Top 10 dos Autores: Joe Sujera

Chegou a minha vez no top 10 Raplogia. Confesso, não estava ansioso. Talvez até com um pouco de medo de ter que selecionar meus 10 projetos favoritos.

10 é um número pequeno. Muito pequeno. Pensando nisso, resolvi escolher sem pensar em nenhum quesito técnico dos usados para “avaliar e classificar” músicas. O pensamento foi: Quais discos mudaram a minha vida? Dito isso, segue a lista:

 

eminemshow

The Eminem Show

Eu sou novo, comecei a ouvir Rap nos anos 2000. Como qualquer pessoa que ouviu Rap nessa época, eu fiquei impressionado com as músicas do Eminem. Não foi só meu primeiro disco de Rap, foi o primeiro disco que fez eu pirar, querer saber do que ele estava falando e como ele estava falando. Pesquisar letras, decorar músicas, imitar em frente ao espelho. O amor pelo Rap começou com esse disco. Quem nunca imitou a dancinha do Bin Laden no clipe de Whitout Me, cantando “Nanananana”, que atire a primeira pedra. Esse disco nos traz sorrisos, lágrimas e ódio de forma tensa e divertida sem perder a identidade ou confundir ouvintes com mudanças bruscas de tema e sonoridade. Demorei anos pra entender todas as camadas desse disco e, até hoje, cada vez que eu ouço eu descubro algo novo a respeito da obra.

 

nonducor

Non Ducor Duco

Ok, Eminem fez com que eu me apaixonasse pelo Rap, mas Kamau fez com que eu decidisse fazer Rap. Até ouvir Non Ducor Duco eu não me sentia parte do movimento. Eu era moleque, branco e de classe media. Não fazia sentido. Esse disco fez com que eu abrisse meus olhos e minha cabeça pras possibilidades que o Rap guardava. Era música, antes de tudo. A forma como Kamau tratou conflitos internos e temas emocionais do cotidiano mexeram comigo de cara.

“Rodrigo, que música é essa que você fica assobiando?” Minha mãe não conhecia o final da “Equilíbrio”, a linha de baixo de “Sabadão”, ou o refrão de “Vida”, mas são sons que até hoje mexem comigo de uma forma que nenhum outro é capaz. O artista que faz você sentir o que ele sente, ou te coloca em um rolê com ele através da música sempre vai se diferenciar dos outros.

O disco inteiro é incrível. Mas, pra mim, o que fez mais diferença foi que ele me mostrou um universe dentro do Rap Nacional que eu antes desconhecia. Dele, parti pra Simples, Consequência, Dominantes, Parteum, etc. Ou seja, boa parte das referências Nacionais chegaram até mim graças a esse disco.

 

blackalbum

Black Album

Reasonable Doubt é, sem dúvida, o melhor disco do Jay-Z graças ao contexto. Mas o Black Album é o classico. É a obra prima. Eu lembro quando ouvi o disco e na sequência assisti o Fade to Black. Pronto. Aquela emoção que eu senti ao ouvir o disco foi amplificada milhares de vezes.

A história de vida de um dos maiores artistas da história, Kanye West já se destacando no mundo da produção, a histórica session do Jay escolhendo os beats do Timbaland, Pharrell, Rick Rubin, etc.

Hov estava se despedindo do Jogo. O momento era emocionante, as produções eram emocionantes. O clima inteiro do disco era o de “Eu consegui. Quero ver alguém me alcançar”. Poucos discos me arrepiaram do começo ao fim todas as vezes que eu ouvi. Esse foi um desses.

 

lovestory

Love Story

Esse disco mudou a minha vida. Não conheço alguém que goste mais de Yelawolf do que eu. Talvez eu goste demais, talvez eu conheça poucas pessoas, mas é um fato. Talvez, por isso, o disco soe melhor para mim. Esse quarto lugar é cheio de “talvezes” mas a única certeza que eu tenho é a de que eu nunca vi (ouvi) alguém misturar Rap e Rock tão bem quanto o Yela.

