Não parece, mas Nelly estourou há mais de quinze anos atrás

Parece que foi ontem, mas já se fazem dezesseis anos que Nelly lançou o seu primeiro disco, Country Grammar, projeto que colocou o artista de Missouri no cenário mainstream e mostrou que o centro-oeste americano também sabe fazer Rap.

Mas a história de Nelly, filho de militar, começou no Texas, no ano de 1974. O rapper se mudaria para St. Louis no Missouri durante sua adolescência. Em 1993, fundou o grupo St. Lunatics, e foi um pouco após essa época que ele conheceu o A&R da Universal Music Group, Kevin Law. Com as forças do hip-hop americano centradas no Leste, Oeste, e mais recentemente no Sul, foi difícil o trabalho de valorização de Nelly. Law explica em uma entrevista de 2002 a sua função na carreira do rapper:

“O desenvolvimento da carreira de Nelly tomou um pouco do nosso tempo. Ele veio de uma área nos EUA que é virtualmente inexplorada em termos de hip-hop. A maioria das músicas saindo naquela época vinham de Nova York, do Sul, ou da Costa Oeste, então para mim foi uma oportunidade excitante de trabalhar a marca dele como estrela do Centro-Oeste.

Nós queríamos que toda a campanha fosse centrada em um Nelly regional. Queríamos abraçar St. Louis e todo o Centro-Oeste. Queríamos que a região do country apoiasse ele e se sentisse orgulhosa dele. Também foi uma grande relação familiar porque tínhamos os St. Lunatics, que Nelly e eu assinamos. Tínhamos também um grande orçamento da organização e sempre acompanhamos para ter certeza que o seu desenvolvimento era verdadeiro com de onde ele veio, algo que você pode notar por suas músicas. O fato dele ser acreditável, é o que fez dele ser muito amado.”

Depois de um single com o grupo St. Lunatics, Gimme What U Got, e ser assinado com uma gravadora, havia chego a hora do resultado de todo o trabalho. Country Grammar, primeiro disco de Nelly, foi lançado em Junho do ano de 2000, tendo um single de mesmo nome divulgado em Fevereiro, e que alcançaria o topo da US Hot Rap Songs um mês antes do lançamento do disco. A faixa deixaria explícito o principal talento do rapper: fazer hits. Do mesmo disco, E.I. (16º) e Ride Wit Me (3º) fariam ótimas posições nos charts. Country Grammar, porém, não agradou todo mundo. O disco com forte apelo mainstream fez sucesso – o projeto vendeu 9.000,000 de cópias até hoje – mas o público mais conservador não comprou muito a ideia do rapper.

Depois de um trabalho em conjunto com os St. Lunatics em 2001, Free City, Nelly dominaria o ano de 2002. O rapper chamou os Neptunes para a música Hot In Herre, um de seus maiores hits. A faixa chegou ao Top 10 dos charts de dezesseis países. O segundo single do disco – o primeiro foi #1, feito para o filme Training Day – foi o essencial para a divulgação do disco Nellyville, lançado em Junho de 2002. O projeto, no mesmo dia de lançamento, apresentou o single Dilemma, em parceria com Kelly Rowland, membro do grupo Destiny’s Child na época. A música fez o impossível até então, superar o número de charts que Hot In Herre. A mistura com o R&B, característica da carreira do rapper, fez a faixa alcançar o Top 10 em vinte e dois charts espalhados pelo mundo. Na época, no Brasil, a faixa foi trilha da telenovela Malhação. O disco ainda traria Air Force Ones, Pimp Juice, e Roc the Mic (Remix) como singles, mas não alcançariam – com exceção do primeiro – o mesmo sucesso das outras duas músicas de trabalho do disco.

