Review: Isaiah Rashad – The Sun’s Tirade

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De 2014 pra cá muita coisa aconteceu na vida do rapper natural do Tennessee Isaiah Rashad. Paternidade, fama, vício em drogas e álcool apareceram, fazendo Isaiah Rashad batalhar contra a depressão – talvez ela seja a grande responsável pela demora do artista lançar um disco. Todas essas fases dos últimos dois anos estão presentes no disco “The Sun’s Tirade”, o primeiro de Rashad, mas o segundo projeto pela TDE (o primeiro foi o EP “Cilvia Demo”).

Estar em uma das maiores gravadoras do momento é uma grande pressão. A todo o momento é necessário provar que ele merece compartilhar o mesmo lugar que artistas como Kendrick Lamar e ScHoolboy Q. Com “The Sun’s Tirade” o rapper tira todas as dúvidas sobre o seu trabalho e potencial.

O disco é muito pessoal e profundo. Tudo o que aconteceu na vida de Rashad nos últimos anos é o principal combustível para o conceito do álbum. Logo na primeira faixa “4rd Da Squaw”, o rapper traz um melódico retrato desses problemas, responsabilidades que ele teve de tomar após o nascimento dos seus filhos e gratidão por ele conseguir pagar suas contas e viver bem. Diversos tópicos da primeira música se repetem em sons como “Wat’s Wrong”, “Stuck in the Mud” e “AA”, onde seus vícios são o assunto principal.

Ele bate bastante nos seus problemas, faz narrativas um tanto depressivas, mas não mostra nenhum medo em rimá-las. Em todo o disco, Rashad traz uma melodia muito diferente e pessoal em cada faixa, fazendo com que o projeto não soe repetitivo. Ele também brinca com flows, em algumas músicas em que ele fala sobre o alcoolismo, o rapper fala como se estivesse embriagado. Quando fala de seus filhos, é possível notar a sua emoção.

A versatilidade de Isaiah quando trabalha o seu flow no disco é um dos pontos fortes. Ele começa com algo mais suave, passa para uma onda mais empolgante em “Free Lunch” e ao decorrer do disco tem grandes formas de cuspir suas rimas. Como já citado no parágrafo acima, as emoções mudam o flow do rapper, acredito que é para nos situar dentro da narrativa. O maior exemplo trata-se da faixa “AA”.

Quando se trata de produção, “The Sun’s Tirade” traz mais uma vez o “certificado de produção incrível” da Top Dawg. Todos os discos que saem pela gravadora a têm como um grande trunfo. No trabalho de Isaiah Rashad ouve-se uma musicalidade muito maior do que a de “Blank Face LP”, que é mais agressivo.

Os instrumentais suaves e minuciosos mostram a vontade do rapper fazer com que eles sejam reflexões dos temas da música. Quando toca em assuntos de uma maneira mais positiva em “4rd Da Squaw”, a batida feita por FrancisGotHeat é mais tranquila e ajuda a passar a mensagem. Mas em “Stuck in the Mud”, que fala com mais seriedade dos problemas passados, o instrumental de Crooklin e D. Sanders é mais fechado e lento. Na segunda parte dessa música notamos que a acústica do som é diferente, feito para refletir Isaiah tomando drogas na letra, é como se ele estivesse fora de si.

The Sun’s Tirade” para mim é um dos melhores discos do ano por diversos motivos. É um trabalho ousado em algumas partes, soa bem e Isaiah demonstra todo o seu potencial, afinal, há poucas colaborações. SiR, Zacari, Kendrick Lamar, Deacon Blues, Kari Faux, Hugh Augustine, Syd, Jay Rock e SZA estão no álbum, muitos deles na mesma faixa e em pequenas mas ótimas participações.

O disco está disponível em todas as plataformas de download. Vale muito a pena a ouvida.

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