Review: Drake & Future — What A Time To Be Alive

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por Léo Sousa

O clima encontrado What a Time to Be Alive é totalmente de celebração após um ótimo ano para ambos os rappers. Future, em particular, passa pelo maior crescimento artístico e técnico no meio. O rapper de Atlanta fecha aqui um ciclo de consolidação que se iniciou lá em 2011 com seu breakout single “Tony Montana”, ironicamente também ao lado de Drake. Quatro anos depois, a evolução é gritante, o suficiente para Future se afirmar no cenário com um estilo próprio e confirma seu nome entre os melhores da atualidade. Fato que talvez seja o grande catalisador para o nascimento do projeto.

Já Drake não dá ponto sem nó, e se sua posição como o maior rapper contemporâneo esteja ameaçada depois de suas habilidades de escrita terem sido colocadas em cheque nos últimos tempos, pode ter certeza que a gestão de sua carreira é magistral. Drizzy vive um período onde está sempre no momento certo, na hora certa, com as pessoas certas. A leitura de mercado que ele e sua equipe fazem tem levado sua carreira a grandes conquistas, através de movimentos inteligentes como conseguir a posição de executivo em um time da NBA (o Toronto Raptors), divulgação excessiva de sua própria marca de roupas, e até o recente contrato de 20 milhões de dólares com a Apple para um programa de rádio semanal.

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Você vai comer a batata?

A junção de dois artistas no seu auge da popularidade, além da arte na capa do álbum-mixtape-ou-seja-lá-o-que-é-isso foram suficientes para surgirem comparações com memorável Watch the Throne de Jay e Kanye. Mas as semelhanças param aí, com um ar muito mais despretensioso What a Time não tem o peso de precisar ser o maior álbum do ano ou o salvador do rap, sua missão prioritária é entreter e nesse quesito não há decepções. Isso é comprovado por qualquer ouvinte quando, depois do segundo ou terceiro play, o refrão de Jumpman já está grudado na sua cabeça igual aquela gata que você gostava no ensino médio.

Nos últimos anos é possível notar um padrão no comportamento musical de Drake, ele está sempre a procura de tipos de sons diferentes, vindos de tipos de artistas diferentes, sempre oferecendo a sua visão em cima do que essas pessoas fazem. Como não lembrar de remixes como Versace, do grupo Migos; ou Tuesday, de iLoveMakkonen; atingiu inclusive niveis internacionais com Ojuelegba, do nigeriano Wizkid, que teve uma versão gravada por ele em parceria com MC Skepta. Em What a Time não é diferente, é possível ver a absorção de estilo vinda de ambas as partes, como por exemplo em Change Locations, onde Drake soa como Future, e quando o contrário acontece em Scholarships.

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“Aí ele falou que eu não escrevia minhas letras…”

A princípio existe a ideia de balanceamento entre os dois, você pode encontrar facilmente a essência de Drake em Plastic Bag, mais uma amostra de fascínio pela profissão de stripper, ou então no outro de Diamonds Dancing, onde Drizzy faz seu clássico “eu te avisei” pra todas as garotas (alguns dizem que uma delas especificamente) que já passaram por ele. Mas é Future quem indiscutivelmente se destaca, visivelmente mais confortável com a produção, aproveita para cravar suas marcas registradas, o trap life e o uso abusivo de drogas, como em I’m the Plug — que por sua vez tem o beat parecidíssimo com outra música de sua autoria — e Jersey, faixa solo do rapper de Atlanta.

A produção fica por conta de Metro Boomin’, parceiro de longa data de Future e inclusive responsável por grande parte dos beats em Dirty Sprite 2. Também participam da composição dos instrumentais Boi-1da e Southside. Honestamente, não há nada que diferencie do que já se vê por aí perdido em alguma faixa do Rick Ross em qualquer outra com a tag HOT no HotNewHipHop, e isso evidencia ainda mais o talento de quem transforma isso em algo realmente aprazível.

A última impressão deixada é 30 for 30 Freestyle, faixa solo onde Drake finalmente se sente em casa, com produção de Noah “40” Shebib. Diferente do que foi visto em If You’re Reading This is Too Late, a faixa traz um clima mais intimista e Champagne Papi aproveita o espaço para, no seu melhor estilo, descorrer sobre assuntos que vão desde as mudanças e os beneficios que a fama traz até a recente beef com Meek Mill. Toda essa confidência, além do fato de ter seu produtor na faixa talvez indique que esse seja o rumo que Drake irá tomar no seu álbum, dessa vez pra valer, Views from The 6, que pode chegar a qualquer momento.

Que momento para se estar vivo, não?

Nota: 7,3/10

Melhor Faixa: Jersey
Pior Faixa: Big Rings

Abaixo o clipe de Where Ya At, do álbum Dirty Sprite 2.

2 Respostas para “Review: Drake & Future — What A Time To Be Alive

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