Onde os Unicórnios Não Ousam Pisar: Hip Hop e Questão Gay – Parte I

A primeira vez que eu curti um rap de verdade foi com o rapper brasileiro Xis, em uma participação especial que ele fez no álbum Acústico Mtv da Cássia Eller. Me lembro que tinha um colega na escola (infelizmente não me lembro o nome) que era um dos pouquíssimos caras que curtia rap e ficava pelos corredores fazendo freestyles para animar a galera, com a calça jeans larga caindo deixando a cueca à mostra. Na adolescência eu era do rock e costumávamos inventar nossas identidades, socializar e construir nossas amizades através dos gostos musicais. Laninha, uma amiga minha dessa época, costumava me emprestar uns CD’s e acabou me emprestando o Acústico Mtv da Cássia depois de eu tanto insistir, pois o CD era de uma outra amiga. O álbum da Cássia Eller nos uniu de certa forma: uma artista que deglutia a música brasileira e regurgitava visceralidade em suas interpretações. Cássia comia de tudo: do rock à música erudita, do samba ao manguebeat, da tropicália ao hip hop. Cássia Eller foi a primeira artista que conheci que me mostrou que música não tem gênero e nem sexualidade, e que os rótulos são criações da indústria fonográfica para movimentar o mercado capitalista. Foi uma mulher lésbica que me apresentou o rap.

As discussões sobre gênero e sexualidade no mundo do rock sempre foram mais frequentes, como também um grande tabu quebrado gradativamente através dos tempos. Desde pequeno já curtia Mamonas Assassinas e achava o máximo Dinho fechando performando Robocop Gay com seus figurinos excêntricos no Domingão do Faustão ou no Domingo Legal. Após a morte trágica dos Mamonas passei a curtir Raimundos, mas somente as músicas que tocava no rádio (as clean versions dos álbuns, risos), pois era uma sonoridade e uma irreverência bem parecidas. Era criança e não entendia de gêneros musicais, não prestava atenção nas letras (muito pornográficas por sinal, risos) e nem havia internet ainda como hoje. Nos anos 2000 conheci o rock da década de 1980 e percebi que o rock era mais gay do que eu pensava: Renato Russo e Cazuza foram poetas de uma geração. Passava as tardes na casa de Rai, uma outra amiga de escola, ouvindo e discutindo as canções. Vi Pitty invadir a cena musical nacional demarcando seu espaço enquanto mulher, baiana e roqueira, enfrentando todo machismo, sexismo e xenofobia; vi a ascensão do hardcore e do emocore provocando discussões intensas que hoje são muito interessantes: todo o preconceito em ouvir, curtir, ser ou parecer um “emo” estava no perigo de se feminilizar ou até mesmo se parecer gay. O emocore afogou o hardcore em um poço de sentimentos, emoções e sensibilidades, e isso se transformou em uma zona de conforto para mim que estava em processo de auto reconhecimento e auto aceitação enquanto um adolescente roqueiro homossexual.

Cássia me ensinou que eu poderia ser e curtir o que eu quisesse. Minhas amigas foram responsáveis por boa parte de formação musical, mesmo consumindo uma produção fonográfica dominada por homens. Porém, o mundo do Hip Hop sempre foi algo que não foi feito para mim: aquelas mulheres gostosas seminuas dançando twerk, toda aquela hipersexualidade, dinheiro, joias, drogas e violência explícita dos videoclipes sempre me causaram um profundo estranhamento e simultaneamente uma curiosidade em entender porque homens negros como eu se comportavam daquela forma.

50 Cent foi o primeiro rapper que me interessei de verdade. Gostava de ver aquele negão imenso com o corpo todo musculoso e tatuado performando nos videoclipes que costumavam passar na Mtv. O rap sempre foi algo excitante e fascinante para mim, pois é uma música criada por homens negros que são os homens mais lindos da humanidade em minha opinião. Porém, é um gênero musical que, como sabemos muito bem, integra um dos elementos que fundamentam a cultura Hip Hop, originada nos Estados Unidos desde o fim da década de 1960. Uma cultura criada por homens e que possuem suas influências em masculinidades e valores patriarcais machistas e sexistas estruturados nas sociedades ocidentais que sofreram as experiências trágicas do colonialismo europeu e da escravidão negra. Em uma cultura criada e dominada por homens heterossexuais não há espaço nem protagonismo para as mulheres, gays e outras categorias possíveis de gênero e sexualidade. A cultura Hip Hop, como um espelho, reflete os efeitos da supremacia masculina nas relações de poder entre os gêneros em nossa sociedade. Não é a cultura Hip Hop que produz o machismo, o sexismo e as fobias sexuais e de gênero: ela somente as reproduz, sintomaticamente.

