Relembrando a passagem de Snoop Dogg pela No Limit Records

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A relação das gravadoras com seus artistas dentro do Rap sempre renderam inúmeras histórias, positivas ou negativas, e que marcaram época. É inimaginável que um fã de Rap nunca tenha ouvido falar da Death Row Records e o seu time dos sonhos montado no meio dos anos noventa, assim como a Bad Boy. Mas há selos no cenário que apesar de legendários, passam despercebidos pelo público.

A No Limit Records é um desses selos. Uma das primeiras gravadoras a levar a grana do Rap para o sul do Estados Unidos foi fundada por Master P nos anos noventa, e alcançou o ápice de sua história no final da mesma década, com hits atrás de hits e uma grande contratação: Snoop Dogg.

Snoop Dogg teve uma década de noventa bastante movimentada. Seu primeiro disco, Doggystyle, foi aclamado criticamente pelo estilo difundido por Dr. Dre e sua trupe na Death Row, o g-funk. Porém um ano depois, em 1994, o rapper seria acusado de assassinato e iria a julgamento. Inocentado e seguro em sua casa com vinte pit bulls de guarda, The Doggfather foi lançado em 1996 sem o mesmo impacto do seu antecessor, mas manteve Snoop nas paradas. Uma das causas do pouco sucesso do projeto foi a ausência de Dr. Dre, que saiu da gravadora no mesmo ano por disputas contratuais.

O ano de 1996 traria muitas reviravoltas no cenário do Rap, e principalmente na gravadora Death Row. Tupac faleceria em Setembro daquele ano, e meses antes, Dr. Dre saía do selo sem levar nem mesmo o seu catálogo. The Chronic por exemplo, foi da gravadora até anos atrás. A treta entre Suge Knight e Dr. Dre impactou também o jovem Snoop, pupilo do produtor. Mas assim como o seu catálogo, Dre também não poderia levar seus artistas e foi assim que a dupla se separou por certo tempo.

134083_32170Em 1998 a gravadora californiana perderia Snoop, após uma grande troca de ofensas em músicas, entrevistas e releases para a imprensa. O rapper alegava falta de pagamento, e destacava o fato de que a sua vida corria perigo nas mão do selo. Em questões legais, ele alegou estar disponível para assinar com outra gravadora, já que teria ficado sete anos na Death Row– o Estado da Califórnia na época apenas permitia contratos pessoais de sete anos, porém, Snoop tinha um contrato de mais seis álbuns. Com Suge Knight na cadeia, a negociação para a liberação do artista se tornou mais fácil e em 4 de Agosto do mesmo ano ele lançaria o seu primeiro disco pela No Limit Records, Da Game Is To Be Sold, Not To Be Told.

Snoop se tornou o primeiro grande nome trazido pela gravadora de Nova Orleans. A No Limit se destacava por trabalhar muito bem seus artistas prata da casa, os colocando em ótimas posições no cenário. Foi assim durante anos com o próprio Master P, C-Murder, Soulja Slim e Silkk the Shocker. Snoop Doggy Dogg agora era apenas Snoop Dogg, devido a questões legais.

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Da Game Is To Be Sold, Not To Be Told foi um dos primeiros projetos da gravadora a ser lançado após o acordo da mesma com a Priority para a distribuição dos trabalhos. Um disco que tinha mais a cara da No Limit do que a cara de Snoop Dogg, e é considerado até hoje um dos piores discos da sua carreira. Em questões de vendas, o projeto foi muito bem, vendendo 520 mil cópias na primeira semana – em 2008 o álbum contabilizou 3,985,360 nos Estados Unidos. Seus dois singles, Woof e Still a G Thang atingiram boas posições nos charts. O rapper havia encarnado toda a roupagem da No Limit. As capas em pen & pixel, os encartes de segunda mão e os vídeos extravagantes – e confusos como o de Woof.

No Limit Top Dogg foi o segundo trabalho de Snoop pela gravadora de Master P, e um alívio para os fãs: era o melhor disco dele desde Doggystyle. Dr. Dre voltou a colaborar com ele, assim como outros artistas da Costa Oeste, provendo uma liberdade criativa mais visível por parte do rapper. O produtor está por trás de três músicas, entre elas a clássica Bitch Please I com Xzibit e Nate Dogg. Outro grande som do projeto é Down for My N’s, que chegou a ser interpolada em Blood on the Leaves, de Kanye West. A música também é um dos maiores sucessos do hoje encarcerado C-Murder.

O último disco de Snoop por lá não poderia ter um nome mais sugestivo: The Last Meal, lançado no dia 19 de Dezembro do ano de 2000 trazendo um distanciamento enorme dos dois projetos feitos na parceria com a No Limit. Trazendo o feeling westcoast por meio de inúmeras colaborações, o rapper antecipa aqui o seu maior período de sucesso.

MI0002177787Mas The Last Meal reascendeu a briga entre o rapper com sua antiga gravadora. No dia 1 de Dezembro, Suge Knight, vazou o projeto no site da Death Row Records, fazendo de todas as faixas disponíveis em mp3 junto ao disco Dead Man Walkin’, uma compilação feita pelo selo com faixas que ainda pertenciam a casa. O nome foi uma tirada ameaçadora ao rapper, o “homem morto que anda”. No site da gravadora, era possível escolher qual faixas eram melhores: as do disco oficial lançado pela No Limit ou as da coletânea.

The Last Meal se saiu bem criticamente e comercialmente, vendendo 397,238 cópias na primeira semana. Mas era o final da parceria com Master P, e Snoop sairia da gravadora pela porta da frente: assinaria com a distribuidora da mesma, a Priority, para o lançamento do disco Paid Tha Cost To Be Da Bo$$. Após esse disco, o rapper assinaria com a Geffen e a Star Trak de Pharell, formando uma carreira de sucesso com seus hits famosos na última década.

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