Review: De La Soul – …And the Anonymous Nobody

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Um ano após juntar mais de 600 mil dólares em uma campanha no Kickstarter, o De La Soul lançou o seu nono disco, …And the Anonymous Nobody, como resultado do financiamento coletivo. Um tremendo presente para os fãs do grupo que não viam um novo álbum desde 2004, quando Dave, Posdnuos e DJ Maseo lançaram The Grind Date.

O grupo vem travando uma batalha judicial para possibilitar a distribuição digital do seu catálogo iniciado em 1989, e em meio a tudo isso, o novo disco vem com uma grande sensação de que eles estão prontos para encarar a nova era da música. O projeto não chega a ser inovador, mas não soa datado de nenhuma forma. O De La não perde a sua essência musical ou lírica em um trabalho bem moderno.

Há muita influência do funk nesse disco, nota-se isso na terceira faixa “Pain”, com Snoop Dogg. O principal single do álbum é construído através do som de uma guitarra repetidamente tocado na faixa, no maior estilo groove. Com um refrão bastante viciante, a música de trabalho alcançou um bom sucesso, e isso foi essencial para que mais pessoas viessem atrás do disco. Podemos observar que eles buscam muito no rock e no blues também, as faixas “CBGBS”, “Lord Intended” e “Snoopies” mostram isso. A produção encaixa uma cara moderna para essas inspirações, trabalhando com sons digitais em quase todo o projeto.

Essa mistura de sons faz do disco muito rico no quesito musicalidade, e pode-se concordar que o grupo arriscou bastante com essas e outras escolhas, como as colaborações. Há poucos rappers de fato no projeto, mas há muitos artistas de outros gêneros como Justin Hawkins, David Byrne, o grupo Little Dragon, e Damon Albarn, dando uma cara ao disco que vai muito além do rap.

O projeto não traz tantas novidades liricamente falando, mas mesmo assim, Dave e Posdnuos estão mais afiados do que nunca com críticas sociais e grande narrativa. Os sons do disco são bem diversos, como o De La Soul tem de ser, falam de problemas na comunidade, de música, de alguma inspiração feminina. É notável a facilidade dos MCs com as palavras, o que contagia até outros artistas que colaboram no trabalho. 2 Chainz por exemplo, tem um tremendo verso na faixa “Whodeeni”.

Há dois grandes inimigos de …And the Anonymous Nobody em minha opinião, o primeiro é o fato de ele ser um pouco mais extenso do que devia. Em uma audição, você pode querer passar algumas faixas – elas não farão falta. O segundo é que apesar da tamanha musicalidade mostrada no disco, muitos sons se repetem, mostrando uma pequena falta de criatividade na hora de trabalhar com as influências usadas no disco.

Mesmo assim podemos dizer que o De La Soul voltou em grande forma e com um disco muito bem feito. Os fãs que investiram no projeto por meio do financiamento coletivo podem ficar satisfeitos com o resultado, pois esse é um dos discos mais bacanas do ano. Após o longo hiato, ouvir coisas novas do grupo é sempre algo animador, e que o Raplogia recomenda muito!

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