Garimpando #3: Os maiores discos de Rap vindos do Queens

O famoso conjunto habitacional de Queensbridge, no Queens | Foto por Liz Barclay

O famoso conjunto habitacional de Queensbridge, no Queens | Foto por Liz Barclay

Quem acompanha ou estuda a cena sabe muito bem que o bairro nova iorquinino do Queens é uma mina de ouro quando se trata de Rap. Vieram de lá Nas, Kool G Rap, Run D.M.C, Mobb Deep, Marley Marl, Salt-n-Pepa, 50 Cent, Ja Rule e muito mais. Muito mais mesmo.

Bairrismo dentro do Rap sempre existiu. Em meados dos anos 80, o pessoal do South Bronx, liderados por KRS-One, e o pessoal do Queens, liderados por Marley Marl, se envolveram em uma das maiores tretas da história do Rap. A chamada “Guerra das Pontes” durou cerca de cinco anos, mas o legado que ela deixou foi gigantesco. Em 2001, cerca de quinze anos após o início da rixa, a compilação de rappers do Queens, QB’s Finest, ainda citavam os resquícios dela.

Mas não estamos aqui para falar quem ganhou a rixa, ou qual bairro é melhor. Estamos aqui para falar do que o Queens nos presenteou quando se trata de discos, e a lista é longa. Procurei compilar os discos com maior influência na cultura, assim como os que mais agradaram e tiveram um impacto geral.

Run D.M.C. – Run–D.M.C. [1984]

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O Rap ainda engatinhava no início dos anos 80, com poucos artistas tendo grande visibilidade nacional nos Estados Unidos. Isso mudou com a chegada do Run D.M.C., quando Rev Run, D.M.C., e Jam Maste Jay chegaram na cena com o disco homônimo de 1984. Com letras agressivas, bem polidas, e um som bastante inovador para época, aonde tinha base no funk, o grupo começou a trilhar os caminhos para se tornar que é hoje. Na época, não existia as frequentes rixas entre bairros, e para o público na época, o grupo era apenas um novo grupo de talentosos rappers, e não “os caras do Queens”.

No disco destacam-se as musicas Suckers MC’s, It’s Like That e Rock Box, que misturava aquele som que começava a ficar popular, com o rock. Essa seria a marca registrada do grupo.

LL Cool J – Radio [1985]

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LL Cool J era apenas um adolescente quando Radio foi lançado, mas soube fazer um estrago. Produzido com a ajuda de Rick Rubin, o disco foi um dos primeiros projeto pela Def Jam. LL era adolescente, então temos um disco mais formado de histórias da idade e braggadocio. A produção do projeto é focada no downbeat, e lembra em alguns pontos o trio Run D.M.C.

Um dos melhores projetos lançados por LL Cool J e um dos melhores do gênero lançado nos anos oitenta. I Can’t Live Without My Radio e Rock The Bells são dois clássicos presentes no disco.

Run D.M.C – Raising Hell [1986]

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 Os caras estão na lista novamente. Mas nada espantoso, pois Raising Hell é um dos melhores discos de Rap de todos os tempos – talvez da história da música. Já consagrados com dois ótimos discos, o homônimo citado acima lançado em 1984, e o King of Rock de 1985, os caras do Run D.M.C. voltaram para tomar a cena de assalto em 1986. Os principais singles Walk This Way, com o Aerosmith, e My Adidas, alcançaram o topo dos charts e são referências até hoje. Raising Hell atingiu platina na época, fazendo deles os primeiros rappers a levarem para caso o disco de platina. O legado já fala por si.

MC Shan – Down By Law [1987]

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O disco foi lançado durante a parte mais intensa da Bridge Wars, e tem um valor muito grande para o pessoal do Queens. MC Shan foi um dos primeiros caras a ter esse sentimento “bairrista do Rap” dentro de si. Representava sua quebrada com todas as forças. The Bridge é um exemplo disso.

Down By Law foi a influência de muitos MCs do Queens que cresceram nos anos oitenta, e fizeram sua carreira nos noventa. “A primeira faixa que me fez ter orgulho de ser do Queens foi The Bridge do MC Shan,” disse Prodigy certa vez.

