Keep Ya Ears Up: Best of 1993 – Pt. 1

De acordo com algumas fontes, A Era Dourada do Hip Hop compreende o período 87-99,  enquanto outros definem como Old School Era (79-85) e Golden Age (86-94). Independente de qual definição seja a correta, uma coisa é certa: os anos de 93 e 94 formam um capítulo a parte, com Wu-Tang Clan, Nas, De La Soul, Snoop Dogg, A Tribe Called Quest e OutKast lançando alguns dos álbum mais impactantes e influentes da história do Hip Hop. A quantidade de lançamento também se intensifica cada vez mais. Tivemos que dividir a coletânea de 93 em duas partes, totalizando 60 faixas. Em breve publicaremos a continuação, com Ice Cube, The Roots, Naughty by Nature, Big Daddy Kane, Erick Sermon, Mobb Deep, LL Cool J, Ice-T, Run DMC, Eazy-E e muito mais!

01 – Wu-Tang Clan – C.R.E.A.M.

Verdadeiro ‘dream team’ do rap, o super-grupo novaiorquino lançou seu primeiro disco em 93 tendo em sua formação: RZA, GZA, Method Man, Raekwon, Ghostface Killah, Inspectah Deck, U-God, Masta Killa e Ol’ Dirty Bastard. Intitulado “Enter the Wu-Tang (36 Chambers)”, é considerado um dos grandes álbuns do Hip Hop de todos os tempos, e vendeu mais de 2 milhões de cópias nos EUA. Wu-Tang Clan surgiu em cena quando o rap estava dividido entre o gangsta e o político / consciente. Eles apareceram com uma temática absolutamente original, misturando artes marciais e histórias em quadrinhos com a vida nas ruas de NY, recheado de metáforas e um senso de humor doentio. Acabou se tornando um dos grupos mais influentes da cultura, quiçá o maior e melhor da história. RZA produziu o álbum inteiro e o single “C.R.E.A.M.” (“Cash Rules Everything Around Me”) é performada por Method Man, Raekwon e Inspectah Deck.

02 – Snoop Doggy Dogg – Gin and Juice

“Doggystyle” é o primeiro disco do Snoop e foi um fenômeno de vendas (mais de 4 milhões de cópias), sendo outro grande clássico do Hip Hop. Snoop já havia brilhado no ano anterior aparecendo na maioria das faixas do “The Chronic” do Dr. Dre, mas 93 foi um ano especialmente agitado para ele, pois além de seu debute, foi acusado de assassinato! Juntamente com seu guarda-costas, Snoop teria atirado num membro de uma gangue rival. A defesa alegou legítima defesa e após três anos de batalhas legais, Snoop se livrou. Para o público, Snoop se tornou o primeiro ‘gangsta rapper’ a fazer aquilo que falava, o que certamente ajudou na promoção do disco. De qualquer forma trata-se de uma obra-prima do G-Funk, e provavelmente o melhor álbum da carreira de Snoop. “Gin and Juice” é pura ode à maconha, sexo e álcool, com um refrão inesquecível: “Rollin’ down the street smokin’ indo / Sippin’ on gin and juice / Laid back (with my mind on my money and my money on my mind).

03 – A Tribe Called Quest – Award Tour

Lançando seu terceiro disco, “Midnight Marauders”, ATCQ continua como um dos grandes pilares do Hip Hop alternativo e do Jazz Rap. O álbum foi um sucesso de crítica e vendas, e o single “Award Tour” atingiu a primeira colocação no ‘U.S. Hot Rap Singles Chart’. Um dos poucos grupos que aparece com três discos na famosa lista da The Source dos 100 melhores álbuns de rap da história (“People’s Instinctive Travels and the Paths of Rhythm” (90), “The Low End Theory” (91) e “Midnight Marauders” (93)).

04 – De La Soul – Ego Trippin’ (Part Two)

Assim como o ATCQ, o De La Soul também chegava ao seu terceiro álbum em 93, “Buhloone Mindstate”. As experimentações com o jazz ganham força neste disco, com a participação de veteranos do gênero como Maceo Parker, Fred Wesley e Pee Wee Ellis. Com produção majoritária de Prince Paul, “Ego Trippin’ (Part Two)” foi o single que chamou mais atenção no disco. Trata-se de uma paródia do Gangsta Rap, e apesar do título, não existe uma ‘Part One’. Na realidade é uma referência a “Ego Trippin’” do Ultramagnetic MC’s.

