Keep Ya Ears Up: Best of 1991

Continuando nossa viagem pela década de 90, chegou a hora de se aprofundar em 1991, mais um ano mágico da Golden Age. Super grupos como A Tribe Called Quest, De La Soul, N.W.A. e Public Enemy continuavam a fazer história, enquanto novatos como 2Pac, Busta Rhymes, Cypress Hill e MF DOOM lançavam seus primeiros trabalhos. Fiquem agora com 30 clássicos imperdíveis desta safra especial:

01 – A Tribe Called Quest – Check the Rhime

Lançando seu segundo álbum, “The Low End Theory”, considerado um dos melhores discos de rap de todos os tempos, A Tribe Called Quest estava no ápice da criatividade no início dos anos 90. Q-Tip e Phife Dawg cada vez mais hábeis como MCs, numa produção inovadora e criativa. “Check the Rhime” foi o single de maior sucesso do disco.

02 – De La Soul – Keepin’ the Faith

“De La Soul is Dead”, segundo disco do trio, trouxe um De La Soul com uma visão mais sombria e desiludida em relação ao Hip-Hop, atacando o Gangsta Rap e toda a onda de violência propagada por alguns rappers, o que soa profético afinal a situação pioraria muito mais. Musicalmente continua brilhante, como pode ser observado na ótima “Keepin’ the Faith”.

03 – Ice-T – The Tower (Ft. Sean E Sean, Al Patrome & Mello)

O disco “OG Original Gangster”, 4º de sua carreira, é considerado a obra-prima de Ice-T. Ao contrário da maioria dos artistas do Gangsta Rap, Ice-T não se limita aos temas clichês de sempre, buscando soluções para a pobreza no gueto, indo contra o tráfico de drogas, etc. Na produção do The Rhyme Syndicate, uma atmosfera de filme de horror é fortemente inserida no álbum. Na “The Tower”, Ice-T rima sobre o sistema prisional por cima de uma base que sampleia a música tema do clássico filme “Halloween”, de John Carpenter.

04 – Gang Starr – Take a Rest

Lançando seu segundo disco, “Step in the Arena”, Guru e DJ Premier são sinônimos de essência do Hip-Hop. Rimas geniais, sonoridade jazz-rap, samples e scratchs impecáveis. Escolher uma música desse disco foi uma missão árdua, pois todas são boas. “Take a Rest” traz uma tonelada de samples, com destaque para Kool & The Gang, Marvin Gaye, Curtis Mayfield e Sugarhill Gang.

05 – Ice Cube – True to the Game

Furioso como sempre, Ice Cube volta a examinar a sociedade americana em seu segundo álbum, “Death Certificate”. Enquanto no primeiro disco os produtores eram os mesmos do Public Enemy, aqui Cube trabalha com Sir Jinx (C.I.A. / The MAAD Circle), que investe numa sonoridade mais West Coast, com diversos samples de funk e soul dos anos 70. Em “True to the Game” Cube critica os artistas do Hip-Hop que migraram para o mainstream.

06 – Main Source – Live at the Barbecue (Ft. Nas, Joe Fatal & Akinyele)

O trio do Queens composto pelos canadenses K-Cut e Sir Scratch, e pelo novaiorquino Large Professor, lançou em 91 seu primeiro álbum, o clássico “Breaking Atoms”. A produção de Professor está primorosa, com muitos samples de jazz e soul. A faixa “Live at the Barbecue” é o debute do Nas, que abre a música cuspindo rimas inesquecíveis (seu primeiro disco, a obra-prima “Illmatic” seria lançada em 94, e traria samples desta faixa em sua intro, “The Genesis”).

07 – Black Sheep – Pass the 40 (Ft. Chi Ali)

Duo do Queens formado por Dres e Mista Lawnge, que estreiou em 91 com o disco “A Wolf in Sheep’s Clothing”. Rap bem-humorado, satírico, com rimas únicas e letras inteligentes. Eram afiliados aos Native Tongues, que incluía Jungle Brothers, A Tribe Called Quest e De La Soul.

