Top 10 dos Autores: Joe

Como fundador do site, já fiz listas parecidas ao longo de cinco anos de Raplogia e também em outros projetos. É complicado escolher apenas dez discos, sendo que eu tenho afeição por inúmeros trabalhos, o que me fez ficar com o coração bem apertado ao deixar alguns fora da lista. Talvez um dia teremos que aumentar as nossas escolhas para um Top 50.

10. Kanye West — My Beautiful Dark Twisted Fantasy

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Mr. West demorou a ter um impacto maior em mim, mas em 2010 eu entendi a importância dele para a nossa cultura. Eu já gostava bastante dos seus discos anteriores, com destaque para o seu debute The College Dropout, mas as escolhas musicais da carreira de Yeezy ainda me deixavam bastante curioso. O Rap mudava na época, 2010 foi um ano importante para a sonoridade que ouvimos hoje em boa parte dos artistas do mainstream, e My Beautiful Dark Twisted Fantasy foi uma das razões.

MBDTF é feito de detalhes, que quando você percebe, a sua mente se abre. Um dos maiores discos da década passada, ele foi o primeiro a fazer com que eu fosse fundo na pesquisa de produtores, samples, e todos os termos técnicos. A musicalidade é incrível, e até hoje, toda semana, eu preciso ouvir nem que seja uma só música desse disco. Ele foi importante para eu entender a dimensão de um dos maiores artistas desse século, e também serviu para eu ver aonde o Rap pode chegar.

9. Mac Miller – K.I.D.S.

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Eu tinha uns 16 anos quando o Mac Miller lançou essa mixtape, o primeiro contato que tive com ela foi com um dos singles, Nikes of My Feet, que utiliza sample do remix de Q-Tip do clássico som The World Is Yours de Nas. Miller veio de uma bela safra de artistas de Pittsburgh, e junto a Wiz Khalifa, era o front da Rostrum Records. K.I.D.S. é a sua terceira mixtape com a alcunha de Mac Miller, e que me encantou pela mistura do boombap com a mente de um jovem que tinha um pouco mais que a minha idade, que buscou um trabalho original e que eu me associei bastante. Acredito que com o Raplogia, fomos o primeiro site a cobrir trabalhos do rapper no país – eu tinha até uma comunidade do cara. K.I.D.S. é saudosismo misturado com originalidade.

8. Evidence – Cats & Dogs

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Evidence é uma lenda do hip-hop. Trabalhou com grandes, peitou outros, manteve uma sólida carreira independente e é uma referência solo ou com o grupo Dilated Peoples. Cats & Dogs de 2011, supriu todas as minhas expectativas referentes ao trampo que deu sequência ao The Weatherman LP, de 2007. O disco é especial para mim por diversos motivos, eles vão além da musicalidade intensa. Em 2011, fiz a primeira entrevista do Raplogia com ninguém menos do que o próprio Evidence. Suas respostas me fizeram ficar extremamente ansioso para o trabalho, algo que na verdade já estava acontecendo. Foi muito bacana poder ter a chance de falar com o rapper, e ajudar na cobertura desse baita trabalho no país.

7. Ogi – Crônicas da Cidade Cinza

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Eu fiquei em dúvida em qual trabalho do Rodrigo Ogi coloca no meu Top 10, afinal, tanto Crônicas da Cidade Cinza quanto o recente RÁ! Fizeram parte da minha vida e têm algum significado importante. Conheci o trabalho através de Premonição, que havia sido lançado como single e ganhou um vídeo. O trabalho de Ogi era familiar graças aos corres no Contra-Fluxo, mas a carreira solo do MC me ajudou muito a entender de uma realidade que eu não conhecia – e ainda não conheço -, a da cidade de São Paulo e o seu cotidiano. Para mim, esse é um dos trabalhos mais importantes dos últimos dez anos do Rap nacional e tem lugar cativo nos meus fones.

6. Kamau – Sinopse

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Eu poderia colocar Non Ducor Duco, mas o disco não ficou tanto no meu repeat como a mixtape Sinopse, de 2005. Segundo o meu Last.FM, é o terceiro trabalho que mais ouvi em todos os tempos. Kamau cativa a todos aqui com rimas incríveis em faixas que em sua maioria são rápidas, fazendo com que a experiência de ouvir a Sinopse seja algo muito agradável e que você pode fazer o dia inteiro. É difícil escolher uma música favorita, prefiro apreciar o conjunto da obra e colocá-lo no meu Top 10 de trabalhos favoritos.

5. Jay Z – The Black Album

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Sou fã de Nas e defensor ferrenho da sua vitória na infama briga que os dois artistas tiveram por anos, mas não posso de maneira nenhuma tirar o mérito da carreira de Jay Z, um dos maiores rappers da história. Gosto muito dos seus primeiros trabalhos, mas The Black Album tem um efeito incrível em mim, me fazendo dar play para ouvir uma só música e acabar ouvindo o projeto inteiro. Eu acho um trampo muito pessoal do Jay, onde ele expõe muitas das suas inseguranças e muito da sua história, fazendo com que o ouvinte se relacione muito mais com a persona de Shawn e não apenas o megarapper. A produção desse disco é uma das mais belas que já ouvi dentro do Rap, e sendo o “último disco de Jigga”, é muito entendível o trabalho minucioso feito nele.

4. Kanye West – The College Dropout

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Quando o ego do Sr. West- Kardashian era menor eu o via como uma pessoa normal que estava em uma indústria gigante, mas os tempos foram se passando e vemos que Kanye é um cara muito excêntrico. The College Dropout entra no meu Top 10 graças a sua simplicidade dos temas, e complexidade na produção que bebe muito do soul e do hip-hop dos anos noventa, algo que sou bastante entusiasta. É um disco longo, mas que ouço inteiro sem nenhum problema. I miss the old Kanye.

3. Wu-Tang – Enter the Wu-Tang (36 Chambers)

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Call me an old head, mas esse disco é um dos pedaços de arte mais brutos do hip-hop. Para mim, Enter the Wu-Tang é cinematográfico. Ao entrar na atmosfera dos caras de State Island, é possível visualizar suas rimas como um filme, e dado ao fato de tantas referências da sétima arte, é possível também listá-las e assisti-las. O trabalho do Wu é bastante rico em detalhes, e a cada ouvida, eu descubro coisa nova.

2. Notorious B.I.G. – Ready to Die

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O primeiro álbum de Biggie foi um dos primeiros discos que eu parei e tirei dias para estudar. Foi quase uma semana ouvindo Ready To Die e muitas descobertas. Esse é um molde de disco de Rap perfeito, atinge as ruas e as rádios de maneira igual, e é dessa forma que eu comecei a medir alguns parâmetros em minhas resenhas. Biggie é um dos maiores, e Ready To Die um dos melhores.

1. Nas – Illmatic

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Quem me conhece não leva a primeira posição como surpresa. Eu me amarro no Illmatic – tenho até em vinil -, e Nas é o meu rapper favorito. Gosto de rappers com narrativas profundas e com visão que vai além de si próprio, e esse é um disco que mostra essas técnicas. Não ouvimos apenas as histórias de Nasir em Illmatic, mas de uma quebrada inteira. É como se o Queens fosse coadjuvante no disco – e de certa forma é. O disco me marcou por tê-lo ouvido no começo do meu envolvimento pesado com o Rap, conhecer essa obra-prima foi uma das melhores coisas que poderiam acontecer.

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