Review | King Los – God, Money, War

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King Los antes de tudo é um exímio rapper: no sentido mais puro e bruto da palavra, ele é um rimador. Como dito nos EUA e em Portugal, um cuspidor de rimas, aquele cara que sabe fluir bem em cima da batida exibindo toda sua técnica em rimar, como jogos de palavras, multissilábicas e tudo mais. A maior prova disso são seus improvisos e o freestyle na base de ‘Control’ (presente na mixtape Zero Gravity II), que, segundo o próprio Kendrick Lamar, foi um dos melhores. No seu disco de estréia – ‘God, Money, War’ – ele continua a fazer isso de forma sensacional, desenvolvendo o conceito do título ao longo das quatorze faixas.

Para abrir o CD, ‘War’ é uma conversa entre Los e um amigo, em que esse explica a situação difícil em que se encontra, enquanto o rapper – que personifica os dois – tenta acalmá-lo. É uma ótima introdução para uma temática que vai se estender por todo o disco: a ‘guerra’ que acontece em qualquer quebrada.

Em ‘Ghetto Boy’, a segunda faixa, o rapper de Baltimore começa contextualizar o meio, contando como é ser um garoto crescendo no gueto, enquanto em faixas como ‘Lil Black Boy’ e ‘Black Blood’, ele diz que toda criança de quebrada merece um bom pai, discute como é perder a figura paterna enquanto cresce, mas aponta  para o fato de que algumas dessas dores podem te fazer mais forte. ‘Black Blood’ ainda conta com a participação de Isaiah Rashad (TDE) que faz um pequeno verso e o refrão.

Já em ‘God, Money, War’, que possui um refrão marcante, King Los expõe a relação entre as três coisas no contexto de favela/gueto que já havia sido introduzido anteriormente. Essa faixa, junto com ‘Ghetto Boy’ são minhas favoritas do disco, principalmente, pois são duas das quais podemos ver o rapper exibir toda sua habilidade com as palavras, sem falar da ótima produção de ambas. Em ‘God, Money, War’, o beat muda um pouco no terceiro verso, ficando mais positivo, acompanhando com a idéia esperançosa que Los desenvolve nele.

As parcerias são bem escolhidas, principalmente as dos cantores de R&B, R Kelly e Chrishan The Prince, em ‘Glory to The Lord’ e ‘Confidence’, respectivamente. A primeira serve pra introduzir uma nova vibe no disco, para menos reflexão e mais celebração, em que King Los lembra dos tempos difíceis e de como superou isso.

Nas músicas seguintes, ‘Nigga Can’t Fade Us’ e ‘Blame It On The Money’, o rapper trabalha mais o tema do dinheiro, ostentando a vida que o RAP lhe deu, com carros, roupas e mulheres, até chegar em ‘To Be Honest’ em que ele encara mais a realidade do seu estilo de viver atual e tudo que o engloba.

Para ‘Confidence’ e ‘Slave’, ficaram as missões de dizer para o gueto como Deus pode ser encontrado na Guerra através de confiança e amor próprio, mas também como o Dinheiro pode se encaixar no contexto da Guerra, fazendo de você um escravo dele.

Para finalizar o albúm, ‘King’ é basicamente um bragadocious em que o rapper diz por que é o “rei”. Em minha opinião, não foi uma boa maneira de terminar um trabalho que foi construído ao redor de uma temática maior do que simplesmente o próprio MC… Talvez teria sido melhor terminar com ‘God, Money, War’.

‘God, Money, War’ é um bom disco, mesmo que em alguns momentos ele não pareça tão amarrado e coeso na transição das temáticas, lembrando um pouco uma mixtape. A produção é boa na grande maioria das faixas, e a forma como as problemáticas do gueto são trabalhadas sobre os pilhares de Deus, Dinheiro e Guerra com uma técnica tão agradável pra quem gosta de rima, valem a pena a audição.

Nota 8.

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