Keep Ya Ears Up: Best of 1992

Chegamos a 1992, mais um ano histórico da Era Dourada do Hip Hop. A quantidade de artistas geniais lançando seus primeiros álbuns neste ano é incrível: Pete Rock & C.L. Smooth, Dr. Dre, Showbiz & A.G., The Pharcyde, Diamond D, Redman, Das EFX, Arrested Development, Common, UGK, Spice 1, etc. E nomes consagrados como Eric B. & Rakim, Gang Starr, Kool G Rap & DJ Polo, Ice Cube, EPMD, Beastie Boys, Lord Finesse, Paris e Boogie Down Productions continuavam fazendo história. Aumentem o volume e confiram 35 faixas especialmente selecionadas:

01 – Pete Rock & C.L. Smooth – They Reminisce Over You (T.R.O.Y.)

O duo novaiorquino Pete Rock & C.L. Smooth havia lançado um ótimo EP em 91, “All Souled Out”, mas foi em 92 que saiu o primeiro álbum, o clássico “Mecca and The Soul Brother”, verdadeira obra-prima do Boom Bap. Ambos rimam e produzem no disco, mas o principal single, “They Reminisce Over You (T.R.O.Y.)”, é inteiramente performada por C.L. Smooth. Posteriormente a dupla se separou (gravaram apenas mais um álbum em 94), mas Pete Rock se consolidou como um dos produtores mais aclamados do Hip-Hop, trabalhando com os melhores do jogo. Já C.L. Smooth não teve a mesma sorte, gravando um bom disco em 2006, mas sumindo do mapa posteriormente. Uma pena, pois seu rap filosófico era de alta qualidade.

02 – Dr. Dre – Nuthin’ But a ”G” Thang (Ft. Snoop Dogg)

Em 91 o N.W.A. lançou sem último disco e logo na sequência Dr. Dre abandonou o grupo e fundou a Death Row Records, junto com The D.O.C. e seu segurança na época Suge Knight. O primeiro lançamento do selo foi no ano seguinte, com “The Chronic”, outra obra-prima do Hip-Hop e um dos discos mais influentes do gênero. Gangsta Rap e G-Funk na sua mais pura forma, estabelecendo em definitivo a sonoridade da West Coast. Dr. Dre produziu o álbum inteiro, mas contou com uma equipe de 17 profissionais, com destaque para Snoop Dogg que rima em 11 das 16 faixas. “The Chronic” vendeu mais de 5 milhões de cópias somente em solo norte-americano.

03 – Eric B. & Rakim – Don’t Sweat the Technique

O quarto e último álbum da dupla leva o mesmo nome da música escolhida. Rakim surge mais agressivo e político do que nunca, demonstrando cada vez mais consciência social em suas letras, enquanto Eric B. investe no jazz, funk, soul e blues para criar beats inesquecíveis.

04 – Showbiz & A.G. – Represent (Ft. Big L, DeShawn & Lord Finesse)

Mais um duo novaiorquino aparece em 92, lançando seu debute “Runaway Slave”. Ambos rimam, mas Showbiz produz o disco inteiro. “Represent” é uma ‘posse cut’ que reúne quatro integrantes do coletivo D.I.T.C. (Showbiz, A.G., Big L e Lord Finesse) e mais um convidado (DeShawn). Puro NYC 90’s.

05 – The Pharcyde – Passin’ Me By

Mesmo com o Gangsta Rap dominando a Califórnia, sobrou espaço para um grupo de Hip-Hop alternativo brilhar nos anos 90 e se tornar uma espécie de versão West Coast dos grupos De La Soul e A Tribe Called Quest, ajudando a abrir caminho para outros nomes de L.A. como Hieroglyphics, The Coup, Jurassic 5 e Souls of Mischief. “Bizarre Ride II the Pharcyde” é um disco clássico, contando com quatro MCs (SlimKid 3, Imani, Fatlip e Bootie Brown) e J-Swift na produção. Rap bem-humorado, excêntrico e original, com bases inovadoras, contando com instrumentos reais, deixando o minimalismo do rap mainstream da época de lado.

06 – Diamond and The Psychotic Neurotics – Sally Got a One Track Mind

Mais conhecido como Diamond D, o produtor / MC do Bronx, e um dos fundadores do D.I.T.C., estreiou em 92 com seu crew The Psychotic Neurotics através do álbum “Stunts, Blunts and Hip Hop”. Contando com participações de peso como Big L, Fat Joe, Brand Nubian e Showbiz, além de Large Professor, Sadat X e Q-Tip nas produções, trata-se de outro clássico do Hip-Hop novaiorquino dos anos 90.