08 – Public Enemy – Can’t Truss It

O quarto álbum do Public Enemy, “Apocalypse 91… The Enemy Strikes Black”, deixa os samples conhecidos de lado (os direitos autorais entrariam em cena para atrapalhar o Hip-Hop no início dos anos 90) para investir em produções originais ou então utilizando fontes impossíveis de serem reconhecidas. O som continuou pesado e agressivo, com letras denunciando as injustiças sociais e raciais. “Can’t Truss It” foi o segundo single do disco, e o de maior sucesso.

09 – N.W.A. – Alwayz Into Somethin’ (Ft. Admiral D)

Sem Ice Cube, que abandonou o grupo em 89, Dr. Dre, MC Ren e Eazy-E lançaram o segundo e último álbum do N.W.A. em 91, o “Niggaz4Life” (também conhecido como Efil4zaggin – leiam de trás pra frente). Não é um clássico como “Straight Outta Compton”, mas não deixa de ser um bom trabalho. Se por um lado as produções de Dr. Dre estavam a caminho da perfeição, as letras (escritas em sua maioria por MC Ren e The D.O.C.) são bem tolas, repletas de sexismo e misogonia, servindo mais para chocar e causar controvérsia. “Alwayz Into Somethin’” foi o primeiro single do disco e trata-se do mais puro G-Funk.

10 – Organized Konfusion – Fudge Pudge (Ft. O.C.)

Prince Po e Pharoahe Monch formavam o Organized Konfusion, oriundo do Queens. O primeiro disco deles chegou às ruas em 91 e leva o mesmo nome do duo. Hip-Hop underground, com letras politizadas e conscientes. Os dois MCs possuem grandes habilidades líricas, com vocabulário diferenciado, metáforas, narrativas, etc., sendo que a faixa “Fudge Pudge” também conta com O.C., membro do D.I.T.C..

11 – 2Pac – Brenda’s Got a Baby (Ft. Dave Hollister)

O primeiro álbum de Tupac Shakur, “2Pacalypse Now” não está entre seus melhores trabalhos. Sua evolução (voz / flow) é notável nos trabalhos seguintes, assim como os beats escolhidos. Porém liricamente 2Pac sempre foi muito inteligente, demonstrando sensibilidade e agressividade simultaneamente, ao relatar temas como pobreza, discriminação, violência policial, etc. “Brenda’s Got a Baby” é faixa mais linda do disco, e certamente figura entre as canções mais inesquecíveis de toda a carreira do mito 2Pac.

12 – Ed O.G. & Da Bulldogs – Be a Father to Your Child

Diretamente de Boston veio outra estreia de peso em 91: Ed O.G. (aka Edo G.) e seu time pesado Da Bulldogs, com o disco “Life of a Kid in the Ghetto”. Clássico da East Coast, com produção e letras excelentes, como fica bem claro na faixa “Be a Father to Your Child”, cuja mensagem permanece ultra-relevante.

13 – Geto Boys – Mind Playing Tricks on Me

Um dos pioneiros do Hip-Hop sulista, os texanos do Geto Boys lançaram em 91 o quarto álbum de sua carreira, “We Can’t Be Stopped”. A capa, uma das mais emblemáticas do Hip-Hop, mostra Bushwick Bill saindo do hospital, ainda numa maca, após ter levado um tiro no olho (leiam mais sobre esta história bizarra clicando aqui). O conteúdo psicótico e sexual continua, mas também há espaço para comentários políticos e sociais. A música “Mind Playing Tricks on Me” é um dos raps mais famosos de todos os tempos, cuja letra descreve vários estados mentais como halucinação, ilusão e paranóia, e sua base sampleia o som “Hung Up On My Baby” do Isaac Hayes.

14 – Leaders of the New School – The International Zone Coaster

Dinco D, Charlie Brown e Busta Rhymes integravam este grupo de Long Island, Nova Iorque, que lançou apenas dois discos em sua trajetória, “A Future Without a Past…” em 91 e “T.I.M.E.” em 93. Busta Rhymes se tornaria muito famoso em sua carreira solo a partir de 96. A primeira grande aparição do grupo foi na música “Scenario” do A Tribe Called Quest, lançada três meses antes do debute do Leaders of the New School. Parcialmente produzido pelo The Bomb Squad, o som do trio é bastante energético, tanto musicalmente quanto liricamente.