Salt-N-Pepa – A Salt with a Deadly Pepa [1988]

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O grupo Salt-N-Pepa foi o primeiro grupo de Rap formado por mulheres que teve grande sucesso. O projeto A Salt with a Deadly Pepa pode não ser o melhor do grupo, mas teve grande influência pois foi o projeto que fez as meninas alcançarem a fama.

Push It e a versão delas de Twist and Shout dos Beatles são dois grandes sons do disco.

Marley Marl – In Control, Volume 1 [1988]

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Um dos grandes momentos da revolução na produção do Hip-Hop. Durante a Bridge Wars já citada acima, o produtor Marley Marl soltava a pedrada intitulada In Control, Volume 1. Um disco que impressiona pela produção, o que para a época, era uma transformação. Em uma época em que o som estava ficando massante, Marley chegou com poderosos drums, loops, samples e muita influência de James Brown.

The Symphony é o grande destaque do projeto, trazendo caras como Masta Ace, Kool G Rap, Big Daddy Kane e Craig G no início das suas respectivas carreiras. Por mais que os rappers da faixa não fossem do Queens, ela capta muito bem o quê rolava no Queens naquela época. É até hoje lembrada como uma das maiores faixas da história do Rap.

Kool G Rap & DJ Polo – Road to the Riches [1989]

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Lançado pela lendária Cool Chillin’ Records, Road to the Riches foi o primeiro disco do duo formado por Kool G Rap e DJ Polo, os dois vindo da Juice Crew de Marley Marl. Considero esse disco o começo da formação do Rap nos anos oitenta, junto ao Paid in Full de Eric B e Rakim, lançado em 1987. Rimas espertas, agressivas, e no inovador mafioso rap, subgênero que baseou o Rap na década seguinte, e não só no Queens.

A produção é toda de Marley Marl, demonstrando mais uma vez um tremendo trabalho. It’s a Demo, Men At Work, e Poison são algumas das faixas mais lembradas. O disco é mais lembrado como um conjunto.

A Tribe Called Quest – People’s Instinctive Travels and the Paths of Rhythm [1990]

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O grupo A Tribe Called Quest criou uma obra de arte chamada People’s Instinctive Travels and the Paths of Rhythm. O disco de estreia do lendário grupo trouxe o chamado jazz rap para o cenário. Um Rap mais consciente surgiu, e teve como líderes o grupo de amigos crescido no Queens. Apesar de terem crescido no bairro, a música do grupo nunca foi muito associada à ele, talvez por terem um estilo diferente de abordar a realidade e ter uma música mais original, nada parecido com o que se fazia por lá.

I Left My Wallet in El Segundo, Can I Kick It?Bonita Applebum são clássicos essenciais para todo fã de Rap. E estão nesse disco.

LL Cool J – Mama Said Knock You Out [1990]

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O Rap estava mudando, e LL Cool J sacou isso. Além disso, o rapper havia crescido e ficado mais maduro liricamente. Mama Said Knock You Out é o resultado disso, um LL Cool J mais agressivo chega a soltar uma diss track no seu disco mais vendido. O disco e todo produzido por Marley Marl, então existe bastante a presença de samples e batidas mais suaves – diferente do disco Radio, que batia mais forte nesse quesito.

The Boomin’ System, uma homenagem ao estilo antigo de LL Cool J abre o disco e é uma das faixas mais famosas do projeto. Junto à ela temos Around the Way GirlMama Said Knock You Out, e 6 Minutes of Pleasure, são alguns dos destaques do disco.

Intelligent Hoodlum/Tragedy Khadafi – Intelligent Hoodlum [1990]

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Quando ainda se chamava Intelligent Hoodlum, o rapper que seria conhecido como Tragedy Khadafi lançou um dos melhores discos de 1990. Khadafi foi um dos primeiros caras do Queens a fazer a linha do Rap consciente, e com a ajuda de Marley Marl fez do seu primeiro disco um clássico.

O projeto conta com grandes faixas como Black & Proud (Remix) e Back to Reality.

Main Source – Breaking Atoms [1991]

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Breaking Atoms é um disco com bastante significado dentro da cultura. O disco é extremamente bem produzido, sendo um show de Large Professor nesse quesito. P usou técnicas nunca usadas apenas utilizando uma E-mu SP-1200. Essas técnicas seriam extremamente utilizadas a partir de 1991 por diversos artistas.