07 – Redman – Time 4 Sum Aksion

Outro rapper importante a lançar seu primeiro disco em 92 foi Redman, oriundo de New Jersey, com “Whut? Thee Album”. Dono de um estilo único, com influências de funk e reggae, suas letras são cômicas e possuem punchlines hilárias. O álbum recebeu certificado de ouro e ótimas críticas, e contou com uma grande ajuda de Erick Sermon (EPMD) na produção.

08 – Gang Starr – Hardcore Composer

Guru e DJ Premier chegam ao seu terceiro álbum, “Daily Operation”. Outra pedrada, vindo de uma das duplas mais consistentes e geniais do Hip-Hop. Letras e beats da mais alta qualidade. Como diriam os gringos: “Dope!”.

09 – Kool G Rap & DJ Polo – Ill Street Blues

“Live and Let Die” é o terceiro e último disco da dupla Kool e Polo, que posteriormente seguiriam em carreiras separadas. Trata-se do álbum mais pesado do duo, onde seu Mafioso Rap atinge os patamares mais altos no que se refere a violência gráfica e ao conteúdo sexual explícito. Um detalhe importante é que o álbum foi inteiramente co-produzido por Sir Jinx, o que deu um sabor de West Coast para um produto do Queens!

10 – Compton’s Most Wanted – Hood Took Me Under

MC Eiht e sua turma chegam a “Music to Driveby”, terceiro álbum do Compton’s Most Wanted, e considerado por muitos o melhor trabalho do grupo. Como foi lançado no mesmo ano do “The Chronic” do Dr. Dre, acabou sendo ofuscado, mas trata-se de um dos melhores discos do Gangsta Rap californiano.

11 – Hard Knocks – Dirty Cop Named Harry

Duo novaiorquinho formado por MC Hardhead e DJ Stoneface. “School of Hard Knocks” é o único disco da dupla, e merece ser redescoberto pelas novas gerações. Ótimos beats com samples de funk e jazz, e belos ‘storytellings’ rimados pela voz monótona do MC Hardhead.

12 – Ice Cube – It Was a Good Day

O terceiro disco de Ice Cube, “The Predator”, foi outro sucesso estrondoso. Mais de 2 milhões de cópias vendidas nos EUA, e trazendo um dos maiores hits de sua carreira, “It Was a Good Day”. Na letra Ice Cube celebra sua ótima fase, onde possuía todo o dinheiro que sempre sonhou e estava no topo do jogo. O último verso da letra é emblemático: “Hoje eu nem tive que usar minha AK / Eu tenho que dizer que foi um dia bom”.

13 – EPMD – Headbanger (Ft. K-Solo & Redman)

“Business Never Personal” é o quarto álbum do EPMD, outro trabalho de alta qualidade do duo novaiorquino. O grande single do disco foi a faixa “Crossover”, mas “Headbanger” com as participações de K-Solo e Redman (ambos integrantes, ao lado do EPMD, do coletivo “Hit Squad”), também se tornou um hit.

14 – Beastie Boys – Pass the Mic

O terceiro disco do Beastie Boys, intitulado “Check Your Head”, é uma mistura de rock, punk, hardcore, jazz-funk e rap. Criativo e inovador. “Pass the Mic” foi o primeiro single do álbum.

15 – Lord Finesse – Yes You May

Lord Finesse chega com seu segundo disco, “Return of the Funky Man”. MC e produtor de alto nível, Finesse foi o fundador do coletivo D.I.T.C., que aparece por aqui com Showbiz e Diamond D na produção, e A.G. nos vocais. Outra pérola de Nova Iorque dos anos 90.

16 – Paris – The Days of Old

Direto de San Francisco, o militante Paris lança seu segundo álbum, “Sleeping with the Enemy”. Causou grande controvérsia com a faixa “Bush Killa” (uma fantasia de vingança sobre o assassinato do então presidente George H. W. Bush). É um mistério o fato de Paris não ter tido o mesmo reconhecimento de nomes como Ice Cube e Public Enemy, pois seu trabalho possui o mesmo nível de qualidade dos supracitados.

