Raplogia Entrevista: Tatiana Bispo

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O Raplogia está sempre em busca de vozes femininas fortes para se trocar uma ideia, sendo que nesses últimos tempos tivemos a honra de entrevistar nomes importantes do cenário, como por exemplo, Preta Rara, Issa Paz, Lurdez da Luz, Yzalú e Nitty Scott MC. Dessa vez temos mais uma bela voz para apresentar aos nossos leitores, estamos falando da artista de R&B, Tatiana Bispo.
As influências musicais de Tati são de nomes fortes, como por exemplo, Erykah Badu, Goapele, Marisa Monte, Janet Jackson, Djavan, Brandy, Cartola, SWV, The Internet, Kelela e Vanessa da Mata. A caminhada da artista já é de longa data, sendo que começou a cantar ainda pequena. O início profissional se deu como backing vocal de Mara Nascimento, artista da qual teve grandes aprendizados. Com o tempo Tati foi diversificando seu repertório, transitando do samba rock à MPB, chegando a participar de trabalhos com Raciocínio Negro, grupo de rap da Zona Leste de São Paulo, além de outros nomes do rap nacional.
Atualmente a artista trabalha mais com o R&B/Neo Soul e logo teremos o prazer de escutar seu EP que está previsto pra ser lançado em 2017. No dia 7 de julho saiu o clipe ‘Eu preciso ir’, que contou com a produção de Filiph Neo. A música fala sobre alguém que acaba de sair de um relacionamento frustrado e busca novos rumos para si, sendo que o clipe do som contou com o diretor Thiago Santino. A ideia é que seja lançado mais duas músicas ao longo do ano. Enfim, vamos a troca de ideias com a Tatiana Bispo!

1. Quem acompanha seu trabalho sabe da forte ligação que tem com seu pai, sendo que ele também é músico. Foi através dele que surgiu sua paixão pela música?
Sim. Indiretamente eu convivia nesse mundo. Eu sempre estava em ensaios, gravações, escutava o que ele gostava de escutar, a maioria das conversas tinha relação com a música. Logo foi se tornando meu mundo também.

2. Após uma caminhada de respeito e ter feito parcerias com nomes importantes, tudo se encaminha para o lançamento de seu projeto solo. Você sente que está no momento perfeito pra lançar seu EP? Já tem uma data certa em mente para o lançamento?
Eu já sinto a necessidade de lançar um EP para ter um trabalho compactado a ser apresentado, mas ainda estou estudando qual a melhor forma de fazer isso. Quais músicas vão entrar entre as mais antigas e novas que estão p/ chegar.
Não existe uma data para o lançamento, mas é provável que somente no ano que vem.

3. Você já escolheu um nome para o projeto? Poderia adiantar para nós como anda o processo de construção do EP? Quem será o produtor? Haverá participações?
Tudo ainda em fase de estudos. Rs.

4. Seu processo de escrita envolve mais inspiração ou transpiração?
Inspiração. Mas ainda uma coisa muito particular. Existem pessoas que escrevem algo inspirados em histórias que escutaram. Minhas inspirações ainda são minhas próprias experiências.

5. Certa vez você mencionou que o produtor Filiph Neo causou uma reviravolta no seu trabalho, poderia explicar melhor a importância desse nome?
O Filiph sendo cantor também, conseguiu somar nas ideias de melodias e harmonias, além de produzir os beats. Isso era uma coisa inédita p/ mim que só havia trabalhado com beatmakers que normalmente produzem mais p/ rappers.
As músicas ficaram mais ricas nesses detalhes e eu me senti mais à vontade com o meu próprio trabalho. Finalmente era algo que tinha minha cara.

6. Você trabalha bem com faixas que exploram a vertente do romantismo. Há algum nome em especial da música, literatura ou poesia que te influenciou a trabalhar com essa temática?
Eu amo Djavan. Amo o estilo das composições dele. Com certeza é uma pessoa que me inspira. Temos também grandes poetas no samba de raiz que é muito presente na minha casa; Cartola, Nelson Cavaquinho, Arlindo Cruz são alguns exemplos. Eles fazem músicas incríveis.