O destaque do disco é certamente Live at the Barbeque, primeira faixa a ter a colaboração de Nas. junto a Akinyele e Joe Fatal. Essa faixa é uma das faixas essenciais quando se trata de Raps do Queens.

Kool G Rap & DJ Polo – Live and Let Die [1992]

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Se Road to the Riches era inovação, o disco Live and Let Die era a arte na mais pura forma. O melhor disco da dupla Kool G Rap & DJ Polo traz uma produção mais ousada, feita em sua maior parte pelo próprio Kool G Rap. Trackmasters também produz o projeto. Kool G Rap está no ápice técnico da sua carreira, aqui, o rapper conta histórias de diversos pontos de vistas de uma forma bem apurada.

On The Run é um dos destaques do projeto. É impossível não se sentir em um filme de mafiosos ao ouvir a faixa. Live and Let Die teve seguidores muito famosos, como Biggie, Nas, Jay Z, e Eminem.

Onyx – Bacdafucup [1993]

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Sticky Fingaz é do Brooklyn, mas vivia no Queens. Fredro é do Queens. Sonny Seeza também era do Brooklyn. Mas a principal fonte que o Onyx bebia era do bairro de Queens Bridge, até porque o grupo havia assinado com com ninguém menos do que Jam Master Jay. Lançado pela gravadora do cara, Bacdafucup foi o primeiro disco do famoso grupo, e marcava pela agressividade. Se o Run D.M.C. tinha influências do rock, o Onyx buscava inspiração em toda a insanidade e agressividade do heavy metal.

Slam foi um sucesso, alcançando o top 5 da Billboard Hot 100. Throw Ya Gunz e Bacdafucup são duas faixas que também marcaram época.

Nas – Illmatic [1994]

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Todos sabem da nossa afeição pelo disco Illmatic. Para mim, o projeto é o melhor disco de Rap já lançado. Illmatic foi um dos discos a melhor captarem a alma do Queens. Como um diário, Nas recitou tudo o que havia vivido no bairro em uma Nova York vivendo a era do crack.

Illmatic é um conjunto bastante intenso, fica difícil destacar uma só faixa. Começaria aí uma nova geração do Queens.

The Beatnuts – The Beatnuts: Street Level [1994]

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1994 foi um bom ano para o Rap, ainda mais para o Queens, que teve dois artistas emplacando álbuns. O trio Beatnuts soltou o seu primeiro disco nesse ano, que chamou a atenção tanto pelas letras tanto como pela produção. As letras eram diversas, e focavam no hedonismo. O estilo de produção era diverso, dava para ver que os artistas começavam a beber da fonte que o produtor Large Professor criou.

O disco é erroneamente chamado de Street Level, graças ao fato  de ter essa frase escrita na capa. O disco foi lançando com o nome de The Beatnuts. Props Over Here e Hit Me with That foram os maiores sucessos.

Mobb Deep – The Infamous [1995]

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Com o projeto The Infamous, a dupla do Queens conseguiu se firmar no jogo. O projeto é um clássico que representa muito bem a nova safra de MCs que o Queens tinha na época. É notória a influência de caras como Kool G Rap no disco. Quase todo produzido pelo próprio duo – mais precisamente Havoc -, o disco tem colaborações de peso como Raekwon, Nas, Ghostface Killah e Q-Tip, que colaborou na produção do disco.

Survival of the FittestDrink Away the Pain (Situations), Shook Ones Pt. IIEye For a Eye (Your Beef Is Mines) e Right Back At You são algumas das clássicas faixas no disco.

Kool G Rap – 4,5,6 [1995]

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Kool G Rap & DJ Polo não estavam mais juntos em 1995. Foi então quando Kool G Rap lançou o seu primeiro projeto solo, o clássico 4,5,6. O disco não foi muito aceito pela a crítica e não teve um sucesso muito grande comercialmente, mas o legado que o disco deixou no underground do Rap.

Kool G Rap teve a colaboração de Nas e MF Grimm, que deixaram o disco com uma cara mais suja. Talvez venha daí a aclamação no underground. Curiosamente, Fast Life teve ótimas posições nos charts gerais.