17 – Boogie Down Productions – Duck Down

D-Nice havia saído do grupo e Scott La Rock foi assassinado em 87. KRS-One faz o último álbum do Boogie Down, “Sex and Violence”, praticamente sozinho, contando com colaborações de Freddie Foxxx, Kid Capri, Kenny Parker, Heather B. e Willie D. (não é o mesmo Willie D. do Geto Boys). Na sequência KRS-One já partiria pra carreira solo. De qualquer forma, a despedida do Boogie Down é excelente, e a faixa “Duck Down” é um claro exemplo disto.

18 – Das EFX -They Want EFX

Duo da Virginia composto por Dray e Skoob. O ‘Das’ vem de ‘Dray and Scoob’ e EFX significa ‘effects’. Afiliados ao Hit Squad, a dupla alcançou boa popularidade no início dos anos 90. “Dead Serious”, de 92, foi o álbum de estreia, trazendo letras conscientes e um estilo único (e acelerado) de flow, que incluía muitas palavras que terminavam com “-iggedy”. Tal estilo lírico acabou se tornando muito influente, incluindo aí Jay-Z, Common, Fu-Schnickens, etc.

19 – Positive K – I Got a Man

Veterano do Bronx, associado a MC Lyte e ao Audio Two, Positive K lançou em 92 seu único grande trabalho, “The Skills Dat Pay Da Bills”, que ganhou certificado de ouro. “I Got a Man” foi um grande hit, e uma curiosidade é que a voz feminina presente na música foi feita pelo próprio rapper, utilizando efeito ‘pitch’. Apesar da levada ‘pop rap’, o restante do disco é puro Boom Bap.

20 – Arrested Development – People Everyday

O grupo de Atlanta fundado em 88 por Speech e Headliner lançou seu primeiro álbum em 92, intitulado “3 Years, 5 Months & 2 Days in the Life of…”. Hip Hop alternativo repleto de originalidade, com letras envolvendo espiritualidade, consciência negra e positividade. “People Everyday” foi um single de grande sucesso.

21 – House of Pain – Jump Around

Everlast, Danny Boy e DJ Lethal formavam o House of Pain, grupo californiano com raízes irlandesas. O primeiro álbum, lançado em 92 com o mesmo nome do trio, trouxe um dos maiores hits da história do Hip Hop, o ultra banger “Jump Around”, com produção do DJ Muggs do Cypress Hill.

22 – Common – A Penny For My Thoughts

O talentoso rapper de Chicago foi outro nome de peso a debutar em 92, na ocasião utilizando o nome de Common Sense. O disco “Can I Borrow a Dollar?” é bem diferente de seus trabalhos posteriores, mas já evidenciava o grande potencial lírico do jovem artista, na época com 20 anos.

23 – UGK – Something Good

Bun B e Pimp C formavam o Underground Kingz, oriundos do Texas. Estão entre os pioneiros do Hip Hop sulista, iniciando seus corres em 87. Somente em 92 saiu o primeiro disco, “Too Hard to Swallow”, um dos pilares do trap. Infelizmente Pimp C faleceu em 2007 após o uso indiscriminado de “Syrup”, mas Bun B está na ativa até hoje.

24 – Too $hort – In the Trunk

Em 92 o veterano da Bay Area lançava seu quarto álbum, “Shorty the Pimp”, considerado um dos seus melhores trabalhos. G-Funk com letras ‘X-Rated’, numa fórmula que Too $hort domina como ninguém.

25 – Spice 1 – Welcome to the Ghetto

Spice 1 nasceu no Texas, mas desenvolveu sua carreira na Califórnia e seu som é puro West Coast Gangsta Rap. Seu primeiro disco foi lançado em 92 e leva seu nome artístico no título. “Welcome to the Ghetto” foi o single de maior sucesso do álbum, e sua letra retrata as lutas diárias da vida no gueto, envolvendo crimes, mortes, drogas e gangues. Influência direta pra “I Wonder If Heaven Got a Ghetto” do 2Pac.

26 – DJ Quick – Only Fo’ Tha Money (Ft. 2nd II None)

O segundo disco do DJ Quick, “Way 2 Fonky”, não é um clássico como o primeiro, mas nem por isto deixa de ser um álbum sólido e consistente. G-Funk na veia, vindo diretamente de um de seus arquitetos.

27 – MC Serch – Back to the Grill (Ft. Chubb Rock, Red Hot Lover Tone & Nas)

Após sair do grupo 3rd Bass, o rapper do Queens lançou seu único álbum solo, “Return of the Product”. MC competente, com rimas inteligentes e punchlines bem humoradas. “Back to the Grill” é uma bela ‘posse cut’, contando com a participação de um jovem Nas pré-Illmatic.