7. Sua parceria com a Alt Niss na faixa ‘Asas’ chamou bastante atenção, sendo que cada uma forneceu um tom diferente de voz e a combinação que se sucedeu foi bem agradável de se escutar. Vocês pensam em retomar essa combinação? Talvez até mesmo fazer um projeto (Ep ou álbum) inteiramente juntas, será que pode acontecer um dia?
A Altniss além de ser uma cantora que eu admiro, é uma grande amiga, então os trabalhos e ideias fluem com mais facilidade. A música Asas é uma das minhas preferidas, tenho um carinho imenso por ela e com certeza quero repetir a parceria em outra música. Nunca pensamos em um EP, mas é uma boa ideia. hahaha

8. Como você enxerga o espaço fornecido pela mídia aos artistas de neo soul/ R&B?
Ainda é muito confuso. O R&B anda de mãos dadas com o Rap/HIP HOP, então é muito comum as pessoas se confundirem com esses gêneros. Já fui chamada de rapper várias vezes. As pessoas elogiam minhas “rimas”. Rs
Acredito que outros cantores de R&B também tenham esse espaço na mídia de forma confusa. Acho importante sempre estarmos explicando que embora exista uma relação forte, existe também uma diferença e então termos a exposição da forma correta.

9. Numa sociedade altamente racista, você contou com o apoio de alguém em relação ao ato de empoderar-se e também ao enfrentamento do preconceito racial?
Com as minhas manas do Rimas & Melodias falamos bastante sobre esses temas. Rola muito uma troca de ideias, informações, experiências e consequentemente um apoio mútuo.

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10. Em sua caminhada no universo musical já chegou a sofrer algum ataque machista? E se a resposta for positiva, como lidou com a situação?
Já fui questionada se realmente estava em cima de um palco pela minha voz porque eu estava usando mini-saia. Eu me impus no palco. Mostrei que eu estava ali p/ cantar. Não teve muita conversa depois. Fechei a cara. Não fico horas me dedicando a ensaios e estudos p/ ser julgada pela roupa que quero usar. Essa apresentação foi gravada e praticamente não dá p/ ver meu rosto. O câmera só gravou minhas pernas.

11. Rimas & Melodias é certamente um dos projetos que tem chamado bastante atenção nesses últimos anos. Como é participar dele e qual a importância de um projeto desse tipo?
Somos 7 mulheres que têm muito a dizer não só sobre preconceito, machismo, racismo, mas também sobre o amor, o desamor, temas do dia a dia.
Quando tive a ideia de fazer esse projeto, não imaginei o impacto que teve. Muitas mulheres se inspiram de alguma maneira com esse coletivo e tem muitos homens curtindo, respeitando e entendendo.
Para mim, estar ao lado de mulheres tão talentosas e guerreiras é inspirador. Tenho orgulho de fazer parte disso.

12. Perto de finalizar a entrevista, o pessoal do site também é muito fã de cinema, desse modo, poderia por gentileza citar alguns de seus filmes favoritos?
Tati: Mudança de Hábito 2 – Esse é antigo e chega até a ser bobinho, mas não teve como assistir Lauryn Hill no dilema “cantar ou não cantar” e não me emocionar. Esse filme é classificado como comédia, mas eu choro fácil assistindo até hoje. Hahahahaha
Love & Basketball – Romance com dilemas profissionais. Tatiana chorando mais uma vez Rs.
Brown Sugar – O amor pelo Hip-Hop. O começo do filme já é p/ aplaudir.
Cadillac Records – Adoro filmes biográficos. E p/ mim foi a melhor atuação da Beyonce.
Falando de Amor e For Colored Girls – Toda mulher, em especial, têm que assistir esses.

13. Tati, o Raplogia agradece a troca de ideias realizada, foi certamente uma honra para nós. Caso queira deixar uma palavrinha final, sinta-se à vontade.
Agradeço o Raplogia pela troca de ideia. Estou muito feliz que meu trabalho possa ser exposto por esse importante veiculo. =)

 

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