05 – KRS-One – Sound of Da Police

Com o fim do Boogie Down Productions, KRS-One lança seu primeiro disco solo, “Return of the Boom Bap”. Rap político, consciente e de protesto, vindo de um dos mais engajados MCs do Hip Hop. O álbum conta com diversas produções do DJ Premier e do próprio KRS-One, mas o hit “Sound of Da Police” foi feito pelo Showbiz do D.I.T.C.. O refrão é icônico: “Woop-woop, that’s the sound of da police / Woop-woop, that’s the sound of da beast”. Já apareceu na trilha de vários filmes e séries de TV.

06 – 2Pac – Keep Ya Head Up (Ft. Dave Hollister)

Após a estréia em 91 com “2Pacalypse Now”, que não mostrava todo o seu potencial (apesar da presença de “Brenda’s Got a Baby”), em 93 Tupac Shakur lança um grande álbum, “Strictly 4 My N.I.G.G.A.Z…”. Na temática é bem similar ao primeiro, com ênfase em sua visão social e política, mas na produção temos beats muito melhores. O sucesso comercial também foi superior, com os singles “Keep Ya Head Up” e “I Get Around” alcançando o status de platina duplo. “Keep Ya Head Up” é dedicada as mulheres negras, em especial Latasha Harlins, uma jovem assassinada durante o tumulto em Los Angeles ocorrido em 92 por conta dos protestos contra o covarde espancamento de Rodney King pela polícia.

07 – Cypress Hill – Insane in the Brain

Chegando com seu segundo disco, “Black Sunday”, Cypress Hill vende 3,4 milhões de cópias nos EUA, quase dobrando as vendas de seu debute em 91. “Insane in the Brain” foi o maior hit do disco, aparecendo tanto nas paradas de rap, quanto nas de rock! Detalhe que a faixa é uma diss para Chubb Rock, que, de acordo com B-Real, havia ridicularizado o estilo do Cypress Hill em seu álbum “I Gotta Get Mine Yo” lançado em 92.

08 – Black Moon – Who Got Da Props?

Grupo do Brooklyn formado por Buckshot, 5ft e DJ Evil Dee, e afiliado ao Boot Camp Clik (coletivo composto por Buckshot, Smif-N-Wessun, Heltah Skeltah e O.G.C.). “Enta da Stage” foi o primeiro álbum do Black Moon, e também seu trabalho mais lembrado e conceituado, hoje considerado um clássico do Hip Hop underground. “Who Got Da Props?” foi o primeiro single do disco, e é inteiramente performado por Buckshot.

09 – Lords of the Underground – Chief Rocka

Trio de New Jersey formado por DoItAll, Mr. Funke e DJ Lord Jazz. Surgiram em 93 com o disco “Here Come the Lords”, com produções de Marley Marl, K-Def e DJ Lord Jazz. O álbum fez sucesso e o single “Chief Rocka” foi o maior destaque. Sua linha “I live for the funk, I die for the funk” foi sampleada para o gancho de “Machine Gun Funk” do The Notorious B.I.G..

10 – Mac Mall – Ghetto Theme (Ft. Eboni Foster)

O californiano Mac Mall foi um dos responsáveis por colocar a região de Bay Area no mapa do Hip Hop nos anos 90. Amigo de 2Pac e Mac Dre (seu mentor) e primo do E-40 e do B-Legit, Mac Mall lançou em 93 seu primeiro disco, “Illegal Business?”, um clássico da Costa Oeste. A faixa “Ghetto  Theme” ganhou um videoclip no ano seguinte, com direção de 2Pac.

11 – Souls of Mischief – 93 ‘Til Infinity

Grupo californiano integrante do coletivo Hieroglyphics e composto por A-Plus, Opio, Phesto e Tajai. “93 ‘Til Infinity” foi o álbum de estréia, cujo single homônimo foi o primeiro a ser lançado. Chapado de rimas internas, flows diferenciados e batidas construídas com samples de jazz e funk, o disco é considerado um dos melhores da ‘Hiero Golden Age’, um período no início dos anos 90 quando outros membros do Hieroglyphics, como Del tha Funkee Homosapien e Casual, também lançaram álbuns aclamados.

12 – Freestyle Fellowship – Hot Potato

Lançando seu segundo disco, “Innercity Griots”, o quarteto californiano continuava afiado em 93. Quatro MCs habilidosos, cada um com seu estilo próprio, fizeram do Freestyle Fellowship um nome de peso do Hip Hop underground da Costa Oeste. A celebratória “Hot Potato” foi um dos destaques do álbum, e mostra bem a versatilidade do grupo. Numa época dominada pelo ‘hardcore boom bap’ da East Coast e pelo G-Funk da West Coast, eles utilizavam a via alternativa do Jazz Rap, podendo ser sombrio e alegre num mesmo disco sem perder a identidade.

