Review: Anderson .Paak – Malibu

Anderson .Paak era um nome pouco conhecido para muitos dos envolvidos com rap até ano passado, quando ele se destacou na cena com suas participações em Compton (2015) e The Documentary 2/2.5 (2015). Tendo os dois álbuns sido bem recebidos pela crítica, seu desempenho em faixas como “All in a Day’s Work” e “Crenshaw / 80s and Cocaine” o garantiu uma boa visibilidade. Em janeiro de 2016, o rapper soltou seu segundo álbum: Malibu (2016).

Malibu é um álbum que traz um estilo musical leve e carregado de influências do R&B. A ficha de produtores envolvidos no CD é extensa — mais de 10 nomes, incluindo o próprio .Paak em três faixas — e ainda assim o artista foi bem-sucedido em definir uma linha musical padronizada em todos os instrumentais. Juntar batidas e melodias sincronizadas e que parecem falar a mesma lingua não é tarefa fácil quando se trabalha com essa quantidade de profissionais. Malibu é um álbum produzido por mais de 10 pessoas que soa como uma coletânea de um só homem. Nas participações, por sua vez, estão grandes nomes como The Game e Schoolboy Q, que contribuíram com versos decentes — aquém do esperado — para o conjunto da obra.

“Decente”, no entanto, não é a palavra certa para definir o desempenho do principal artista no álbum. A forma leve que .Paak dá às letras, em conjunto com uma musicalidade rica coloca o trabalho em uma categoria que vai além do mero “decente”. O maleável flow cantado de .Paak representa um grande ponto positivo do CD. Destaque para “Without You”, “Your Prime”, “Room In Here” e “The Dreamer”, que faz bem o trabalho de encerrar o álbum, por mais clichê que seu nome possa parecer.

Entretanto, toda essa pluralidade e versatilidade parece perder potência quando falamos dos assuntos abordados em Malibu. A notória falta de ousadia do artista no que se refere ao subject matter pode incomodar, deixando uma sensação de que .Paak não saiu de uma zona de conforto e provocando certa decepção. Grande parte das músicas fala de amor, festas e mulheres (há os que acreditam que o álbum fale de apenas uma mulher específica em várias faixas) e apenas a minoria das faixas conseguem ir além disso. Alguns exemplos são “Come Down”, “The Waters”, e “The Bird”, que fala sobre o ambiente familiar em que o rapper foi criado.

My sister used to sing to Whitney, mmm
My mama caught the gambling bug, mmm
We came up in a lonely castle, mmm
My papa was behind them bars, mmm

We never had to want for nothing, mmm
Said all we ever need is love, mmm –
“The Bird”, Malibu (2016).

Em resumo, apesar da relativa pobreza de variedade de assuntos abordados, Paak consegue fazer um álbum interessante de ser ouvido, com musicalidade que, assim como sua produção, impressiona por sua qualidade. Malibu mostra que Anderson .Paak já é um grande artista, ainda que aparente alguma necessidade de amadurecimento nas suas criações. O rapper revela, ao longo das 16 faixas presentes no trabalho, uma capacidade perceptível de reinvenção e adaptabilidade entre os kicks e snares. Esse elemento, somado a um lirismo tão poético quanto impactante, sustenta o entretenimento de Malibu, que se consagra um grande trabalho na discografia do artista e uma excelente forma de começar o ano para o rap.

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