10 curiosidades sobre o disco The Chronic

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É tempo de celebrar o trabalho do N.W.A. e dos membros do grupo californiano. Hoje iremos trazer uma matéria do site Highsnobiety que traz algumas curiosidades – muitas desconhecidas – sobre um projeto pós-N.W.A. que marcou o cenário do Rap: o disco The Chronic, de Dr. Dre. O disco foi um marco, apresentou Snoop para o jogo, assim como o estilo do g-funk. Durante a produção do disco a relação entre Eazy E e Dr. Dre estava acabada, e os dois viviam acertando um ao outro com diretas nas músicas e entrevistas, e The Chronic é repleta delas. Continue lendo o texto e descubra algumas curiosidades do projeto do doutor.

1. The D.O.C. foi o ghostwrote de Dr. Dre em Nuthin’ but a G Thang

A relação entre Dr. Dre e ghostwriters não é surpresa para ninguém. Enquanto muitos falam de Still D.R.E. – escrita por Jay Z – outro ponto alto de sua carreira também teve a participação de um ghostwriter que tinha uma carreira famosa. Foi The D.O.C., conhecido por sons com Eazy-E e N.W.A., que escreveu a faixa Nuthin’ but a G Thang. O rapper teve seu disco de estreia solo lançado em 1989, o No One Can Do It Better, que alcançou o topo dos charts de Hip Hop no país. Meses depois do lançamento do disco, D.O.C. sofreu um acidente quase fatal, onde teve sua laringe arrebentada – forçando o adiamento do seu segundo disco por sete anos.

D.O.C. disse ao jornal LA Weekly como a faixa foi escrita. “Quando ‘G’ Thang foi criada, eu estava vivendo em Agoura Hills; Snoop e Warren G viviam comigo na época. Eu e Snoop levamos a batida para diferentes partes da casa para escrever. Snoop ficou no andar de cima, e eu no de baixo. Nos encontramos uma hora depois. Quado ele desceu eu disse, “Vamos pegar essa parte e colocar aqui… Não fica legal lá.” Foi uma espécie de quebra-cabeça. E então eu falei, “Para a última linha [do verso de Dre], vamos colocar o meu nome, porque se não eu não estaria na faixa. É por isso que o Dre fala: Like my nigga D.O.C./ No one can do it better.

2. Dr. Dre perdeu os royalties do disco quando foi para a Interscope

A saída de Dr. Dre da Death Row Records continua com uma grande questão: e se ele tivesse ficado? Certamente seu status de mogul estaria em questão, assim como carreira de ilustres artistas que ele ajudou a trazer para o jogo como Eminem e 50 Cent. Independente disso, nós sabemos que ele foi o verdadeiro vencedor em sua separação de Suge Knight. Apesar disso, ele não iria colher de benefícios financeiros do seu clássico álbum baseado em termos de sua saída da gravadora.

Durante um julgamento de falência [da gravadora] em Maio de 2014, um “acordo oral havia sido concordado com a gravadora que dava a Dre cerca de 18% das vendas. A margem de royalties aumentou para 20% em vendas na casa dos milhões, e adicionalmente, Dre tem royalties de produtores fixados em 4%. Ou seja, quando Dre foi para a Interscope ele fez severas concessões – especialmente relacionadas ao The Chronic. Como falou uma matéria da revista Billboard, Dre comprou a sua liberdade renunciando sua participação na Death Row – onde foi um dos fundadores – e nas músicas produzidas lá. Mas o acordo não afetou a distribuição do disco das maneiras “até então distribuídas.”

Quando a Death Row foi fechada e vendida por 18 milhões de dólares, muitos viram a oportunidade de pegar os direitos do The Chronic, dada a facilidade de usar as músicas em diversas plataformas como filmes e jogos (A Koch Entertanment comprou o catálogo da gravadora por 280 milhões de dólares). Quando Dre decidiu recuperar vários milhões dos quais ele acreditava que tinha direito, ele notou que enquanto o público desfrutava do disco, a conta bancária dele nunca receberia frutos do trabalho duro dele baseados em um “vago acordo verbal.”

3. Kanye West é um grande apreciador do disco

Em uma entrevita para Rolling Stone, Kanye West citou The Chronic como o “equivalente do Hip Hop ao Songs in the Key of Life de Stevie Wonder”. “É  o ponto de referência que você mede o seu disco se você é sério,” disse Kanye.

4. O documentário de Matthew McDaniel sobre os motins em LA foram de grande importância para o disco

Na época do seu lançamento, The Chronic podia ser interpretado como um pós-escrito do que ocorreria em Los Angeles durante os motins derivados pela absolvição dos policiais que espancaram Rodney King. Naquela mesma época, Matthew McDaniel era um estagiário na KDAY – que até hoje continua ser uma estação dedicada ao Rap em Los Angeles. Ele entrou no meio dos motins com uma filmadora, culminando em um documentáro que conta a angustiante manifestação de seis dias na qual a polícia foi obrigado a cercar Beverly Hills enquado áreas menos poderosas foram queimadas até o chão.

De acordo como a NPR, “Sua câmera capitou os furiosos angelinos e um homem em particular: “Caramba, você precisa levantar o teu rabo, e deixa nós irmãos, nós africanos crescer e começar a chutar alguns traseiros!” McDaniel nunca conseguiu o nome do homem que disse isso, mas ele disse que ouviu essa parte inúmeras vezes. “Creio que ele representou um milhão de pessoas aquele dia,” disse ele. E havia outro homem. Enquanto esse homem falava, ele erguia uma criança no colo e dizia: “Se eu tiver de morrer hoje para esse pequeno africano aqui ter um futuro, eu sou um filho da puta morto” McDaniels disse que sabia que tinha uma fita poderosa. Ele ligou para o escritório de Ice Cube e mostrou 12 minutos da fita gravados na Igreja First AME. Nada veio da parte de Cube. Um mês depois dos motins, um promoter chamado Doug Young disse que Dre estava trabalhando em um novo disco. “Naquela época, você podia ligar pro telefone do Dre. Algo que não é fácil para as pessoas de hoje. Então, eu consegui o número do Dre e o liguei. Conversamos. Dre acabou usando áudio do filme em algumas músicas como “Lil Ghetto Boy” e “The Day Ni**az Took Over.”