13 – 8Ball & MJG – Armed Robery

Duo de Memphis, Tennessee, bons representantes do Hip Hop sulista. “Comin’ Out Hard” foi o álbum de estréia, e apresenta bem o estilo da dupla, com suas vozes marcantes. Memphis é a terra do Crunk (basicamente uma fusão de rap com miami bass), junção das palavras “crazy” (louco) e “drunk” (bêbado) de acordo com Lil Jon; e também do Trap, que se refere as “trap house’s”, casas abandonadas utilizadas por traficantes para misturar e vender drogas. 8Ball & MJG estão entre os pioneiros de ambos os estilos, ao lado de nomes como Three 6 Mafia e UGK.

14 – Digable Planets – Rebirth of Slick (Cool Like Dat)

Trio formado por dois homens (Butterfly e Doodlebug) e uma mulher (Ladybug Mecca). Cada um veio de um lugar (Seattle / Maryland / Philadelphia), mas após assinarem contrato com a Pendulum Records se mudaram para o Brooklyn, em Nova Iorque, resultando no debute “Reachin’ (A New Refutation of Time and Space)”. O single “Rebirth of Slick (Cool Like Dat)” foi o maior hit da carreira do grupo, conquistando certificado de ouro. Hip Hop alternativo / Jazz Rap da melhor qualidade.

15 – Onyx – Slam

Sticky Fingaz, Fredro Starr, Sonee Seeza e Big DS formavam o Onyx em 93, oriundos do Queens. O álbum de estreia, “Bacdafucup”, foi produzido por Jam Master Jay, o lendário DJ do Run-DMC assassinato em 2002. ‘Hardcore Hip Hop’ dos mais pesados, com cada MC possuindo uma persona mais homicida do que a outra, com letras ultra violentas e profanas. Sticky Fingaz se destaca, com seu flow único e agressivo. “Slam” foi o maior hit do disco, contendo um refrão memorável.

16 – Tha Alkaholiks – Make Room

Trio californiano composto pelos MCs Tash e J-Ro e pelo DJ e produtor E-Swift. Debutaram em 93 com o álbum “21 & Over”, apadrinhados pelo veterano King Tee. Músicas de festa com temas hedonistas e muito álcool, com batidas ‘boom bap’ que não lembram em nada o estilo West Coast. “Make Room” foi o primeiro single do disco, e uma boa introdução para o ‘fun rap’ do trio.

17 – Geto Boys – Six Feet Deep

O quarto álbum do Geto Boys, “Till Death Do Us Part”, trouxe Big Mike substituindo Willie D (que saiu do grupo em 92 para se dedicar a carreira solo) e se unindo a Scarface e Bushwick Bill. Foi um dos maiores sucessos da carreira do grupo, ganhando certificado de ouro. “Six Feet Deep” foi o grande hit-single do disco, e consta na lista da Complex como um dos 50 melhores raps de Houston.

18 – Spice 1 – The Murda Show (Ft. MC Eiht)

Spice 1 aparece em 93 com seu segundo álbum, “187 He Wrote”, considerado um dos mais influentes discos de Gangsta Rap e uma das grandes obras da West Coast. 2Pac, que era amigo de Spice 1, definiu como “o mais pesado álbum já gravado”. Com um time forte na produção, que incluía E-A-Ski, MC Eiht e Too $hort, entre outros, o disco foi um sucesso, chegando a conquistar o primeiro lugar no topo da Billboard R&B/Hip Hop.

19 – Masta Ace Incorporated – Jeep Ass Niguh

Grupo fundado pelo Masta Ace que incluía Eyceurokk (Eyce, Uneek e Rokkdiesel), Lord Digga, Paula Perry e a vocalista de R&B Leschea. Lançaram apenas dois álbuns, “SlaughtaHouse” em 93 e “Sittin’ on Chrome” em 95, ambos aclamados. Fusão de rimas no estilo NYC com instrumentais influenciados pelo G-Funk da Costa Oeste, embora as letras satirizassem a onda de violência propagada pelo rap californiano. O single “Jeep Ass Niguh” é inteiramente performado por Masta Ace.

20 – Del the Funky Homosapien – Wrong Place

Mudando a grafia “Del tha Funkee” para “Del the Funky”, o primo do Ice Cube chega com seu segundo álbum, “No Need for Alarm”, outro clássico da ‘Hiero Golden Age’. Mesmo sendo californiano e altamente influenciado pelo funk, não lembra a sonoridade da West Coast tão em voga na ocasião, se aproximando mais do ‘boom bap’ da East Coast. Apresenta rimas inteligentes e loucas, como podemos esperar do Del.