Um ano depois, com o lançamento de um projeto de remixes, o rapper não emplacaria nada solo, apenas a faixa Shake Ya Tailfeather, com Diddy e Murphy Lee, trilha do filme Bad Boys II. A música acabaria no projeto Murphy’s Law, de Lee. Mas o ano não seria assim tão tranquilo, o disco Da Derrty Versions: The Reinvention traria o remix da faixa E.I., intitulado Trip Drill. O vídeo da música causou polêmica pelo conteúdo explícito mostrado. Os protestos feministas na Universidade Spelman cancelaram um show em prol da irmã doente do rapper. O visual polêmico mostra mulheres de biquíni dançando e simulando atos sexuais enquanto Nelly e sua entourage jogavam dinheiro nelas, em uma das cenas, o rapper passa um cartão de crédito entre os glúteos de uma das modelos. A irmã de Nelly estava com leucemia na época, mas nem isso comoveu as ativistas que disseram através da sua representante: “Nelly quer ajudar a irmã, mas está degradando milhões de nós.” A situação foi descrita no livro Hip Hop Maters, de Samuel Craig Williams .

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Nelly e Ja Rule ligados na tecnologia.

Em 2004, após um contrato com a Nike para a produção de uma versão dos Air Force Ones, e logo após um recém assinado contrato com a Reebok que fez o rapper divulgar a marca ao lado da estrela do basquete Allen Iverson, ele lançaria dois discos. Sweat, a primeira parte de um conjunto de dois, foi um disco mais orientado ao Rap, com participações de artistas como Mobb Deep, Fat Joe, Lil’Flip e a sua trupe dos St. Lunatics, faria pouco sucesso – mesmo com um single com Christina Aguilera. A outra parte, Suit, foi um disco orientado para o R&B, que como já dito, ditou muito da carreira do rapper. Muito mais bem recebido graças aos singles My Place e Over and Over com o cantor country Tim McGraw, Nelly aparecia em vários charts mais uma vez. Um ano depois a junção dos dois discos sairia, trazendo três novos sons, entre elas, o sucesso Grillz.

A faixa da “capinha de ouro no dente ” trazia Gipp, do Goodie Mob, Ali, parceiro de St. Lunatics, e Paul Wall, rapper que despontava no Texas sobre o manto da Swishahouse. Com produção de Jermaine Dupri, a faixa fez sucesso mundial – inclusive novamente no Brasil – e popularizou mais ainda a cultura das capas de dente.

NELLY

Nelly, o cara do esparadrapo no rosto

Após o lançamento de Sweatsuit, a carreira de Nelly tomou rumos diferentes. Depois do filme The Longest Yard, com Adam Sandler, o rapper emplacou poucos dos seus hits. Party People foi o carro chefe do disco Brass Knuckles, que apesar de ter alcançado boas posições em chart, não teve o mesmo sucesso dos anteriores – mas é um dos melhores discos da carreira do rapper, mesclando o trabalho regional com grandes pitadas do pop.

Desde Brass Knuckles o rapper soltou mais dois discos, 5.0 (2010) e M.O. (2013), discos que mostraram um ultrapassado artista, que talvez tenha perdido o seu maior talento, fazer hits. Suas maiores conquistas desde 2008 são fora do Rap: em 2010 o rapper virou sócio de Michael Jordan na propriedade do time Charlotte Bobcats (hoje Hornets), e teve sucesso em linhas de roupas. Sem contar os reality-shows Real Husbands of Hollywood e Nellyville. O tempo de Nelly passou, nos sobrou os hits.

Esse post é patrocinado por todas as produtoras de coletâneas black de meados da última década.

8 Respostas para “Não parece, mas Nelly estourou há mais de quinze anos atrás

  1. ótima matéria! Nelly representava, até hoje guardo minha copia física do CD Nellyville

    anos 2000, melhor ano do Hip-Hop !

    • Primeiro rolava uns boatos que o band-aid era para cobrir uma lesão de basquete. Mas ele continuou usando, e segundo ele, em homenagem ao rapper City Spud, amigo dele e que por um tempo serviu dez anos de prisão.

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