“Mosh”, de Eminem, e as Eleições de 2004 nos EUA

A relação entre o rap e a política sempre foi intensa. Para qualquer interessado em ambos, vale a pena olhar para o passado e analisar acontecimentos que foram atravessados por produções da cultura Hip-Hop. Em novembro de 2016, em tempos de eleições presidenciais nos Estados Unidos e com os ânimos agitados depois do lançamento de “Campaign Speech”, parece natural que lembranças de outra reeleição importante para a história mundial voltem a aparecer em nossas mentes.

Nesta reportagem especial, faremos uma viagem no tempo até o início de novembro de 2004, quando o então presidente republicano George W. Bush derrotou o democrata John Kerry, sendo reeleito. É importante notar que todo o contexto histórico desse episódio merece um livro por si só, tendo em vista principalmente o período preocupante pelo qual o governo americano passava com sua política externa. Contudo, se estamos aqui para falar de rap, nos concentremos especificamente em um single lançado alguns dias antes do início da votação: “Mosh”, do rapper de Detroit Eminem, a sexta faixa do álbum 4 vezes certificado como disco de platina Encore (2004). Confira o clipe oficial:

O episódio analisado se destaca principalmente por sua raridade: uma guinada política da obra de Eminem. O artista não é conhecido por ser envolvido em qualquer tipo de ativismo, tendo ele mesmo admitido evitar tais assuntos. Em 2004, no entanto, o Slim Shady resolveu usar sua arte para ir contra a campanha do republicano George Bush, criticando principalmente a convocação de soldados para a Guerra do Iraque (2003), que acontecia na época como decorrência direta, dentre outros fatores importantes, do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001.

A introdução da música traz vozes de crianças fazendo a famosa saudação à bandeira americana, que divide espaço com a voz de Eminem dizendo que “it’s so good to be back” (é tão bom estar de volta) e com o som de batida de aviões ao fundo — aqui há uma clara referência ao atentado de 11 de setembro, ainda muito fresco no imaginário americano na época. A intenção deste início parece denunciar uma hipocrisia que se instala no cidadão americano desde o seu nascimento, onde um patriotismo orgulhoso enche as ruas de bandeiras e as crianças aprendem os hinos e as canções de uma nação que representa liberdade e justiça para todos. Os elementos sonoros da introdução parecem levantar um questionamento, como vocês podem ver nesta anotação do site Genius: “Os Estados Unidos realmente representam isso?”.

Antes de qualquer análise mais profunda dos versos, é preciso deixar claro o significado de “mosh”, termo cuja tradução é de difícil definição na língua portuguesa e muito associado a subgêneros musicais mais pesados como o Hard Rock ou o Heavy Metal. “Dançar de uma maneira violenta e frenética em um show de rock”, é como o dicionário Merriam Webster define a palavra na língua inglesa. Ao brasileiro, a ideia de “roda de porrada” ou “roda punk” talvez seja a que mais se aproxime do que é o “mosh” para os americanos.

Roda punk ou

Roda punk ou “mosh pit” em um show de rock. Prática é associada, em “Mosh”, com o poder de uma revolta política.

Como bem se pode perceber, o uso de Eminem do termo “mosh” ultrapassa sua necessária associação ao gênero do rock, podendo significar uma intenção de unir a energia e a agressividade da prática com a mensagem de ativismo político que a música passará. “Mosh with me now!” é a primeira linha do verso e pode confirmar essa hipótese.

Merece atenção também uma expressão que se encontra logo na primeira estrofe da faixa, na terceira linha: “I give sight to the blind” (eu dou visão aos cegos). Dar visão aos cegos fala, acima de tudo, de poder. Um poder maior do que defeitos biológicos, o poder de anular a cegueira e devolver a visão. Isso engrandece o eu-lírico a uma posição de superioridade, e cria na cabeça do ouvinte uma sensação imponente, poderosa. Além disso, o próprio simbolismo de “dar visão” a alguém traz uma mensagem de esclarecimento, conhecimento. Como se o eu-lírico, ao falar com o público, os mostrasse a verdade e libertasse mentes da ignorância política que as domina. As palavras logo em seguida, ainda na mesma barra, podem confirmar essa última interpretação. O trecho “my insight through the mind” (meu entendimento / compreensão ou discernimento através da mente) pode confirmar que esta metafórica cegueira acabe por meio da mente do eu-lírico.

O meio e fim do primeiro verso é mais sobre o rapper em si do que qualquer coisa política, o que constitui pouca importância na análise que se pretende fazer no presente artigo. As linhas falam da situação na qual Eminem se encontra na opinião pública, criticando aqueles que não entendem realmente o que ele quer dizer com sua música. É possível, no entanto, encontrar em interpretações mais profundas pontos de encontro onde essa ideia se relacione com a mensagem da música.