21 – Brand Nubian – Allah U Akbar

Com seu segundo álbum, “In God We Trust”, o grupo novaiorquino chegou desfalcado. Grand Puba e DJ Alamo saíram em 91, mas Sadat X e Lord Jamar chamaram o DJ Sincere e como um trio realizaram um bom trabalho. Não fez o mesmo sucesso do anterior, mas as críticas foram positivas. Conteúdo extremamente militante, aderindo a filosofia do Five-Percent Nation, organização islâmica criada por um ex-aluno do Malcolm X.

22 – Leaders of the New School – What’s Next?

O segundo e último disco do L.O.N.S., “T.I.M.E.”, não fez o mesmo barulho do debute em 91. Mas isto não significa que seja um álbum inferior. Trata-se de mais uma gema da velha escola do Hip Hop. Busta Rhymes segue destruindo nas rimas, três anos antes de lançar seu primeiro disco solo. O single “What’s Next?” traz versos dos quatro integrantes: Busta, Charlie Brown, Milo e Dinco D.

23 – Scarface – Let Me Roll (Ft. J. Prince)

Em seu segundo disco, “The World is Yours”, o texano Scarface atinge certificado de ouro e coloca “Let Me Roll” no Billboard Hot 100 de 93. Mesmo sendo Mafioso Rap até a medula, um diferencial em sua obra são os momentos em que ele demonstra consciência social, sendo profundo, positivo e introspectivo, contrastando com a persona homicida das faixas mais ‘gangsta’.

24 – Fat Joe Da Gangsta – Flow Joe

Quem conheceu Fat Joe nos anos 2000 com seus pop singles com cantoras famosas como J-Lo e Thalia, ou então em sua treta com 50 Cent, ficaria espantado ao descobrir que nos anos 90 o rapper do Bronx era um nome quente em Nova Iorque. Integrante do D.I.T.C. e fundador do Terror Squad, Fat Joe já trabalhou com os melhores do jogo, e sua importância no Hip Hop é inegável. Lançando seu primeiro álbum em 93, intitulado “Represent”, com o nome de Fat Joe Da Gangsta, ele emplacou o hit “Flow Joe”.

25 – The Coup – Dig It!

Mais de dez artistas já passaram pelo The Coup, grupo californiano que lançou o primeiro disco em 93, “Kill My Landlord”. Hip Hop político, militante e consciente, criticando o capitalismo, brutalidade policial, vício em drogas, etc. O líder do The Coup, Boots Riley, produz e canta em todas as faixas do disco, com o suporte de E-Roc e do DJ Pam the Funkstress. A faixa “Dig It!” é considerada por muitos críticos como a melhor do álbum.

26 – Too $hort – Money in the Ghetto

“Get in Where You Fit In” é o quinto álbum do veterano da Costa Oeste Too $hort. O disco foi um sucesso, atingindo ótimos resultados nas paradas e ganhando certificado de platina. Ritmos funky e rimas ‘pimp’ até dizer chega!

27 – Guru – Le Bien, Le Mal (Ft. MC Solaar)

Guru, do Gang Starr, lança seu primeiro álbum solo, o primeiro de uma série intitulada “Jazzmatazz”. Juntando um time pesado de músicos (Lonnie Liston Smith, Branford Marsalis, Ronny Jordan, Donald Byrd e Roy Ayers), o Jazz Rap atinge o seu ápice no quesito instrumental. A faixa “Le Bien, Le Mal” conta com a participação do mais importante rapper da França, MC Solaar.

28 – Intelligent Hoodlum – Grand Groove

“Tragedy: Saga of a Hoodlum” é o segundo disco do Intelligent Hoodlum, antes de mudar seu nome artístico para Tragedy Khadafi a partir do terceiro álbum. Mais hardcore do que em seu debute, Tragedy mostra que o rap consciente também pode ser duro e sujo. As músicas são ilustrações sombrias das ruas de Nova Iorque, com beats produzidos em sua maioria por K-Def, com a ajuda de Marley Marl em três delas. “Grand Groove” é uma das melhores faixas do disco.

29 – Da King & I – Flip Da Scrip

Duo novaiorquino formado por Izzy Ice e DJ Majesty. Lançaram apenas um disco, “Contemporary Jeep Music”, que sequer fez sucesso. Mas trata-se de uma pérola do ‘boom bap / jazz rap’ a ser resgatada, com ótimos beats e flows. “Flip Da Scrip” foi o primeiro single do álbum.

30 – King Tee – Got It Bad Y’all (Ft. Tha Alkaholiks)

O veterano de Compton chega ao seu terceiro disco, “Tha Triflin’ Album”. King Tee foi uma das grandes influências de The Notorious B.I.G., e é um rapper bastante subestimado. Mistura G-Funk com ‘boom bap’, numa mescla de West & East Coast. As letras não fogem do Gangsta Rap habitual, sendo vulgar, hedonista, misógino e violento, porém a técnica e a entrega de King Tee como MC fazem toda a diferença.

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