 Nas – It Was Written [1996]

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It Was Written é mais uma grande obra de Nas. Seu segundo disco foi lançado com grande expectativa, e agradou bastante. Rimas mais maduras, mas em momentos era possível ver o Nas dando seus primeiros passos para o mainstream – o que incomodou algumas pessoas. É um dos discos lançados no que eu considero, a “fase de ouro do Queens“. O disco tem vários pontos que marcaram a história. Como o fato de Nas is Coming ser a primeira vez que um cara da Costa Leste rimava sobre uma batida de Dr. Dre, e isso no meio da rivalidade Leste-Oeste. As linhas de It Was Written incomodaram muita gente, como Tupac e Biggie. Street Dreams, I Gave Your Power, If I Ruled The World (Imagine That) são algumas das clássicas faixas do projeto.

Mobb Deep – Hell on Earth [1996]

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A sequência em que os lançamentos de Nas e do grupo Mobb Deep foram lançados de 1994 até 1996 foram de bastante agrado. Quatro projetos de grande porte. Hell on Earth foi a esperada sequência de The Infamous, lançado em 1995. O projeto veio mais sombrio do que o primeiro, sejam nas letras ou na produção – dessa vez toda do grupo. Front Lines (Hell on Earth), G.O.D. Pt. III, e Drop a Gem on ‘Em são alguns das ótimas faixas do disco. A última é uma resposta aos ataques de Tupac em Hit ‘Em Up.

Capone-N-Noreaga – The War Report [1997]

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The War Report foi Queens colocando mais gente de qualidade na cena. O duo C.N.N. ficou famoso com esse disco, que tinha colaborações do Mobb Deep, Busta Rhymes, Tragedy Khadafi e Marley Marl. Era a popularização do hardcore Hip Hop, que entrava em uma mescla com o mafioso rap.

T.O.N.Y. (Top of New York) e L.A, L.A. fizeram bastante barulho. Principalmente a segunda faixa, uma resposta a faixa New York, New York do Dogg Pound.

 Noreaga – N.O.R.E. [1998]

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É o mesmo talento do C.N.N., mas dessa vez em carreira solo. O primeiro disco solo de Noreaga tem uma diversa mistura de artistas de Nova York. N.O.R.E. tem a produções de lendas como Marley Marl, Trackmasters e L.E.S., além de produtores que são contemporâneos ao Noreaga, como Swizz Beats, Dame Grease e os caras do Neptunes. O mesmo vale para os artistas, o projeto tem Kool G Rap, mas também artistas que dividiram a cena com o rapper do disco, alguns deles como Cam’ron, Big Pun, Nature, o duo LOX, Busta Rhymes e Nas.

Banned from T.V. é claramente o single mais lembrado do projeto, a possecut contém as participações de Nature, Cam’ron, Styles P, Jadakiss & Big Pun.

Pharoahe Monch – Internal Affairs [1999]

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No seu primeiro disco solo após o termino do duo Organized Konfusion, Pharoahe mostrou que bebeu das mesmas fontes de rappers como Nas e os caras do Mobb Deep. Internal Affairs traça um paralelo legal entre o mainstream e o underground, com letras passando desde conscientes, para clubes, e agressivas usando de metáforas para atacar o cenário da época, como ele fez em Rape.

O disco tem uma produção bastante consistente, com Diamond D, DJ Scratch, um jovem Alchemist e o próprio Monch cuidando dela.

Prodigy – H.N.I.C. [2000]

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Talvez o debute solo de Prodigy tenha sido o último momento de brilho do Mobb Deep. O grupo nunca lançou discos com a mesma qualidade, porém, os trabalhos solos de ambos os artistas que foram lançados durante a última década foram bastante animadores. O primeiro disco da trilogia H.N.I.C. tem um tom mais violento do que os discos do Mobb Deep. Prodigy prova que pode levar uma faixa sem ter Havoc para apoiá-lo. Foi a partir de H.N.I.C. que o rapper começou a ter maior respeito como artista.

Keep It ThoroYou Can Never Feel My Pain são duas faixas que destaco no disco.

