Review: GoldLink – ‘And After That, We Didn’t Talk’

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GoldLink é um dos rappers da nova escola que mais vêem chamando atenção da cena desde 2014, quando lançou sua excelente mixtape intitulada God Complex. De lá pra cá, o MC de Washington que possui um flow explosivo e uma grande versatilidade musical, colecionou grandes apresentações, como no Festival AfroPunk, além de conquistar a confiança de Rick Rubin, que esteve por trás da produção executiva do seu álbum de estréia que iremos analisar, o “And After That, We Didn’t Talk”.

A tradução literal do título é: “E Depois Disso, Nós Não Nos Falamos”, e basicamente, sintetiza o conceito do disco. GoldLink, que tem apenas 22 anos, decidiu dedicar seu álbum de estréia a uma antiga paixão que certamente marcou sua vida, e ao redor das narrativas desse relacionamento, o rapper também nos coloca no contexto de ser um artista em ascensão, lidar com o começo da fama e ao mesmo tempo com um amor forte. ‘God Complex’ serve como um bom aperitivo para o que GoldLink nos apresenta em ‘AATWDT’: um jovem compositor tentando descobrir a si mesmo como artista, ser humano e consertar seu passado, mesmo que, para isso, ele tenha que colocá-lo em um disco.

A intro ‘After You Left’ abre o disco de uma forma bem coesa, pois é um relato preciso do rapper sobre o que aconteceu depois que sua paixão (que permanece sem ser identificada) o deixou. Na faixa, ele rima sobre alguns erros que cometeu com ela, o começo da fama, e conta um pouco sobre sua história, coisa que o projeto anterior não fez.

Muitas das músicas em ‘And After That, We Didn’t Talk’ – especialmente ‘Zipporah’, ‘Dance on me’ e ‘Palm Trees’ – são ótimas canções dançantes, em que o rapper rima sobre a mulher que amou, e deixa pequenas pistas sobre a personalidade dela durante os versos. Muitas outras tem como temática o emponderamento negro, como ‘Dark Skin Women’ e ‘Polarized’. Apesar de ser um álbum que gira em torno de uma paixão – e por isso músicas românticas são mais freqüentes – GoldLink não deixa de nos contextualizar socialmente sobre como ele vê algumas questões políticas, como podemos perceber em ‘New Black’, além da questão racial ser pano de fundo de outras diversas músicas.

Esse é um ponto chave para entender o rapper, que grita alto e orgulhoso de ser preto e a todo momento fala sobre a necessidade de autoafirmação de seu povo. A produção musical do disco é toda de Louie Lastic, e podemos perceber durante os quase 40 minutos de álbum a influência de diversas vertentes da música negra, como o Funk e especialmente o R&B. Na segunda metade do álbum, o rapper abandona um pouco as rimas e podemos escutá-lo cantar em diversas faixas, inclusive, com a excelente participação de Anderson .Paak em ‘Unique’ (analisamos o último lançamento do cantor aqui).

Apesar de ser um caldeirão de influências e ritmos, ‘And After That, We Didn’t Talk’ é um disco que permanece coeso em seu conceito do início ao fim, e todas as músicas estão conectadas entre si, o que faz com que realmente soe como um álbum. GoldLink é um rimador em potencial, tem um excelente flow e soube trabalhar seu canto e musicalidade. Não é um disco profundo a ponto de se tornar um clássico do RAP, mas é uma excelente estréia e nos apresenta a tudo que o rapper ainda pode fazer e, por isso, merece ser ouvido.

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