Batemos um papo com Ronald Rios sobre o seu programa “Histórias do Rap Nacional”

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Ronald Rios nunca escondeu seu gosto pelo Rap, e atualmente celebra essa relação de amor com o programa Histórias do Rap Nacional, um documentário de seis partes que está indo ao ar pela TV Gazeta, toda sexta-feira às 23:30. Com autonomia e toda a confiança da emissora paulista, Ronald entrevistou uma enorme quantidade de artistas do nosso cenário nacional, visando “deixá-los contar a sua verdade,” como fala em entrevista para o Raplogia. Confira abaixo um bate papo do site com o apresentador sobre o programa e seu gosto pelo Rap.

Histórias do Rap Nacional é um programa que aborda um assunto pouco retratado na TV brasileira de forma mais profunda. Como se deu a concepção do projeto? E como vem sendo trabalhar com a TV Gazeta?

RONALD – Eu e a Gazeta já vinhamos conversando há uns 10 meses sobre fazer um programa. Enquanto decidíamos como será isso – que estreia em março – me perguntaram se eu queria fazer um programa mais curto, com temporada fechada. Eu lancei: “Quero entrevistar um monte de gente do rap nacional e deixar eles contando sua verdade.” Aprovaram. A Gazeta é demais, é uma casa muito boa, que te deixa a vontade pra criar. Muita liberdade é fundamental. Tirando a Cultura, não sei se outro canal passaria uma série sobre rap.

Pelas suas redes, teasers e o primeiro episódio, nota-se que a série está abordando o trabalho de artistas paulistas, que são do berço do hip-hop no país. Existe a ideia de expandir o leque de entrevistados para outras locações que tem também seu significado para a cultura, como o Rio de Janeiro?

RONALD – Tentamos chegar em muitos artistas do Rio mas é difícil. Contactamos De Leve, Marechal, D2, Bill… mas é difícil mesmo, mesmo com eles vindo a São Paulo.

Mas com a boa aceitação do programa que tivemos, eu não vejo por que não fazer uma segunda temporada. Não dá pra falar disso agora. Mas há mais histórias do rap nacional do que podemos contar em 6 episódios. Outras cidades, sotaques.

Mas temos artistas de Brasília, Recife, Rio e Curitiba nessa temporada. Poucos mas estão lá. Não foi falta de vontade nem cuidado. Mas a maior parte das entrevistas, nessa primeira parte do projeto, em maioria estão os artistas de São Paulo sim.

Podemos notar o grande número de entrevistados no projeto desde que o mesmo foi anunciado. Conte-nos como foi a experiência de falar com artistas considerados lendas dentro da nossa cultura e o que você pode tirar, como fã de Rap, de aprendizado desse trabalho?

RONALD –  Trocar ideia com um KL-Jay sobre cultura, sobre amizade. Trocar uma ideia com o DJ Cia sobre Anderson .Paak. Ter meu cérebro (mais uma vez) rachado no meio pelo Criolo, dessa vez falando com ele de cara a cara? Wow.

O Xis, mano! O Xis, carai! Eu troquei uma ideia de igual com o Xis. Eu tomei breja com o Edi Rock. O Rappin’ Hood falou pra eu levar minhas música no programa de rádio dele e tocou! Entende? Eu sou, fora os mil momentos onde tô fazendo piada, um jornalista sério. Mas nesse projeto, você vê na minha cara que eu tô lá muito com o coração.

Sou pinto no lixo, cara.

O programa terá uma segunda temporada? Quem nós podemos esperar no projeto e quem você gostaria de entrevistar?

RONALD – Não dá pra confirmar a segunda temporada. Mas é um desejo grande meu. Eu preciso de pelo menos mais 12 episódios para entrevistar todo mundo que quero.

Eu preciso entrevistar o Brown.

Nos últimos tempos, o hip-hop teve uma evolução notável no quesito produção e também popularização. Os artistas, muito graças a internet, conseguem fazer um trampo mais profissional desde cedo e com uma maior autonomia. A internet também leva o trabalho dos MCs nacionais a um maior público, expandindo muito mais a fanbase do artista e popularizando o mesmo. Você, alguém que por anos trabalhou bastante com a internet, como vê essa ajuda da rede no corre dos artistas? Acredita que se existisse algo no estilo cerca de vinte anos atrás, o hip-hop já teria atingindo grandes massas no país? E para você, existe algum ponto negativo nessa relação internet x tecnologia x hip-hop?