28 – The Click – Tired of Being Stepped On (Ft. Levitti)

Grupo californiano composto por E-40, B-Legit, D-Shot e Suga-T. Lançaram três álbuns entre 92 a 2001, mas todos possuem carreiras solos, especialmente E-40 e B-Legit, ambos muito bem sucedidos. A faixa “Tired of Being Stepped On” foi extraída do debute “Down and Dirty”.

29 – Roxanne Shanté – Straight Razor

A rapper do Queens associada ao Juice Crew do Marley Marl está no Hip Hop desde 84, sendo uma lenda das apresentações ao vivo, cujas habilidades como MC sempre foram muito respeitadas. Infelizmente nunca conseguiu gravar um álbum clássico, que pudesse elevá-la ao status que merecia. Seu primeiro disco saiu em 89, “Bad Sister”, e em 92 foi lançado o derradeiro “The Bitch is Back”, contando com produções de Kool G Rap, Grand Daddy IU, Large Professor, Mister Cee, Trackmasters e Grandmaster Flash.

30 – Fu-Schnickens – La Schmoove (Ft. Phife Dawg)

Chip Fu, Moc Fu e Poc Fu formavam o Fu-Schnickens, do Brooklyn. Seguindo a linha do Das EFX, com letras cartunísticas e referências a cultura pop, o trio fez certo sucesso nos anos 90, ganhando certificado de ouro com seu primeiro disco, “F.U. Don’t Take It Personal”. O single “La Schmoove” foi produzido pelo A Tribe Called Quest, contando inclusive com a participação vocal de um de seus integrantes.

31 – Grand Puba – 360° (What Goes Around)

O ‘front man’ do grupo Brand Nubian, ícone do Hip Hop alternativo de Nova Iorque, lançou em 92 seu primeiro disco solo, “Reel to Reel”. Com metáforas espertas e boas punchlines, Puba demonstra toda sua habilidade como MC. A música “360° (What Goes Around)” foi um hit.

32 – Original Flavor – When I Make It

O duo composto por Ski e Suave Lover lançou em 92 seu primeiro disco, “This is How It Is”. Rap melódico com influência de jazz, de ótima qualidade. Ski sempre foi envolvido com produção, e atualmente se dedica totalmente a isto. Já trabalhou com grandes nomes como Jay-Z, Mos Def, Ras Kass, etc., e com artistas da nova geração como Curren$y, Stalley, Action Bronson, entre outros.

33 – Rough House Survivers – Can U Dig It? (Ft. C.L. Smooth)

Puro Boom Bap novaiorquino, com baixos pesados, trompetes e jazz breaks. O grupo, formado por DJ Swinn, Dread One, Kev e Roberto, lançou apenas um disco, “Straight From the Soul”, mostrando ótima química entre os MCs. Produções de Tony Dofat e Grand Puba, na pegada do Pete Rock.

34 – Wrecks-N-Effect – Rump Shaker

Grupo de ‘new jack swing’ proveniente do Harlem, que em 92 emplacou com o hit multi-platinado “Rump Shaker” (retirado do disco “Hard or Smooth”). Rap + Dance, com a colaboração de um novato Pharrell Williams na letra! Com apenas 19 anos o membro dos The Neptunes já farejava hits!

35 – Luke – I Wanna Rock

O integrante do 2 Live Crew teve longa carreira solo, lançando 8 discos entre 1990-2006. Em 92 saiu seu segundo disco, “I Got Shit on My Mind”, trazendo o hit “I Wanna Rock”. Rap + Miami Bass com letras XXX, praticamente um pai do “funk” brasileiro, porém com mais talento. A capa do disco é uma das mais infames do Hip Hop, com Luke sentado num vaso sanitário lendo jornal, e ao seu lado duas mulheres nuas dentro do box do chuveiro.

2 Respostas para “Keep Ya Ears Up: Best of 1992

  1. 1992 em especial, considero como ponto principal na formação do hip-hop mainstream. O movimento g-funk popularizado pelo lançamento do The Chronic faz efeito até hoje na cultura. E por outro lado, os lançamentos de Daily Operation, Bizarre ride II the pharcyde e Check your head influenciaram rappers e principalmente produtores de toda uma geração que nasceu durante os anos 80 e 90.

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