Vejamos, portanto, o refrão:

Come along, follow me
As I lead through the darkness
As I provide just enough spark that we need
To proceed, carry on, give me hope
Give me strength, come with me
And I won’t steer you wrong
Put your faith, and your trust
As I guide us through the fog
To the light at the end of the tunnel
We gon’ fight, we gon’ charge, we gon’ stomp
We gon’ march through the swamp
We gon’ mosh through the marsh
Take us right through the doors, c’mon!

Por inteiro, trata-se de um discurso direcionado ao público e ao povo que deve se engajar na revolta. Há diversos elementos que podem ser associados ao campo semântico da luta e da superação que, aplicados nesse contexto político, contribuem para a formação da poderosa mensagem do eu-lírico. É claro que esse, no caso, pode ser considerado o próprio rapper. De qualquer forma, pede-se uma relação de troca: enquanto o líder dará ao povo sua liderança em meio a escuridão, as energias necessárias para a luta continue, a guia pela neblina em direção e a luz no fim do túnel, ele pede esperança, força, fé e confiança. Uma mensagem de motivação à luta, à marcha e à revolta fecha o refrão, resumindo a energia que a música traz. Em resumo: pode ser o Eminem, por meio do eu-lírico em “Mosh”, pedindo protagonismo e liderança política em um momento de intensa disputa eleitoral.

Os símbolos utilizados como metáforas criam imagens interessantes, como mostram a linha “we gon’ march through the swamp” (marcharemos pelo pântano), “As I provide just enough spark that we need” (enquanto eu forneço o necessário de energia/faísca que precisamos), e “To the light at the end of the tunnel” (para a luz do fim do túnel). A primeira e a terceira utilizam o “pântano” e o “túnel” respectivamente, para expressar as dificuldades do processo da luta em si ou a própria situação não desejada, a crise, as condições que causaram a revolta — neste caso, a administração Bush, suas promessas e suas expectativas para o novo mandato que poderia surgir na época. A segunda utiliza o termo “spark” — cuja tradução para “faíscas” pode não fazer muito sentido na língua portuguesa, apesar de fazê-lo na inglesa — para se referir à ideia de combustível, seja este o ânimo, a motivação, a informação ou mesmo o conhecimento necessário para que a revolta continue.

Imagem que veiculava na época do lançamento da música. Acredita-se seja criação dos fãs.

Imagem que veiculava na época do lançamento da música. Acredita-se que seja criação dos fãs.

O segundo verso começa mais político e começa a dar a música sua marca. “All the people up top, on the side and the middle / Come together, let’s all form and swarm just a little” (todas as pessoas no topo, no lado e no meio / Vamos nos juntar, vamos todos formar um enxame um pouco*). Pode-se entender que aqui há um duplo sentido curioso, na medida em que as linhas podem estar se referindo a uma roda punk literal (o incentivo e a convocação da mesma) ou, em sentido figurado, às classes sociais da sociedade americana. Dizer “pessoas no topo, no lado, no meio” pode estar chamando todos e não discriminar o protesto por classes sociais, representar a união de todas elas contra uma causa maior. Este trecho específico pode ajudar a fortalecer a hipótese desta interpretação:

Just let it gradually build, from the front to the back
All you can see is a sea of people
Some white and some black; don’t matter what color
All that matters we’re gathered together

To celebrate for the same cause no matter the weather
If it rains, let it rain, yeah, the wetter the better
They ain’t gon’ stop us, they can’t
We’re stronger now more than ever

“Some white and some black; don’t matter what color” (alguns brancos, alguns negros; não importa qual cor) talvez seja a linha que resuma bem a mensagem que o segundo verso quer passar: união de todos, sem discriminação, contra as ações de George W. Bush. É o eu-lírico chamando a todos, servindo como um líder para diferentes tipos de indivíduos e grupos sociais, e formando a revolta. O verso prossegue para terminar nas palavras mais explícitas da faixa: “Fuck Bush! Until they bring our troops home, c’mon, just…” (Foda-se o Bush! Até que eles tragam nossas tropas para casa, vamos lá, apenas…) e segue o refrão. Trata-se do primeiro momento em que Eminem revela seu motivo de discordância ao governo do republicano na faixa, encontrando grande identificação no sentimento de indignação de muitos americanos na época. Em nota de rodapé (ou numa anotação Genius!), poderíamos dizer que este não é o único momento em que Eminem fala contra o Bush, apesar de ser com certeza o mais aberto e direto. Em “We as Americans”, segunda faixa do controverso CD Straight from the Lab (2003), o rapper já arrumou problemas inclusive com o Serviço Secreto americano, que chegou a analisar se havia ou não ameaças ao presidente George W. Bush, em seu primeiro mandato na época.

É seguro, portanto, entender que enquanto o primeiro verso fala em parte de um engrandecimento de poder do eu-lírico, o segundo é a tentativa de construir uma liderança e se associar a ela.

