Review: “What A Weird Day” abre alas no Rap para Michael Christmas

michael

Há alguns anos estamos vendo uma safra de rappers com assunto mais excêntricos entrarem no jogo. É uma questão de geração. Todos esses artistas são jovens, tiveram outra vivência e inspirações. Michael Christmas é um desses artistas.

Vindo de Boston, Mike chamou a atenção pelo single com o nome do versátil ator Michael Cera, parte da mixtape Is This Art? Com uma vibe diferente dos rappers que acompanham a sua geração, ele mostrou uma mensagem de “cara normal”. Sua música não tem os bragadoccios comuns de um rapper, mas sim o retrato da transição de um adolescente para a vida adulta com honestidade depreciativa e muito humor. Não faltam referências a isso no seu primeiro disco, What a Weird Day, onde ouvimos ele citar lutadores de wrestling e artistas que ouviu/assistiu durante a última década (“I plan on being in karate movies just like Chris Farley/My imagination on the rap game, Jeff Hardy”). É curioso ouvir um rapper assim, pois logo de cara, me identifico com muitas das estranhas referências do disco, afinal, tenho a mesma idade que ele e acompanhei muitas das mesmas coisas.

Sem título

Christmas e Miller no estúdio

Destacando-se com um versátil flow, o rapper não peca nas rimas. Traz conteúdo, de forma bastante despojada, e com uma entrega de dar inveja a alguns veteranos. O rapper não se intimida e faz muitas vezes refrões cantados, mostrando uma ótima voz para isso. Um dos exemplos dessa troca de rimas/cantar é a faixa Smoke, onde ele reflete sobre as fumaças que conhece: a do blunt e a da pistola. Se nessa música o rapper traz assuntos mais delicados, em Everything Burrito ele mostra seu lado mais cômico. Essas diferentes abordagens fazem o disco ser um projeto de extremos com um contraste muito bacana.

What a Weird Day é bastante consistente. Com colaborações de Logic, Mac Miller (que a pouco tempo fazia um trabalho bem parecido), Krondon, D.R.A.M., entre outros, o disco curiosamente bebe muito do boombap, assim como de outras fontes. Como citei acima, essa faceta mais moderna do rapper fez eu esperar uma diferente abordagem nos instrumentais, mas boa parte do disco é feito nessa influência mais antiga, usando é claro, de uma roupagem mais moderna e não tão agressiva do gênero. Are You Around por exemplo, traz uma mistura de muitos elementos antigos e novos. É uma bela surpresa do ano de 2015 para a gente, caso você esteja cansado de figurões e pouca originalidade, dê play em Mickey Christmas e viagem pela sua mente.

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