15 – Del Tha Funkee Homosapien – Mistadobalina

Primo do Ice Cube, o californiano Del é um grande nome do Hip-Hop underground. Seu primeiro álbum foi lançado em 91, com o título “I Wish My Brother George Was Here”, e apresenta um rap bem humorado, com bastante influência de funk. Del tinha apenas 18 anos na época. A divertida “Mistadobalina” traz a linha “Mr. Dobalina, Mr. Bob Dobalina” sampleada da música “Zilch” da banda americana de rock Monkees, e foi um grande sucesso na época. Del também foi o fundador do coletivo Hieroglyphics, outro nome marcante do underground.

16 – Freestyle Fellowship – Here I Am

Grupo de Los Angeles, formado por Aceyalone, Myka 9, P.E.A.C.E. e Self Jupiter. Apesar de serem da California, não possuem nada em comum com a cena gangsta local, lembrando mais De La Soul e A Tribe Called Quest, e antecipando nomes como Hieroglyphics e The Pharcyde dentro do Hip-Hop underground da West Coast. Os quatro MCs são talentosos e o principal método utilizado é o do freestyle.

17 – Scarface – Mr. Scarface

O mito de H-Town já estava na labuta com os Geto Boys desde 89, quando lançou seu primeiro trampo solo em 91, “Mr. Scarface is Back”. Um belo começo para um dos MCs mais respeitados e de carreira mais sólida do Hip-Hop. Rap hardcore, sombrio e violento. A faixa “Mr. Scarface” abre o disco e foi um single de sucesso, assim como o álbum.

18 – Naughty by Nature – O.P.P.

Composto por Treach, Vin Rock e DJ Kay Gee, o grupo de New Jersey surgiu no cenário em 89 com outro nome, The New Style. Na ocasião lançaram um disco chamado “Independent Leaders”, que não fez muito barulho. Dois anos depois, já com o nome de Naughty by Nature, lançaram o álbum homônimo que foi um grande sucesso, graças em parte a presença do mega hit “O.P.P.”. Treach é um MC de grandes habilidades, e já foi citado pelo Eminem como uma de suas principais influências.

19 – Compton’s Most Wanted – Growin’ Up in the Hood

Tendo como líder o MC Eiht, o grupo Compton’s Most Wanted encontra-se entre os pioneiros do Gangsta Rap na California. Em 91 eles lançaram seu segundo trabalho, “Straight Checkn ‘Em”, parte crucial da história da West Coast. O hit “Growin’ Up in the Hood” também fez parte do clássico filme “Os Donos da Rua” (Boyz in the Hood).

20 – Cypress Hill – How I Could Just Kill a Man

Possuíndo raízes cubanas, o trio formado por DJ Muggs, Sen Dog e B-Real trouxe elementos latinos ao rap da Costa Oeste, criando uma das mais influentes e instantaneamente reconhecíveis sonoridades do Hip-Hop. O disco de estreia, que leva o mesmo nome do grupo, vendeu dois milhões de cópias e apresentou um dos grandes hits de 91, a “How I Could Just Kill a Man”, surgida inicialmente numa demo de 90 com o nome “Trigga Happy Nigga”.

21 – Chubb Rock – Treat ‘Em Right

O jamaicano Chubb Rock fez sua carreira como rapper no Brooklyn, e lançou seis discos entre 1988 e 2009. “The One”, lançado em 91, foi seu terceiro e provavelmente melhor álbum. Ótimo liricista, Chubb Rock merecia ser mais reconhecido. “Treat ‘Em Right” foi o single de maior êxito do disco.

22 – DJ Quick – Born and Raised in Compton

“Quik is the Name” é o debute do DJ Quick e um verdadeiro clássico da West Coast. Quick foi um dos melhores produtores da California e um dos pais do G-Funk. Membro dos Bloods (mais especificamente dos Tree Top Piru), sua treta com MC Eight e o grupo Compton’s Most Wanted, que eram dos Crips, foi bem conhecida nos anos 90, e só terminou em 2002 graças a Snoop Dogg e Daz Dillinger que conseguiram acalmar os ânimos, a ponto de Quick e Eight virarem amigos e gravarem juntos. A faixa “Born and Raised in Compton” foi um dos maiores sucessos de sua carreira.

