nunca saberemos a resposta certa para isso, mas vindo de Don, sabemos que ele nunca pensou em fazer música em um nível comercial.

Todos consideravam Godfather Don um cara bastante excêntrico, mas ninguém nunca desvalorizou o seu talento. No começo de sua carreira ele não tinha dinheiro para equipamentos, e só foi comprar uma MCP60 depois do lançamento Hazardous, e foi quando pudemos notar uma mudança no trabalho dele. E com pouco tempo de experiência em uma MPC, ele já assustava pelo que fazia. A seguir, um trecho de uma entrevista de Mike Heron, fundador da Hydra Ent. sobre Don:

“Don é um filho da puta excêntrico – estou usando as palavras cuidadosamente. Ele era um mano estranho, cara. Muito estranho. Às vezes eu tentava sentar do lado dele e procurava entendê-lo, mas não rolava. Porém ele era um filho da mãe talentoso. Um gênio. O mano usava uma MPC60 para fazer batidas – e soava como uma orquestra, cara. E eram coisas com samples limitados e o caramba, cara. O mano matava naquela máquina. Destruía ela.”

O trabalho dele, como já dito, era uma mistura da musicalidade encontrada em diversos produtores, mas muitos o comparavam a Pete Rock. Segundo Kool Keith, “Don e Pete tinham um som similar, mesmo tipo de jazz, mas com programações diferentes.”

“Don tinha um jazz de rua, algo meio noturno, coisa desse tipo. Ele tinha muita coisa boa em que rimei. A maneira que fazíamos no Don, era afinar os microfones, com um pequeno acorde, e gravar direto no vinil. Aquilo me dava um vocal agudo.”

Até hoje Godfather Don é referência no quesito produção. Hoje, o artista está longe do Rap. Quase ninguém sabe direito o que ele faz, mas o que sabem, é que hoje ele faz música ao vivo. Tem um grupo de jazz experimental chamado The Open Mind, com o qual toca bastante. Não existem filmagens do grupo na rede.

Aqui termina o primeiro post da coluna Garimpando do blog, aonde falaremos de artistas, discos, produções, e muitas outras coisas que são desconhecidas pelo público em geral. Espero que tenham gostado.

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