Carlos Gallo brinda a vida em meio à guerra com um som novo, Missão

 

Carlos Gallo já é uma figura conhecida no rap nacional. Junto ao Costa A Costa, conquistou uma legião de fãs e apresentou ao cenário nacional um swing latino, pano de fundo para um discurso novo sobre temas antigos: dinheiro, sexo, drogas, violência e amor, permitam-me completar. De 2007 pra cá, ele vem lançando singles como “Bang Bang” e “Leões Rugem” -este ultimo tem trecho cedido para a introdução de Gasolina e Fósforo, Don L– e, paralelamente,  participando em sons de outros MC’s. Hoje, com muito prazer, lançamos o single intitulado “Missão” e ninguém melhor que o próprio Gallo pra falar do novo som e dos próximos passos. Então, sem muita enrolação, aperta o play no som novo e confere o bate-papo abaixo:

  1. Vamos por partes. Fala pra gente um pouco da sua trajetória desde quando conheceu o rap até os dias de hoje.

Foi ao acaso, na Praia da Leste, era 98. Gente da minha família tinha se envolvido numa briga de gangue e colou um irmão com quem eu nunca havia falado antes -era do bairro, mas era outro rolê- me parou e falou: “Tá errado, a gente tá se matando. Preto contra preto, pobre contra pobre”. Quis entender e fui pra algumas reuniões no Núcleo de União e Consciência Negra, onde pessoas de grande valor como o Professor Hilário Ferreira e o Alex Ratts faziam parte. E lá a trilha sonora era rap: Racionais, 2pac [risos].  Impregnei.

  1. E pra sair de ouvinte e se transformar em MC, como foi esse processo?

Eu já gostava de funk. Era pivete e ser MC tinha referência diferente pra mim, até na atitude que era mais espontânea e falava de crime, de  poder… Era o universo em que eu conhecia o MC de Rap, esse que esmiuçava mais as questões. Eu queria fazer um pouco dos dois e tinha gente muito boa comigo: Léo Cabral, B.Mendes e tantos outros grupos. Eu estava no Brigada [Sonora de Rua] nesse momento. Por fim, acabei numa coletânea produzida pelo DJ Paulão e Clodoaldo Arruda, do Resumo do Jazz, que foram os que primeiro me deram umas orientações. E sou grato por isso. Daí me envolvi mais e mais. Com o tempo surgiu o Costa A Costa e o rap já era real pra mim.

  1. Na mixtape do Costa A Costa, as músicas giravam em torno da temática do tráfico de drogas. Do que você vem falando na carreira solo?

São reflexões, crônicas. Falo da minha cidade dentro da minha perspectiva. Essa cidade tem vários mundos: # 4Town é  rua de gente de valor, que luta aqui, que me inspira e das coisas que me encorajam.

  1. Fortaleza é sempre muito presente em todas as suas letras. Em “Leões Rugem”, por exemplo, você apresenta Fortaleza como um lugar árduo de se viver ao mesmo tempo que em “Amar é Bom” essa selva é palco de um amor ardente. Nesse novo som, “Missão”, tem um pouco dos dois. Qual é a sua relação com a cidade? Como você lida com ela no cotidiano?

Árduo, sim, em vários aspectos é gueto. Por exemplo, a engenharia social. Uma cidade turística de novos ricos, extremamente desigual, real, violenta, Capital do Homicídio, tipo Salcity, Hellcife… Mas nem tudo são dores [risos]… Difícil não se apaixonar, aqui. [risos]

  1. E qual é a Missão que intitula a música que a gente tá lançando hoje?

Viver de forma corajosa, autêntica, fazendo valer a passagem. Every day I’m hustlin’.

  1. Esse é mais um dos vários singles que você tem lançado. Vem algo maior por aí? Quais os planos pro futuro?

Geograficamente, ainda há muito a ser conquistado, mas a independência na construção de um futuro mercado aqui -de festivais e outras ações, com a gerencia de pessoas ligadas a cultura- se mostra como forte tendência. Gosto dessa ideia, e o futuro? Bem, depende. São várias fita.

  1. Vem algum EP por aí, álbum, mixtape?

Um EP com certeza. Tenho algumas etapas pela frente pra entregar, mas em breve, sim, pelo menos  dois trampos até o fim do ano. Tenho Tarcísio Feijó e Vitor Benigno que trampam com o audiovisual e temos falado de intervenções que queremos fazer na cidade: formas de levar o rap a novos lugares e de novas maneiras.

  1. Como tem sido o processo de produção dos teus sons? Quem tem participado?

O talento de Billy Gringo e Coro MC estão presentes nesse processo, produção e mix.  Referências pra mim aqui na cidade. Bom gravar com Galf, família UGangue, meu irmão e futuro papai, Pedro Vilão e RDF, STREET8: família grande,  grandes amigos!

  1. E o processo de composição?

Tô em várias frentes, entre vários corres , então encontro o tempo entre uma rotina e outra. Geralmente a noite é quando rola de  trabalhar as composições.

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  1. Quais são suas principais referências/influências pra compor? Os trabalhos anteriores mostram grande influência de música latina, o que não é tão evidente nesse trampo solo.

Meus amigos.  Também pesquiso formas de fazer, de falar… Ouço de Cuscuzuela e Delcio Dollar até Rich Homie e volto pro Bezerra da Silva, isso vai variar muito de acordo com meu estado de espírito.

  1. Como você vê o rap no Brasil hoje? Qual tua opinião sobre o cenário atual?

Gosto do que vejo e ouço. Tento ficar atento e acompanhar o cenário quando posso. E ,tipo, Emicida sempre surpreendente,  Flora Matos, Don L, Predella do Costa Gold, Felp 22 do Cacife clandestino, Vandal Ugangue e Russo Passapusso são nomes e representam bem isso.

  1. E de onde veio o nome Gallo? Conta aí…

Cara, eu tenho algumas teorias. Tem o filme Blood in Blood Out; ter conhecido o MC Gallo da Rocinha, quando era moleque cantava tudo dele; não sei bem, me chamam assim, então fechou.

  1. E o Costa A Costa tem planos pro futuro? Tem algo guardado aí?

Sim, temos conversado sobre isso. Mas é importante reconhecer os momentos de cada um. Don tem um trabalho maravilhoso pra entregar e isso agora é prioridade. A cena nacional tem oportunidade de dialogar com um dos melhores! Falo como amigo, mas também como conhecedor do processo de construção de sua obra. Flip e eu estamos sempre juntos, trabalho de base, rimar a base. Sempre juntos com o RDF e tenho meu compromisso aqui: rimar minha cidade. Temos tempo, começou agora [risos].

  1. Pra finalizar, irmão, a gente deixa um espaço pra você falar o que quiser, deixar alguma mensagem ou agradecer a alguém. Fala aí…

Máximo respeito a todos!

A letra de Missão já tá no Genius, cola lá!

Clipe de Leões Rugem:

E pra conferir os outros sons do MC, basta apertar o play:

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2 Respostas para “Carlos Gallo brinda a vida em meio à guerra com um som novo, Missão

    • Sucesso pra vocês, Flip! Os trabalhos individuais e coletivos são maravilhosos, cara. É cada vez mais evidente… E é um prazer enorme tá divulgando uma parte disso tudo. Abraço!

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