RONALD – Eu só vejo de forma positiva. Internet propaga ideias. É poder falar. Pra 100, 1000… isso tem um grande valor. Tecnologia tornou mais fácil gravar rap. “Mas e a quantidade de rap ruim?” E eu respondo: e a quantidade de rap bom? Você ouve o que você quer. Você lê os jornalistas e sites musicais que você quer, assiste os programas de tv sobre música que quer. Você faz sua curadoria. Se eu pego iPod do meu vizinho de 16 anos fã de rap, digamos, menos inteligente, eu talvez fale que “rap tá uma bosta”. Mas eu sei que tem muita coisa foda. A internet é um bagulho que você digita “Sintese ProjetoNave” no Google e vai assistir um lindo show de arte e uma puta reunião para absorver ideias desse jovem puro e genial que é o Neto. Então como vou falar mal de tecnologia?

Tem coisa boa e tem coisa ruim no rap. Igual em todos os aspectos do entretenimento e da arte da vida.

É uma ideia que o Talib fala quando dizem a ele que o “rap game tá uma merda”. Talvez você precise procurar em outros lugares que não sejam a Hot 97.

Como você vê a relação da nova geração de rappers com a mídia? E a galera que começou nos anos 90, como eles lidam com a mídia hoje? Qual sua análise sobre o binômio rap brasileiro x mídia ao longo das três últimas décadas?

RONALD – Eu ainda não me sinto esclarecido o bastante pra falar como os rappers dos 90’s lidaram com a mídia. Se eles divergem sobre o assunto, como eu posso ter uma opinião?

É fácil falar “O Racionais não falava com a mídia e isso enfraqueceu o movimento” mas vai se colocar no lugar deles, sendo marginalizados pela grande mídia? Não dá para adivinhar como seria se todo mundo tivesse ido para a tv igual louco.

Eu gosto do jeito que os novos artistas estão fazendo sua coisa com a mídia. Mas tem que saber onde está pisando e tem que saber que sua mensagem vai chegar na galera. Não pagando mico, não sendo usado como o “personagem rapper” no programa, está tudo bem.

Agora queremos saber de você, quais são teus artistas favoritos dentro do Rap? Sejam eles nacionais ou internacionais. E quem você anda acompanhando e acha que está se destacando atualmente na cena?

RONALD – Na gringa, gosto muito do Kendrick e do Earl. Joey Bada$$ é insano. Killer Mike, wow! Adorei esse Indie 500 do Talib, especialmente as músicas com a Rapsody, que para mim é uma das melhores MC’s de hoje, esse último EP dela é foda. Mais antigos eu gosto de Mobb Deep e Big. E Nas é o melhor de todos os tempos. Eu sinto falta de ouvir discos do Eminem bons de ponta-a-ponta mas sempre estou de olho nele.

Emicida é o melhor rapper do Brasil;

Rodrigo Ogi é um gênio em pintar cenas com flows;

Rincon Sapiência merecia ser 100 vezes mais ouvido. Sério, eu queria pagar um comercial no intervalo da novela só para tocar as músicas dele.

O que é o som da Tássia Reis? Isso é foda! E a evolução que o Rashid teve de 2009 pra cá? Você ouviu A Cena? Que arranjo, que LETRA, que clipe!

Mano Brown é o maior rapper da história do Brasil e ele entra no meu top 10 “seja lá seu idioma!”

Você soltou algumas músicas nos últimos meses. Quais são os próximos passos na carreira de rapper? Os próximos lançamentos irão ter que tipo de pegada?

RONALD – Lançar mais músicas logo. Eu acho que “Ideias em Demasia” é meu cartão de visitas, então muita coisa vai seguir aquele estilo. Representa melhor quem eu sou: um cara que pode estar se divertindo com palavras, mas a cabeça é cheia de paranoia com política, poder, violência e basicamente tudo que o mundão oferece pra nóis. Me enche de alegria quando alguém chapa com uma linha minha. Então mais raps vem por aí.

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