5. A capa do disco é uma homenagem a Zig Zag Rolling Papers

Zouave foi o nome de um regimento específico do exército francês durante 1831 e 1962 – mais conhecido por suas contribuições na Guerra da Criméia entre 1853-1856. De acordo com a lenda, durante a batalha de Sebastopol, um soldado teve seu cachimbo quebrado por uma bala perdida. Sem se deixar vencer, ele se tornou a primeira pessoa a enrolar um cigarro, usando papel que ele usava para guardar pólvora. A imagem de um soldado Zouave então é o logo da marca Zig Zag Rolling Papers – lá fora bastante famoso nos praticantes da cultura canábica. Como o disco do Dre é uma gíria para maconha, a artwork encaixou muito bem fazendo essa homenagem a marca Zig Zag.

6. O traficante Michael Harris ajudou a financiar o disco

Na época que Michael “Harry O” Harris estava preso em 1987, ele era considerado o distribuidor de crack mais proeminente da região angelina. De acordo com o jornal The Los Angeles Times, durante a sua sentença de 28 anos, ele ajudou a lançar a gravadora Death Row Records – algo que é disputado até hoje. Durante a fundação, ele e sua esposa negociaram acordos com selos musicais como Time Warner, Polygram, Sony e Viacom.

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De acordo com o Times, “A história entre Harris e a Death Row começou no outono de 1991 quando ele foi apresentou David Kenner, seu advogado, para Suge Knight, um ex-jogador de futebol americano e aspirante a empresário musical que tinha acesso a um estúdio em Hollywood. Em Outubro daquele ano, diz Harris, que ele pediu para Kenner – que estava trabalhando em sua apelação – para trazer Knight até a penitenciaria, para discutir sobre uma possível fita demo de sua esposa cantando.”

“Em meses, Harris levantou a quantia de 1.5 milhões de dólares, segundo ele, investindo grana por uma corporação chamada GF Entertainment, que tinha uma divisão musical chamada Death Row. Harris disse que financiou a companhia porque Suge o prometeu que a Death Row teria música produzida por Andre “Dr. Dre” Young, co-fundador do N.W.A. e um dos produtores mais respeitados na época.”

Harris disse que ele falou frequentemente com Knight por telefone durante o ano de 91, ao mesmo tempo em que ele e Dr. Dre preparavam o disco The Chronic, que seria o projeto de estreia da gravadora. Registros do estado indicam que Knight visitou Harris na penitenciaria algumas vezes durante 18 meses.

7. Led Zeppelin foi sampleado no disco

Enquanto Dre conseguia atingir sua meta no G-Funk sampleando artistas como Parliament, Funkadelic, George Clinton, The Ohio Players, e James Brown, ele também buscou a inspiração no rock para a faixa Lyrical Gangbang, que tem os drums de início vindos da música When the Levee Breaks, do grupo Led Zeppelin, que também seria material para Eminem e Beastie Boys.

8. Dr. Dre descobriu Snoop Dogg em um freestyle da faixa Hold On do grupo En Vogue

Dr. Dre (right) with Snoop Dogg, who played a starring role on Dre's The Chronic. Here they pose after a 1993 performance in Chicago.

No início de suas respectivas carreiras solo, Dr. Dre e Snoop pareciam ser um pacote – com o primeiro sendo a primeira voz do The Chronic. Como descoberto pela L.A. Weekly, foi o freestyle de Snoop sobre a faixa Hold On do grupo de R&B En Vogue, que chamou a atenção de Dr. Dre. Snoop lembrou do ocorrido, “Warren G me ligou e falou, ‘Snoop, tenho Dre no telefone, ele gostou da fita, e quer trabalhar com a gente.‘ Eu disse, ‘Cara, para de mentir.‘ E alguém disse disse olá, e então falou, ‘É o Dre, cara. A parada ficou foda! Quero trabalhar contigo. Venha no estúdio na segunda.'”

9. Eazy-E ganhou cerca de 25 a 50 centavos para cada cópia vendida do disco

Eazy-E falou a icônica frase “Dre Day is only Eazy’s payday” quando apareceu no programa de Arsenio Hall, e rimou o mesmo junto a outra frase “when you talk about spraying me, thesame records that you makin’ is paying me” na sua diss Real Muthaphuckkin G’s. Como a linha sugere, Eazy lucrou com o disco de Dr. Dre, tudo isso graças a um acordo que Dre tinha quando fazia parte da Ruthless Records e foi para a Death Row. Eazy ganhou uma quantia para cada cópia vendida de trabalhos de Dre durante seis anos.

10. Uma faixa anti-polícia chamada Mr. Officer foi removida do disco

Enquanto Ice-T tinha a sua música Cop Killer na mente do público como um potente exemplo do hip-hop como protestos perante o relacionamento da lei com as minorias, Dr. Dre também tinha a ideia de relatar isso em seu disco de estreia. Intitulada Mr. Officer, a música que falava sobre colocar policiais em um cesto foi arquivada graças as controvérsias relacionadas ao tópico e distribuidoras passando o disco para outros por causa da música.

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