Cormega – The Realness [2001]

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Em 2001 as grandes gravadoras começavam a monopolizar algumas das maiores cenas do Rap, mas Cormega conseguiu soltar um disco que virou clássico nas ruas sem precisar de uma, pelo menos para a distribuição. O disco The Realness foi gravado durante o contrato do rapper com a Def Jam. O disco foi arquivado, mas Cormega conseguiu soltá-lo nas ruas.

A produção e algumas colaborações de peso marcaram o disco. O Mobb Deep por inteiro, Godfather Don, e Tragedy Khadafi estão no disco.

Ja Rule – Pain Is Love [2001]

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Os discos do Rule sempre foram questionados pela crítica, mas sempre fizeram bastante barulho, vejo isso graças ao seu apelo em gravações com artistas como Jennifer Lopez e toda a pegada R&B que sempre fez parte da sua carreira.

Pain Is Love está na lista por todo o barulho que fez. O disco vendeu mais de três milhões de cópias e passou muito tempo no top da Billboard 200.

Nas – Stillmatic [2001]

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Depois de movimentos questionáveis na carreira, Nas parecia voltar de vez ao beast mode que o fez famoso. Na fervura da sua rixa com Jay Z, ele lançou o disco Stillmatic que é considerado o seu reNAScimento – mesmo que alguns dos discos lançados entre 1997 e 2001 não sejam tão ruins.

O projeto é marcado pela raiva diss track para Jay Z, Ether, que até hoje está na lista das maiores diss tracks da história. Nas ainda presenteou os fãs com faixas como Got Ur Self A… e One Mic. A produção é quase a mesma do Illmatic, e tem algumas caras novas como Ron Brownz, Swizz Beatz e Salaam Remi.

Nas – God’s Son [2002]

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2002 foi um grande ano para Nas. O rapper era coroado por muitos como o rei de Nova York após lançar Ether, e lançava dois projetos. A clássica compilação The Lost Tapes continha faixas gravadas em sessões entre 1999 e 2001 e que nunca foram lançadas. God’s Son era o disco oficial. Disco que até hoje é considerado um dos melhores lançados por Nas. I Can, The Realest Nigga Alive, e principalmente Made You Look estão no disco. A última, é considerada um dos últimos grandes hinos de Queensbridge.

A produção teve bastante de Salaam Remi, mas teve nomes como Alchemist, Ron Bronz e até Eminem.

50 Cent – Get Rich or Die Tryin’ [2003]

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Cria de South Jamaica, 50 Cent foi um dos artistas que mais fizeram sucesso na última época. O seu primeiro disco lançado pela Interscope foi um tremendo sucesso, e o colocou logo no porte dos maiores. Com a produção fina, o disco teve diversos hits – seja nas ruas ou nos clubes – como In Da ClubMany Men (Wish Death), P.I.M.P., 21 Questions, e Wanksta.

Era uma nova escola no Queens, e 50 Cent era o principal nome dela na época.

G-Unit – Beg For Mercy [2003]

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Notável foi o reinado de 50 Cent e sua trupe no ano de 2003. Além do disco solo de Fif, foi lançado o primeiro disco de estúdio da G-Unit. Beg For Mercy está na lista por lembrar os antigos coletivos de Rap que saíram do Queens.

Além disso, a produção do disco tem grandes nomes como Hi-Tek, No I.D., Dr. Dre e Scott Storch.

50 Cent – The Massacre [2005]

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Se formos ver a recepção do seu antecessor, podemos ver que The Massacre levou realmente um massacre da crítica. Mas o disco vendeu um milhão de cópias em uma semana, e quem acompanha o blog sabe que não temos notícias assim todo ano. A última vez que essa conquista foi alcançada foi com Lil’ Wayne e o seu Tha Carter 3.

The Massacre teve o hit que fez 50 Cent famoso, Candy Shop, e outras faixas voltadas para os clubes. Mas não empolgou.

Nas – Hip Hop Is Dead [2006]

Depois de uma pseudo-aposentadoria, Nas voltou ao jogo com o polêmico Hip Hop Is Dead. O disco que declarava a morte da cultura trouxe um alvoroço no cenário, principalmente vindo do Sul dos EUA, que andava em alta no Rap no meio da última década.

