De coadjuvante para influenciador: uma rápida viagem pela carreira de Future

Future

Future em meados de 2010. Mesma lata.

Como muitos artistas vindos de Atlanta, as mixtapes independentes, foram um caminho de ouro para Future, hoje um dos maiores artistas do cenário. Seis anos antes de estourar com seu hit March Madness, ou fazer uma apresentação em um dos programas de mais audiência da televisão americana, o SNL, o rapper não era nada além de um coadjuvante.

Me lembro bem o meu primeiro contato com Future: foi na faixa Racks, do desconhecido YC (alguém sabe por onde ele anda?), que foi sucesso nos clubes norte-americanos e ajudou e muito a popularização dos rappers no ano de 2011. Future já tinha duas mixtapes até então, e um maior status, principalmente no cenário sulista, mais antenado ao trap que ele fazia. 1000 e Dirty Sprite foram os projetos que alavancaram seu nome, nelas é possível ouvi-lo rimando sem o seu habitual flow, e arriscando técnicas hoje frequentemente usadas – e não só por ele.

Future sempre foi um trabalhador nato, e a sua ética no trabalho é uma das coisas que os críticos mais admiram. De 2010 até Janeiro de 2012, foram cinco mixtapes, todas elas antes do seu primeiro disco, Pluto, lançado em Abril daquele ano e que daria início a uma espécie de dinastia do rapper no cenário.

Foi nessa época que ele emplacou Tony Montana, seu primeiro single solo de sucesso. Com nome sólido no circuito das mixtapes, o mainstream ainda não estava preparado para o rapper que convertia a sua voz em quase 100% de auto-tune – mesmo que este público havia feito T-Pain famoso anos antes e Kanye West um deus usando essa ferramenta. Future era bastante criticado – inclusive por esse que vos escreve – mas tinha um público fiel, um nicho, algo que mudaria em pouco tempo.

O ano de 2013 seria de poucos lançamentos para o rapper, que teria apenas duas mixtapes novas, sendo uma delas colaborativa com o seu selo, Freebandz. Mas o currículo de participações de Future cresceu, alcançando junto de outros artistas o Top 10 de músicas mais ouvidas nos Estados Unidos – no caso, Love Me, de Lil’ Wayne com Drake e ele. U.O.E.N.O., Bugatti e Tapout foram outros sucessos dele como artista convidado, respectivamente com Rocko, Ace Hood e a Rich Gang. E foi a partir daí que o cenário começou a entender Future, e ele passou a ser um dos rappers mais requisitados para colaborações. O mainstream se moldava aos poucos no que Future Hendrix fazia.

Com os singles solos também fazendo sucesso, com maior evidencia a polêmica Karate Chop, o seu segundo disco começava a ser desenvolvido. Honest seria lançado em Abril de 2014, e ganharia menções como um dos melhores projetos daquele ano. Seu colega de mixtapes, Mike WiLL Made It, assumiu a produção executiva do álbum e assinou as ótimas Move That Dope e Never Satisfied. O trabalho traria colaborações de Pusha T, Kanye West, Drake, Wiz Khalifa, Pharrell e até Andre 3000. Honest marcaria também como o projeto de debute do produtor Metro Boomin’, o qual Future é responsável direto pelo sucesso.

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Future com a mãe do seu filho, a cantora Ciara. O relacionamento dos dois foi pauta em algumas músicas do rapper.

A colmeia de Future estava formada. Os críticos entenderam o trabalho do rapper: entreter, principalmente, divertir o seu público. No fim de 2014, outra mixtape de sucesso: Monster era lançada, sendo a primeira das três mixtapes do rapper que são consideradas “pela mesma qualidade de álbuns”.

O rapper também teria o seu nome falado nos tabloides, graças ao seu relacionamento com a cantora Ciara. Em menos de um ano eles noivaram e tiveram um bebê. A mixtape Monster traz uma “belíssima” carta de amor para a cantora na música Throw Away:

[…] I came home last night to a menage

(Cheguei em casa ontem para um ménage)

Got my dick sucked I was thinking about you

(Tive meu p** chupado e tava pensando em você)

I was fucking on a slut and I was thinking about you

(Eu tava f*dendo uma p*ta e pensando em você)

When you’re fucking another nigga I hope you’re thinking about me […]

(Quando você estiver dando para outro mano eu espero que você pense em mim)”

 

Cruel. E de tabela, outro hit: F*ck Up Some Commas. A música iria sair também no seu terceiro disco, Dirty Sprite 2, uma sequencia direta da mixtape de 2011 e apenas um dos quatro trabalhos lançados por ele em seu melhor ano de carreira, 2015.