As identidades de gênero, como todos os outros tipos e classificações de identidade (raça, classe, religião, nacionalidade, etc.) só possuem sentido na diferença. É a partir dos encontros e conflitos entre indivíduos diferentes que há o estabelecimento de paradoxos e contradições entre as identidades e a construção da consciência sobre nós mesmos. As masculinidades necessitam das outras identidades de gênero para existir, pois elas só se manifestam a partir das oposições e ambiguidades entre os indivíduos detentores de outras identidades sexuais e de gênero inseridos nas estruturas socioculturais. Como vivemos em sociedades nas quais os homens monopolizam os espaços de poder através do sistema patriarcal, a prática da subordinação dos indivíduos que possuem outras identidades de gênero é um exercício de manutenção e preservação da masculinidade. Por isso a ausência e silenciamento histórico de mulheres dominando o poder de discurso do rap, coisificadas em objetos de desejo e ostentação, rebolando e expondo seus corpos seminus nos videoclipes e oprimidas simbolicamente toda vez que o adjetivo “bitch” (vadia) é pronunciado. Por isso LGBT’s são intensamente repudiados e excluídos do território da cultura Hip Hop onde não ousam pôr os pés. A cultura Hip Hop sempre foi visualizada enquanto uma grande fábrica de hipermasculinidades que nunca são questionadas por se apresentarem extremamente violentas, agressivas e perigosas, valores naturalizados e normatizados nos homens, potencializados nos homens negros. O rapper Snoop Dogg em 2014 publicou uma imagem de um casal gay junto com um comentário homofóbico e em 2015 foi processado por fazer uma piada com um homem gay aparentemente parecido com ele, ambas as postagens feitas em seu Instagram. Em entrevista ao jornal The Guardiam em 2012 foi incisivo em sua opinião sobre a homossexualidade no Hip Hop, rebatendo declarações sobre Frank Ocean, primeiro rapper a declarar publicamente sua homossexualidade: “Ele não é rapper, é um cantor. É aceitável no mundo da música, mas não no rap, que é tão masculino. É como um time de futebol: você não pode se trancar com um bando de filhos da puta gays, quando um deles disser: ‘hey, cara, eu gosto de você’. Sabe, será difícil”.

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Postagem homofóbica de Snoop Dogg em seu Instagram (2014)

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Postagem homofóbica de Snoop Dogg em seu Instagram (2015)

O 50 Cent já declarou várias vezes em entrevistas que não é favorável à presença de gays no mundo do rap e revelou sua homofobia publicamente para a imprensa. Certa vez em entrevista à revista Playboy em 2004, declarou “Não sou chegado em bichas. Não gosto de gays ao meu redor, porque não me sinto confortável com os pensamentos deles”. Apesar de declarar na mesma entrevista e tempos depois em sua autobiografia (Do Lixo ao Luxo, traduzida e publicada no Brasil pela editora Ediouro) que sua mãe era bissexual, ainda disse: “Não tenho preconceito, só não temos muito em comum. Já mulheres que gostam de mulheres são legais”. O rapper The Game em 2011 após ser acusado de homofobia pelo site TMZ, postou em seu Twitter uma declaração afirmando a homossexualidade de 50 Cent: “Olha, TMZ, é simples: se você é gay, seja gay. Eu não tenho um problema com gays. Eu gosto muito das músicas do Elton John. Mas olhe em volta, eu fico surpreso quando vejo que alguém não é gay. O cabelereiro da minha namorada é gay e ele é legal, 50 Cent é gay e ele era legal”.

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Postagem do rapper The Game em seu Twitter (2011)

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Sabrina Jackson, mãe do rapper 50 Cent

Um homem ofender outro através do questionamento de sua masculinidade, principalmente ridicularizando-o através dos aspectos femininos ou gays de seu comportamento ou simplesmente “acusando-o” de ser homossexual é a prática mais recorrente dos jogos simbólicos de poder das masculinidades. Apresentar tais aspectos é enfraquecer-se simbolicamente diante desses jogos. É necessário sempre produzir performances que garantam a imposição e afirmação obsessiva das masculinidades, que são identidades socioculturais nas quais os símbolos que as codificam contribuem para a manutenção da superioridade dos homens no controle das relações de poder entre os gêneros. Assim, a declaração do rapper The Game desafiou a masculinidade de 50 Cent não com o objetivo de tornar a hipótese de sua homossexualidade uma verdade pública, e sim como um dispositivo de ameaça, afronta e vingança masculina. No mundo do rap as diss track, por exemplo, é um meio de confronto, ataque e insulto verbal no qual os rappers disputam a hegemonia do discurso sobre o rival. Um homem afirmar que o outro é gay configura uma tentativa de degradação de seu poder simbólico, pois no vocabulário da heteronormatividade ser gay é ser inferior. Sabemos muito bem dos conflitos presentes no passado entre eles envolvendo a G-Unit que gerou uma grande rivalidade pessoal, fato que também corrobora para entendermos que o discurso sobre a homossexualidade no universo da cultura Hip Hop pode ser muito ameaçador por estabelecer hierarquias opressoras de gênero.