Depois de lançar um disco claramente moldado pela gravadora e deixar no retrovisor a pegada um pouco mais dançante e divertida dos Trunk Muzik’s, Yela, aparentemente, teve 100% de liberdade pra fazer o que queria fazer com a sua música nesse projeto.

Qual disco da sua estante (biblioteca do Itunes) te faz cantar em voz alta na rua tocando a bateria nos versos e a guitarra nos refrões? Pois é, poucos, imagino eu. Não importa de que forma, se se emocionando em “Have a Great Flight”, quebrando cadeiras no final de “Empty Bottles” ou querendo dominar o mundo com “Till It’s Gone” de trilha, mas o CD te envolve de alguma forma.

A beleza se esconde na densidade, variedade e combinação dos ritmos, não em algum tipo de rótulo. Não é um disco de rap, é uma mistura de uma dúzia de inflluências do Yela extremamente bem harmonizadas e fazendo sentido dentro do álbum. A crítica disse que o disco era longo, eu achei curto. Podia ser um duplo com 30 faixas, foda-se.

 

soweatethemwhole

So We Ate Them Whole…

Espero que o Jam Baxter nunca veja e traduza esse post pois eu estou prestes a xinga-lo. Que tipo de filho da puta escreve dessa forma?

Não foi normal, a primeira vez que eu ouvi o disco eu fiquei com uma sensação estranha, pesada. Parecia que alguém, por pura maldade, tinha escurecido um pouco o mundo ao meu redor, abafado um pouco a vida. Ouvi de novo, dessa vez acompanhando as letras, e tudo fez sentido.

Enquanto estávamos aqui, comendo arroz feijão e farofa, do outro lado do Oceano Atlântico, Jam Baxter criou um mundo novo e perturbador dentro de sua cabeça, e, em seguida, transferiu esse mundo para um disco. Ele e Chemo (produtor) criaram histórias e cenários de dar calafrios em qualquer marmanjo.

Eu prometi pra mim mesmo que não ia citar termos técnicos nessa lista, mas não posso deixar de falar da habilidade desse mano de contar histórias e de criar métricas malucas. O tom experimental dos beats, com o sotaque britânico das vozes só deixa tudo mais sombrio e muito mais interessante.

Recomendo fortemente que não se ouça esse disco com alguma depressão recente na cabeça.

 

oxymoron

Oxymoron

Até fevereiro de 2014 eu sofria de uma doença que afeta muitos fãs de Rap no mundo. A “Eu não curto essas paradas modernas, isso não é Rap.” Mas a cura veio graças ao Doutor Schoolboy Q. Dessa vez, quando eu digo que o disco abriu a minha cabeça, foi com um machado. E, depois disso, com alguém enfiando o disco no meio do cérebro, paralelo aos meus ombros. Essa é a imagem perfeita.

Comecei desconfiado, ouvindo Break The Bank. Era um beat do Alchemist, achei que seria mais fácil digerir. Depois dessa foi só o disco no repeat até hoje. Schoolboy criou o estilo que eu gosto de chamar de “Trap de Sarjeta”. Ele pega beats que o Travis Scott usaria para sex songs e fala sobre vender crack e matar famílias. Essa mistura de violência, sujeira nas mixagens, temas polêmicos, gritos e refrões pegajosos criou uma identidade única pra ele. Ninguém faz o som que o Q faz, se alguém faz, eu não conheço, me apresente.

Eu acho que terei 50 anos e romperei um ligamento do joelho pulando quando entrar o beat de “Gangsta”. Se não for pra ser assim eu nem quero quebrar o joelho.

 

toxicity

Toxicity

Me perdoem fãs e colaboradores do RAPlogia. Mas minha paixão musical começou pelo Rock, e, ganhou força depois de System Of a Down.

Alternative metal, trash metal, hardcore, nu metal, heavy metal, não sei e tanto faz. Eu classifico como: vários sons com os melhores vocais, as melhores melodias, as melhores batidas e as melhores construções musicais.

