Review: Domo Genesis – Genesis

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Como dito na review da Pitchfork, “sempre foi difícil saber onde exatamente era o lugar de Domo Genesis na Odd Future. Earl era o jovem prodígio, Frank Ocean o gênio silencioso e Tyler o líder radical.” Apesar de algumas mixtapes já lançadas e um albúm em colaboração com MellowHype, Dom nunca havia chamado tanta atenção quanto seus colegas de banca, dando a impressão de que ele era só mais um no coletivo. Até então.

O albúm de estréia de Domo Genesis é o resultado de alguns anos de consistência e tempos em que ele esteve nas sombras dos outros membros da Odd Future. Agora que o grupo não está tão unido quanto antes, Frank Ocean sumiu, a amizade de Tyler e Earl já não continua mais a mesma, parece que Domonique sentiu que era a sua hora, como narra na faixa ‘My Own’: “fiquei no banco e vi os astros recuarem, agora estou atirando, estrela da liga (…).” Penso eu que essa faixa pode resumir o conceito do albúm, assim como seu nome – é a gênese, o nascimento de fato de um novo artista que se encontrou musicalmente e está com a vontade de se fazer ouvido.

Apesar de Domo Genesis fazer diversas referências a maconha durante o albúm (uma vez que uma das suas inspirações é Wiz Khalifa), seria injusto classificá-lo como um ‘stoner rapper.’ As temáticas trabalhadas em Genesis vão desde os conflitos internos, como na música ‘Questions’ até questões como a indústria e o fato de ter vivido na sombra dos outros membros da Odd Future durante todo esse tempo. A lírica do rapper não é aquela coisa incrível que vai deixar os fãs de barras boquiabertos e ele também não faz malabarismos técnicos com flows diferenciados, mas a forma como Domo escolheu rimar e soube usar sua capacidade casou muito bem com a produção com uma vibe soul, feita por Christian Rich, Sha Money XL, Sap, e Cam O’bi. O albúm está todo amarrado musicalmente e dá pra se imaginar viajando pra praia, naquele clima bem chillin’ enquanto o CD toca nos falantes.

Uma coisa que me chamou atenção em ‘Genesis’ foram as participações. Elas existem em oito das doze faixas do disco, porém todas elas foram muito bem escolhidas a meu ver. No clipe acima – o único lançado do albúm até então – temos o incrível Anderson .Paak participando de um som dançante (talvez o melhor do projeto) e não é só ele que chama atenção: JMSN está presente em um refrão muito bom, assim como Tay Walker em ‘Wanderer’, além de Mac Miller e Wiz Khalifa, esse colaborando com um verso na faixa ‘Go (Gas).’

O albúm de estréia de Domo Genesis não é aquela obra-prima, com força de se tornar um clássico instantâneo do RAP – e tenho certeza que a intenção dele não é ser visto como um rimador insano – no entanto, é um disco bem construído que consegue entregar a vibe suave e essa pra mim foi a proposta. Agora que a Odd Future não tem a mesma força de antes, Domo revela seu estilo e é alguém pra se manter os olhos.

Uma resposta para “Review: Domo Genesis – Genesis

  1. ”Dom nunca havia chamado tanta atenção quanto seus colegas de banca, dando a impressão de que ele era só mais um no coletivo.”
    Nada contra essa opinião, porém Domo tinha uns sons que chamavam a atenção antes de genesis. No álbum ”No Idols” além da música que acompanha o nome do título com feat de Tyler, the creator havia ”All alone”,”Fuck everybody else”. Antes desse álbum também tinha um som chamado ”Boss’ life”. A questão é que Domo era meio que não visto pois entre o lançamento desses sons e seus álbuns o Tyler e Earl arregaçam a mente dos jovens americanos com ”Wolf” e ”Doris”. Apesar disso, ótima matéria!

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