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50 Cent e The Game

Ano passado a atriz Vivica A. Fox, ex-namorada de 50 Cent, declarou também para a imprensa que 50 teria uma sexualidade mal resolvida, insinuando uma possível homossexualidade do rapper em entrevista para o programa Watch What Happens. Questionada sobre as críticas homofóbicas do mesmo ao sucesso do seriado Empire que “compete” com o seriado Power no qual interpreta o traficante Kanan além de ser seu produtor, Vivica respondeu: “Você sabe… é o sujo falando do mal lavado. É tudo o que vou falar”. Empire é uma série dirigida por Lee Daniels (O Mordomo da Casa Branca), cineasta negro e gay maravilhoso e ainda tem eu seu enredo um rapper gay, o Jamal, interpretado pelo ator Jussie Smollet. Porém, as reclamações do 50 Cent em relação à série da Fox estão para além da competição por audiência: a presença gay na cultura Hip Hop é algo que preocupa e incita a ira de muitos homens heteros que a integra.

Outro grande alvo do discurso discriminatório e excludente em relação a questões gays foi o rapper Kanye West, principalmente por conta de sua grande sensibilidade e criatividade artística (para mim ele é o rapper mais performático da história do Hip Hop) e seu envolvimento direto com o mundo da Moda, dois aspectos comprometedores que não estão muito bem compatíveis quando se trata de masculinidades rappers. Apesar do grande hiato e expectativa para seu novo álbum intitulado Swish, com lançamento em fevereiro deste ano, Yeezy foi destaque da imprensa mundial principalmente por sua atuação enquanto estilista. Aulas exclusivas na universidade Los Angeles Trade Technical College (serviço comunitário após ter sido julgado por ter agredido um paparazzo em Los Angeles), desfile na New York Fashion Week da sua coleção em parceria com a Adidas Originals, premiação pelo FN Achievement Awards (o “Oscar dos sapatos”) por seu tênis Yeezy Boost também em parceria com a Adidas e eleito pela revista GQ como o homem mais estiloso pelo segundo ano consecutivo, são fatos que solidificaram Kanye no mundo da Moda em 2015 apesar de seu histórico de críticas e boatos dos tabloides de fofocas sobre celebridades que afirmam uma homossexualidade latente de uma das divindades do rap. A revista In Touch publicou comentários que insinuavam uma forte desconfiança de Kim Kardashian, socialite esposa de Kanye, sobre sua sexualidade e o site Hoolywood Life divulgou um suposto caso com o estilista italiano Riccardo Tisci (imagine o babado!) durante sua gravidez de sua primeira filha North West, em 2013.

Além de ignorar as polêmicas que foram desmentidas posteriormente por Kim Kardashian, em declaração em 2015 ao site SHOWstudio Yeezy afirmou ter sofrido preconceito no início da sua carreira como estilista por não ser gay, fato que dificultou sua inserção na indústria da Moda: “Eu acho que fui discriminado por não ser gay. Na música, você com certeza é discriminado se for gay. É preciso de grandes talentos para quebrar as barreiras. Todo mundo achou que quando Frank Ocean assumiu ser homossexual, sua carreira estaria comprometida. Eu acho que é um clichê falar sobre ele quando voltamos ao tema, mas há pessoas que quebram barreiras e ele é uma delas. As pessoas que acabam com os estereótipos fazem história.”

Mas, e os gays no mundo do Hip Hop: eles existem? Onde estão? Como sobrevivem? Sexta, no Globo Repór… HAHA, zoeira, gente! Após um grande silêncio (autopreservação, talvez?), a declaração tardia, porém necessária de Kanye West sobre a saída do armário de Frank Ocean, músico integrante do coletivo Odd Future (aquele do Tyler, The Creator) revela o quanto tem sido angustiante transitar no campo minado das masculinidades rappers, território bravamente invadido por Ocean, armado até os dentes de um pensamento libertário que rejeita os rótulos de gênero que as identidades costumam aprisionar os indivíduos. Em entrevista à revista GQ em 2012, declarou: “Eu respeitosamente direi que a vida é dinâmica e que com ela vêm experiências dinâmicas, e o mesmo sentimento que eu tenho com relação a gêneros musicais eu tenho com uma série de rótulos e prateleiras e essas merdas todas”.