A faixa título disco é uma faixa forte, produzida pelo próprio Nas e por Salaam Remi. Destaco também Black Republican, com Jay Z.

Pharoahe Monch – Desire [2007]

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Sucessor do disco Internal Affairs de 1999. Depois de uma longa disputa sobre que gravadora iria ter os talentos de Monch, o disco saiu pela Universal Motown e SRC. Com produção distinta do antecessor, o projeto Desire é mais maduro e tem influências em diversos tipos de música como, gospel, funk, soul.

Monch continua em pontos com as rimas. Diria que até melhor que no primeiro disco. Ele volta mais consciente e mais complexo do que nunca.

Q-Tip – The Renaissance [2008]

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The Renaissance é um projeto importante da última década. O primeiro disco de Q-Tip desde 1999 – em 2001 o disco Kamaal/The Abstract foi engavetado pela Arista Records, sendo lançado apenas em 2009 – levou a legião de fãs do rapper e do seu grupo, o A Tribe Called Quest, a loucura. O disco traz grande sentimento dos primeiros trabalhos do A Tribe, mas consegue inovar em diversos aspectos da produção. Afinal, trata-se de Q-Tip.

Nas – Untitled [2008]

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Desde Hip Hop Is Dead, Nas parece ter voltado ao jogo mais profundo no quesito lírico. O disco que o rapper soltou em 2008 mostra bem isso. Intitulado de Nigger anteriormente, o disco causou polêmica por esse caso. Def Jam fez na voltar atrás, e ele não deixou nenhum título no disco. Porém, segundo Nas todos sabem o real título do projeto.

É um disco que mescla bastante influências. Tem o famoso Rap de Nas, cuspindo fogo e sem um refrão, mas tem faixas como Make The World Go Round  com Chris Brown e Game, mostrando uma visão diferente. O disco é forte, e foi um dos melhores do ano de 2008.

Ill Bill – The Hour of Reprisal [2008]

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Direto do underground de Nova York, Ill Bill sempre representou o Queens. O rapper formou o Non Phixion com o aval de MC Serch, um dos caras que descobriram Nas. Ele também faz parte do grupo La Coka Nostra. Ill Bill sempre misturou um rap mais político e consciente, com o hardcore e o heavy metal. The Hour of Reprisal tem uma mistura muito boa, contando com a participação de lendários artistas do Hip Hop, como DJ Premier, Raekwon, Immortal Technique e B-Real; assim como contendo com artistas do rock, como a dupla Darryl Jenifer e H.R. do Bad Brains, e Max Cavalera, ex-Sepultura.

The Hour of Reprisal marcou o ano de 2008. Mesmo que pouca gente tenha ouvido falar sobre.

Lloyd Banks – The Hunger for More 2 [2010]

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Em uma época em que 50 Cent e sua trupe estavam sumidos do jogo, Lloyd Banks trouxe a sequência de THFM, disco de 2004, para fazer barulho em Nova York. O disco teve uma aceitação bem interessante para a época, e teve um grande hit: Beamer, Benz, or Bentley.

Pharoahe Monch – W.A.R. (We Are Renegades) [2011]

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Monch ama o jogo e o jogo ama ele, afinal, ele lança apenas projetos grandiosos. W.A.R. foi lançado em 2011 e alcançou o mesmo sucesso com a crítica que os discos anteriores do rapper. O vocabulário do rapper é um dos pontos altos do disco. W.A.R. tem vários assuntos sendo abordados, entre eles, a política. Ele procura contar histórias sobre problemas típicos nos Estados Unidos vividos por artistas independentes e jovens negros.

Diamond D, Exile, Marco Polo e o próprio Monch são alguns dos nomes na produção do projeto.

Action Bronson – Dr. Lecter [2011]

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Um divisor de águas na carreira de Bronson, o projeto Dr. Lecter certamente foi o que projetou Bronson como uma das futuras superestrelas do jogo. Podemos ver isso esse ano, seu disco foi bastante aclamado pela crítica e pelo público. Porém em 2011 ele era apenas um chef de cozinha que estava fazendo uma transição entre trabalhos, mas Dr. Lecter mudou isso. O disco tem uma grande variedade de letras, o que seria uma marca registrada do rapper.

O rapper que soava como Ghostface Killah tem um nome por causa desse disco. E ele é cria do Queens.