Em parceria com o lendário produtor de Atlanta, Zaytoven, Future lançaria a mixtape Beast Mode em Janeiro de 2015. O título da mixtape já havia virado uma expressão na internet, e o lançamento desse trabalho só o popularizou mais ainda. Em Março, o último lançamento da trilogia das mixtapes: 56 Nights, apresentada por DJ Esco, inspiração para o título, após ser sentenciado a 56 dias de prisão por posse de maconha em Dubai. A mixtape é toda produzida por membros do coletivo 808 Mafia, em sua maioria, por Southside.

56 Nights apresentou ao público o maior sucesso de Future até hoje: March Madness, uma faixa que reflete sobre diamantes até a brutalidade policial. A maturidade do rapper é um dos pontos altos desse trabalho, que prima novamente por uma grande produção.

Em Setembro, temos a coroação de Future como um dos artistas mais populares do mainstream. O rapper se juntou ao canadense Drake, que o acompanha em colaborações desde 2011, para o disco What a Time to Be Alive, que liderou os charts de todos os gêneros e vendeu meio milhão de cópias até agora.

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Future teve o apoio de Drake desde o lançamento de Tony Montana. Quatro anos depois, os rappers lançaram um projeto juntos.

Nem Drake e nem Future precisavam desse projeto para ajudar um ao outro, mas ao fazerem, mostraram como é o choque de dois dois maiores artistas do hip-hop mainstream hoje. WTTBA é claramente uma forma de vermos que o estilo do rapper de Atlanta é o que faz barulho hoje, sendo que é Drake quem se molda ao trabalho, e não Future.

Dirty Sprite 2 novamente colocou o nome de Future entre os projetos mais elogiados do ano. Mas a pergunta ao final daquele ano foi: o que esperar para 2016?

Em dois meses do novo ano, dois projetos. Em Janeiro, Purple Reign, uma mixtape surpresa que novamente é extremamente bem produzida, mas dessa vez, não é tão comercial. Já em Fevereiro, EVOL, quarto disco de Future e que já alcançou o topo da Billboard 200. Low Life com The Weeknd, é o single chefe do álbum.

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Desiigner confundiu muitos ao aparecer no disco de Kanye West. O rapper do Brooklyn é o primeiro rapper de Nova York a emplacar um som no nº 1 do Billboard Hot 100 desde 2009

Em 2016 um dos principais destaques que Future nos prove, é a participação predominante de Metro Boomin’ nas suas produções. O trabalho com Hendrix fez com que o jovem produtor conseguisse um lugar no disco The Life of Pablo, de Kanye West. Nesse mesmo álbum, somos apresentados ao jovem Desiigner, que ao aparecer na terceira faixa do trabalho, engana os ouvidos até dos ouvintes mais treinados, soando exatamente como Future em um sample do seu primeiro single, a música Panda.

Resolvi escrever esse texto e dar esse título, colocando Future como “influenciador”, após Panda alcançar o topo da Billboard Hot 100, um dos charts mais importantes da revista. É claro que aparecer no disco de Kanye ajudou o jovem Desiigner, que incrivelmente, é nativo do Brooklyn. Mas a influência de Future no trabalho dele é muito mais notável, levando os que eram mais céticos sobre o trabalho dele anos atrás a levarem um choque de realidade, já que Future agora é uma influência para os mais jovens, algo que não era imaginável anos atrás.

Desiigner tem 19 anos, e quando Future lançou sua primeira mixtape e teve o seu primeiro sucesso, ele tinha apenas 13/14 anos. O efeito que Future teve sobre o artista de Panda é notório, a começar pelo seu flow. Não podemos culpar o jovem por ser influenciado por Future, afinal, Future é grande, e vem sendo destaque no cenário mainstream há pelo menos quatro ano. A forma com que isso aconteceu, somado a forma que o mesmo cenário se voltou para o cara de Atlanta, me assustou, mas de maneira positiva. Poucos tem o poder de sacudir as estruturas de um jogo tão complexo – e graças aos fãs que gostam de reclamar, muito chato às vezes.

Ruim ou não, Future é uma realidade de sucesso no hip-hop. E goste você ou não, daqui a alguns anos teremos mais Desiigners, mais Futures.

3 Respostas para “De coadjuvante para influenciador: uma rápida viagem pela carreira de Future

  1. Esse post chegou que nem água pra sede haha Tô curtindo o Future há uns meses e o cara é pika. Faltou falar que ele e o Drake são, segundo a GQ (revista de moda masculina), os dois homens mais estilosos do planeta.

  2. Antes eu nem queria saber sobre o Future, mas dei uma chance a ele pelo trabalho com o mano Drake e confesso que me surpreendi. Até agr to curtindo bastante os sons atuais dele e pretendo ouvir os mais antigos tbm.

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