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Frank Ocean em ensaio para a revista GQ (2012)

Para nós gays amantes do rap e da cultura Hip Hop ter um homem negro, músico compositor de grande relevância para a indústria da música dos EUA com hits gravados por Justin Bieber (quem se importa, não é mesmo?), John Legend, Beyoncé, Jay Z e o próprio Kanye West, falando abertamente sobre sua homossexualidade para a imprensa e lançando um álbum emblemático como Channel Orange foi muito significativo e importante para nossa representatividade e afirmação. Mesmo diante de uma tempestade de comentários homofóbicos, Tyler, Hova e Queen B foram os primeiros artistas que demonstraram grande apoio a Ocean em seus pronunciamentos nas redes sociais, anunciando novos tempos para o rap nos EUA:

 “Meu irmão finalmente fez essa porra. Estou orgulhoso (…) porque sei que essa merda é difícil e tudo mais” (Tyler, the Creator em seu Twitter)

“Seja destemido. Seja honesto. Seja generoso. Seja corajoso. Seja poético. Seja aberto. Seja livre. Seja apaixonado. Seja feliz. Seja inspiração.” (Beyoncé, mensagem escrita sobre uma foto de Ocean divulgada na internet)

“Eu espero que você leia e ouça as centenas de milhares de pessoas que irão apoiá-lo. Admiramos a sua coragem, sua beleza, não só como a de um homem bissexual negro, mas como um coração partido” (Jay Z, trecho de sua carta de apoio a Frank Ocean divulgada na internet)

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Mensagem de apoio escrita por Beyoncé em uma foto de Frank Ocean (2012)

Tyler, the Creator, esse rapper tão controverso, apesar de sempre ter apoiado Frank Ocean vez ou outra é acusado junto com sua crew do Odd Future por seus versos considerados homofóbicos, nos quais os adjetivos “fag” e “faggot” (gírias em inglês para bicha e viado) são cuspidos à torta e à direita, que sabemos desde já que não devem ser levados tão a sério por sua estética bizarra e satírica. Uma camiseta da sua linha de roupas Golf Wang causou grande repercussão pela estampa que reedita um símbolo neonazista com as cores do arco-íris, divulgada em seu Tumblr ano passado com uma declaração de Tyler sobre questões raciais e principalmente LGBT’s:

 “Desde que a minha carreira começou tenho sido rotulado como um homofóbico, simplesmente por causa do meu uso da palavra viado. Mais uma vez, tentando tirar o poder de algo, EU NUNCA ME REFERI A PREFERÊNCIA SEXUAL DE ALGUÉM QUANDO UTILIZEI ESSA PALAVRA. Quer dizer, eu sou legitimamente um dos caras menos homofóbicos a andar nesta Terra, mas a maioria das pessoas apenas lê a superfície”.

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Foto de divulgação de camiseta pró-LGBT da Golf Wang (2015)

No II Digitália – Congresso, Festival e Observatório Internacional de Música e Cultura Digital em 2013 aqui na Bahia, perguntei ao rapper brasileiro Emicida qual era sua opinião sobre o caso do Frank Ocean e sobre a ausência de rappers gays no Hip Hop. Sem uma opinião aprofundada sobre essa questão, Emicida me respondeu que o rap precisa se olhar no espelho e enxergar seus preconceitos também, apesar de depois no álbum O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui ter levantado uma onda de críticas e protestos feministas pela música “Trepadeira” (que ele tentou superar com “Mandume” em seu último álbum), revelando ainda uma maturidade em processo de formação para lidar com as questões de gênero. Acredito que temos que seguir essa orientação e começar a perceber a pluralidade da cultura Hip Hop, libertando-a de seu monopólio pela heterossexualidade compulsória que sufoca seu desenvolvimento em prol do domínio masculino, desencadeando a criação de guetos dentro de guetos. Existem submundos no qual o rap possui cores mais fortes e brilhantes, e são eles que apresentarei na segunda parte desse artigo. Gay is the new black! Até lá!

Daniel Dos Santos (DanDan) é licenciado em História pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), mestrando em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), membro fundador e pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Africanos e Afrobrasileiros (AfroUneb) e pesquisador do Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CuS), nos quais desenvolve o #TheGangstaProject: Masculinidades Negras nos Videoclipes dos Rappers Jay Z  e 50 Cent. É apaixonado pelo Drake e Kanye West. Os boxeadores negros são suas principais inspirações.

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