23 – Slick Rick – I Shouldn’t Have Done It

O veterano Slick Rick começou cedo no rap, como pudemos ver na primeira coletânea dos anos 80 publicada aqui. Porém justamente quando estava no auge, passou um bom tempo atrás das grades, o que certamente atrapalhou bastante sua carreira. Slick foi um MC de grandes habilidades, mestre do storytelling, mas por conta dos problemas pessoais lançou apenas quatro álbuns ao longo de sua trajetória. “The Ruler’s Back”, de 91, foi seu segundo disco, e “I Shouldn’t Have Done It” foi o principal single.

24 – WC and The MAAD Circle – Ain’t a Damn Thing Changed

Após o Low Profile, e antes do Westside Connection, WC formou o The MAAD Circle com Big Gee, Sir Jinx, Coolio e DJ Crazy Toones. West Coast Gangsta Rap de alta qualidade, com preocupações sociais e políticas. A faixa aqui selecionada leva o mesmo nome do disco de estreia.

25 – UMC’s – Blue Cheese

O duo novaiorquino UMC’s era formado por Haas G e Kool Kim (que posteriormente mudou o nome artístico para NYOIL). Lançaram apenas dois discos, mas o debute em 91, “Fruits of Nature” foi o mais aclamado. Possui a mesma vibe dos projetos relacionados aos Native Tongues (De La Soul, A Tribe Called Quest, Jungle Brothers, Black Sheep). Rap divertido e positivo, com boas letras e boas batidas.

26 – Heavy D – Don’t Curse (Ft. Kool G Rap, Grand Puba, CL Smooth, Big Daddy Kane, Pete Rock & Q-Tip)

Nascido na Jamaica, Heavy D cresceu em Nova Iorque e foi o fundador do grupo The Boyz, ao lado de G-Whiz, Trouble e Eddie F. A faixa “Don’t Curse” possui um time estelar, sendo uma das ‘posse cuts’ mais incríveis de 91. Pertence ao terceiro álbum do Heavy D & The Boyz, intitulado “Peaceful Journey”.

27 – Digital Underground – Same Song (Ft. 2Pac)

Shock G e Money B estavam de volta em 91 com seu segundo disco, “Sons of the P”, mas a faixa “Same Song” não foi extraída desse disco, e sim de um EP lançado em janeiro de 91 intitulado “This is an EP Release”, contendo a participação de um tal Tupac Shakur, cujo debute, “2Pacalypse Now”, só seria lançado em novembro. Ou seja, aqui temos a verdadeira estreia da lenda. A música também entrou para a trilha sonora da comédia “Nada Além de Problemas” (Nothing But Trouble).

28 – J Rock – Ghetto Law

Não confundir com o Jay Rock da TDE. Este J Rock é um esquecido MC de Nova Iorque, cujo álbum “Streetwize” de 91 conta com a produção de DJ Premier e Easy Mo Bee. Uma pérola a ser redescoberta.

29 – Nice & Smooth – Sometimes I Rhyme Slow

O entrosado duo chega ao seu segundo álbum, “Ain’t a Damn Thing Changed”. A química entre os dois é perfeita, com estilos díspares que se complementam. ‘Pop rap’ do bom!

30 – KMD – Who Me? (With an Answer from Dr. Bert)

Trio novaiorquino composto por Zev Love X, DJ Subroc e Rodan, revelado ao mundo através do MC Serch do grupo 3rd Bass. Rap consciente e bem-humorado, de sonoridade original e criativa. Lançaram apenas dois discos, sendo o primeiro em 91, o “Mr. Hood”. Posteriormente Zev Love X colocaria uma máscara para nunca mais retirá-la, tornando-se o infame MF DOOM! Ou seja, se você tem curiosidade de conhecer a verdadeira face do DOOM, basta pesquisar por Zev Love X e seu grupo KMD.

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