‘Eu Tava Lá’ e a luta contra a invisibilidade feminina

liviacruz

Lívia Cruz acaba de lançar ‘Eu Tava Lá’, que funciona não apenas como uma espécie de resgate de toda sua história dentro do hip-hop, mas também fala sobre a opressão que as mulheres sofrem e também sobre a invisibilidade que tem sido uma constante na sociedade patriarcal. Infelizmente as mudanças em relação a esse silenciamento que acontece vem evoluindo de forma muito lenta, sem contar que alguns mc’s não fazem a menor questão de desconstruir suas atitudes machistas. É claro que isso não se restringe só aos mc’s, mas até mesmo nós enquanto mídias do rap precisamos melhorar muito mais quando o assunto se trata de fornecer mais espaço para as mulheres. Reconhecer esse fato é mais que necessário, para que possamos finalmente evoluir. Aliás, é interessante que no som a Lívia faz uma homenagem ao Bocada Forte, mídia de grande referência que sempre se preocupou em fornecer espaço para mc’s femininas.
E as homenagens se expandem para muitas mulheres do rap, que tiveram que enfrentar muito boicote por conta do machismo. Aliás, a pouco tempo a rapper Issa Paz já havia falado sobre esse boicote sofrido numa entrevista que nos concedeu: “Ocorre de forma constante porque faz parte de um silenciamento que a sociedade reproduz com frequência. Ou seja, mulher tem nada de interessante pra falar, tem que ficar quietinha e não atrapalhar o movimento “dos caras”. Isso eu só percebi depois que conheci outras minas da cena, e vi que a parada era generalizada mesmo, e não só no RAP, mas no Hip Hop. As mulheres viraram um souvenir dentro do movimento, fomos segmentadas, fomos tiradas de várias maneiras e só sobrava o mês de março pra gente fazer show. Ainda bem que isso tá mudando, mas se a gente não apontar os erros e denunciar, essas merdas nunca vão parar. A melhor forma de não se deixar abater é bater de frente.”
Mesmo com tantos sons críticos a respeito do machismo, letras misóginas ainda são lançadas frequentemente por muitos mc’s. Alguns dirão que o som de Lívia é uma diss, que rap é competição mesmo, que o som é um soco no queixo de tal mc e grupo, mas no fundo não enxergam o erro que estão cometendo ao adotar uma perspectiva tão unidimensional. ‘Eu Tava Lá’ é, acima de tudo, um manifesto contra a invisibilidade, a opressão e o silenciamento sofrido pelas mulheres. “Isso não é uma diss. É o meu direito de resposta.” Interpretação de texto é tudo, pois o buraco é bem mais embaixo e a problemática deve ser vista de forma ampla, consequentemente a evolução terá muito mais chance de ser alcançada.
Não podíamos deixar de falar também sobre o impacto da música, que mesmo tendo acabado de sair, já está provocando grande barulho. Abaixo segue alguns elogios que o som ganhou:

Nathy MC
Respeita o pai,
Mas não esquece que suas tia tava la
Carai.
Brigada Lívia Cruz ❤ #noixtavala

Aori
pesadíssimo esse relato da Lívia Cruz …. talento puro vocabulário alto nível… melodia.
repito mais uma vez : Talento !!!
BRUTAL !!!!

Sara Donato
Pega visão!!!
ok ok respeita o pai
Mas não esquece que suas tia tão aqui carai!!!
Isso não é diss, é direito de resposta, na voz Lívia Cruz
é poucas, nois tava lá e não te viu lá!!!

Barbara Bivolt
Obrigada Lívia!

Uma resposta para “‘Eu Tava Lá’ e a luta contra a invisibilidade feminina

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