Músicas com histórias, humores diferentes bem combinados, gritos na hora certa, melodias na hora certa, muita ideia em cada letra. Não tem muito o que falar. É um disco lindo, perigosamente lindo, daqueles que fazem a gente se sentir imortal durante 45 minutos.

Reza a lenda que a banda gravou mais de 30 músicas pra esse disco, e no final ficou só com as 14 que todos nós (SIM, TODOS NÓS!) amamos. O que é uma pena, 40 músicas seria o ideal para esse disco, penso eu.

Voltemos ao rap.

 

below

 

Below The Heavens

Nome perfeito para um disco considerado um “Underground Classic”. O melhor exemplo de uma boa divisão de funções: Quem sabe fazer beats? Exile. Quem sabe fazer rimas? Blu. OK, juntem-se. É simplesmente um dos melhores discos que eu já ouvi (óbvio, esse é o intuito dessa lista). Formato clássico, sem novidades, o que só valoriza mais o destaque que ele ganhou. O rap desse disco é o mesmo que vinha sendo feito há 20 anos. E mesmo assim, os dois surpreenderam.

Sempre fui fã de duos no rap: Jaylib, Method Man & Redman, Clipse, e por aí vai, mas o charme e o peso que esses dois colocaram nesse backpack rap foi demais. Eu sempre imagino o Q-Tip ouvindo esse disco e pensando “Damn, son!”. É uma delícia de ouvir.

Eu, pelo menos, já dediquei “No Greater Love” pra alguém, essa alguém me jogou pra “Cold Hearted” e eu me recuperei em “Juicen’ Dranks”. Pura terapia.

 

muddywaters

Muddy Waters

A voz mais maldosa do Rap, a participação que sempre vai roubar a cena, o mais malandro da cena. Foi essa a minha impressão ao conhecer a carreira solo de Funk Doctor Spock.

Um dia, estava eu no MaryPop em São Paulo e o mestre, DJ King, soltou “Da Bump” no rolê. Nesse dia o Shazam conquistou meu coração. Cheguei em casa, bêbado, as 5h da manhã e antes de procurar a pizza de ontem no fundo da geladeira, procurei o CD do Redman que tinha essa faixa. Encontrei o Muddy Waters.

23 faixas do Boom Bap mais sujo e envolvente que eu podia imaginar. Perdi a conta de quantos “OH SHIT!” eu soltei a primeira vez que ouvi isso. Apesar do peso, do nível de “Rua” que esse disco tem, é divertido demais ouvir Redman, o swing que ele tem na voz sozinho já transforma qualquer som. Eu sempre digo, Redman a capella da pra tocar no rolê que todo mundo vai dançar.

 

blakroc

Blakroc

Temos muito que agradecer por, um dia, Damon Dash ter ouvido Black Keys. O cara se apaixonou pelo som, marcou uma reunião com a banda e 11 semanas depois, BlakRoc chegava pro mundo.

Eu demorei pra ouvir isso, meus amigos me mostraram ano passado. Foi amor a primeira ouvida. A graça de ouvir esse álbum é a surpresa em cada track. Você realmente não tem como saber o que virá a seguir. Uma faixa com o Mos Def em que ele se destaca cantando ou Ludacris colocando flow de Dirty South num rockzinho delicioso, nunca se sabe. Tudo foi muito bem trabalhado. Até o que em teoria nunca daria certo, eles fizeram dar.

Não tenho muito o que dizer sobre esse álbum, então, deixo um conselho aos rapazes: conheça uma garota que goste de Rock, mostre o disco pra ela e escutem juntos. Sua vida não será mais a mesma

 

Menção Honrosa:

The Ozzman Cometh – Ozzy Osborne: Uma das melhores coletâneas.

Champion Sound – Jaylib: Uma das melhores duplas.

The Blackout – Method Man and Redman: Uma das melhores duplas.

RÁ – Ogi: Um dos melhores discos nacionais.

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