Meyhem Lauren – Respect the Fly Shit [2012]

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Amigo de infância de Bronson, o rapper Meyhem Lauren mostra bem como vem a nova geração do Queens. Com rimas agressivas lembrando os rappers dos anos noventa, Meyhem soltou um disco no qual as pessoas não deram a certa atenção. Ele presta uma grande homenagem ao Rap da cidade de Nova York no projeto e tem convidados ilustres como Roc Marciano, Action Bronson e Sean Price.

Nas – Life is Good [2012]

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Último disco de Nas até agora. O projeto se mostrou bem consistente, e bem mais profundo do que os discos anteriores do rapper. Nas está ciente do que significa para o Rap, e sabe mais ainda da vida. O disco é bastante introspectivo, sendo o bastante para dizermos que o disco nesse quesito, bate de frente com o Illmatic. Só que lá Nas era um garoto, e aqui um cara de quase quarenta anos.

Nasty é basicamente a definição do Rap do Queens: nada de refrão, apenas fogo sendo cuspido. The DonDaughters, e Cherry Wine completam o a lista de algumas das melhores faixas.

Prodigy & The Alchemist – Albert Einstein [2013]

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Mais um disco colaborativo do produtor Alchemist e de Prodigy, e não poderia ser melhor. Depois de Return of the Mac, os artistas soltaram Albert Einstein em 2013, aonde Prodigy prova que ainda é um dos melhores rappers do Queens.

O projeto tem várias colaborações que casaram bem. Action Bronson, Roc Marciano, Havoc e Raekwon, por exemplo, estão lá.

Pharoahe Monch – PTSD: Post Traumatic Stress Disorder [2014]

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A consistente carreira solo de Pharoahe Monch tem mais um capítulo com PTSD, e o Queens tem um dos últimos grandes álbuns lançados por MCs de lá. O disco segue a linha do anterior, W.A.R., abordando os mesmos problemas mas continuando a história. É uma evolução da história, literalmente.

Monch trabalha bastante na produção do disco que tem poucas colaborações. Black Thought e Talib Kweli são alguns dos artistas que colaboraram no projeto.

Action Bronson – Mr. Wonderful [2015]

O primeiro disco de Bronson por uma gravadora de grande nome tem um imenso significado para o Queens. Ele é um dos poucos emcees de lá que ainda mantém a tocha acesa. Enquanto algumas matérias falam sobre o fim do Rap do Queens no cenário, Bronson mostra que o lugar ainda figura no cenário do Rap.

Bronson colabora com ótimos produtores no disco, entre eles Statik Selektah, Alchemist, Noah 40, Mark Ronson, e Party Supplies. O projeto traz uma certa inovação ao cenário, e promete ser um disco que carregará a tocha do Queens no jogo por certo tempo.

O post tem como objetivo mostrar os maiores discos lançados por rappers do Queens. Todos os listados são importantes de alguma forma. Queens é um lugar que assim como o Brooklyn e o Bronx, é responsável por muita coisa boa no Rap. O Garimpando de número três começará uma série que será postada ao decorrer do tempo, que falará sobre os discos de cada lugar de grande significado na cultura Hip Hop. Espero que todos tenham gostado do post.

11 Respostas para “Garimpando #3: Os maiores discos de Rap vindos do Queens

  1. matéria foda ein joe! Live and Let Die é uma das coisas mais fodas q ouvi na vida, um dos meus álbuns prediletos, sem contar q praticamente tudo do G Rap é fodastico, pena q mta gente n conhece ou nem procura saber….

    • Valeu brother! Baita disco, né não? Kool G Rap é mestre. O post foi uma tentativa de disseminar o trabalho desses caras, pois merecem muito a atenção. Valeu novamente!

  2. Muito foda bruh, é sempre bom saber um pouco mais sobre a historia do rap, apoio fazer materias falando dos outros bairros e quebradas se é que me entende!
    Raplogia sempre de parabéns !

  3. Pingback: Garimpando #5: 20 anos de Rawkus Records | Raplogia·

  4. Pingback: Meyhem Lauren – Bonus Round (feat. Action Bronson, Roc Marciano & Big Body Bes) | Raplogia·

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