As primeiras linhas do terceiro verso constroem uma imagem impactante que une um símbolo clássico da política americana – o Salão Oval (Oval office), onde trabalha o presidente – à referência da chuva e do tempo, já utilizada no segundo verso¹. As linhas são “imagine it pouring, just raining down on us / mosh pits outside the Oval Office (imagine derramando, chovendo em nós / rodas punk fora do Salão Oval). Estimular no cidadão americano a imaginação de uma chuva de rodas punk ao redor do escritório do presidente é enviar a mensagem de caos completo que o eu-lírico traz no campo semântico da política. Essa atmosfera caótica dialoga bem, inclusive, com o instrumental da faixa, produzido por Mark Batson e Dr. Dre.

George W. Bush, um dia depois de reeleito em 2004, atendendo um telefonema no Salão Oval da Casa Branca.

George W. Bush, um dia depois de reeleito em 2004, atendendo um telefonema no Salão Oval da Casa Branca. Washington D.C.

Certa metafísica se apresenta ao ouvinte quando o eu-lírico continua a expor suas nas próximas linhas. É por meio da afirmação de que “someone is trying to tell us something” (alguém está tentando nos dizer algo) e que “maybe this is God just saying we’re responsible” (talvez isso seja Deus nos dizendo que somos responsáveis) que Eminem vai mencionar, em pelo menos uma das interpretações, um assunto muito falado na época das Eleições de 2004: a ligação do governo americano e da Agência Central de Inteligência (CIA) com a Al-Qaeda.

Alguns analistas políticos acreditam que Bin Laden foi treinado pela própria CIA quando os Estados Unidos tinham grande interesse em financiar grupos jihadistas na região do Afeganistão para que eles lutassem contra o exército soviético do governo marxista russo em 1979. Enquanto essa hipótese ainda não se confirma, é certo que houve ajuda financeira do governo americano e do saudita para causas a da Al-Qaeda, que via no socialismo russo uma ameaça a sua fé islâmica.

Voltando à faixa, Eminem diz, complementando a última linha mencionada: “For this monster, this coward that we have empowered” (por este monstro, este covarde que nós empoderamos). Esse trecho pode se adequar particularmente dois entendimentos que fazem sentido histórico. O primeiro deles é na interpretação de que o termo “monstro” se refere ao próprio George Bush e de que o termo “nós” se refere ao povo americano. O empoderamento do monstro, nesta hipótese se daria pela Eleição de 2000, quando Bush foi eleito. A segunda interpretação defende que o termo “monstro” se refere ao próprio Osama Bin Laden e que “nós” se refere ao governo americano. O empoderamento, desta vez, se daria justamente pela ajuda financeira do governo à Al-Qaeda.

Osama Bin Laden, à direita, e George W. Bush, à esquerda. Líderes políticos protagonizaram a chamada Guerra ao Terror no início dos anos 2000.

Osama Bin Laden, à direita, e George W. Bush, à esquerda. Líderes políticos protagonizaram a chamada Guerra ao Terror no início dos anos 2000.

A próxima linha não deixa de ter uma boa contribuição para este debate, esta conexão entre os dois entendimentos. “This is Bin Laden; look at his head nodding” (esse é o Bin Laden; olhem para sua cabeça acenando) é uma linha que pode referir tanto ao próprio Bin Laden (o que reforçaria a ideia da segunda hipótese exposta no parágrafo acima) ou pode comparar o próprio Bush ao terrorista (o que reforçaria a ideia da primeira hipótese).

As próximas linhas que merecem atenção para este artigo são estas: “Let me be the voice and your strength and your choice” (deixem-me ser a voz e suas forças e suas escolhas) / “Let me simplify the rhyme just to amplify the noise” (deixem-me simplificar a rima só para ampliar o barulho). A primeira faz um retorno à mensagem já exposta do segundo verso, enquanto a segunda usa uma lógica conhecida não só no rap, mas como da música em geral: usar palavras e rimas mais simples, feito de certa forma, amplia o poder expressivo da arte, que neste caso é especialmente política. Essa vontade de ampliar o poder do discurso se justifica nas próximas linhas, que formam parte densa da essência da faixa, e por isso as colocamos como citação:

Maybe we can reach al-Qaeda through my speech
Let the President answer a higher anarchy
Strap him with an AK-47, let him go
Fight his own war, let him impress Daddy that way

“Maybe we can reach Al-Qaeda through my speech” (talvez possamos alcançar Al-Qaeda com o meu discurso) / “Let the President answer a higher anarchy” (deixe o presidente responder a uma anarquia maior) / “strap him with an AK-47, let him go” (amarrá-lo com uma AK-47, deixa-lo ir) / “Fight his own war, let him impress Daddy that way” (lutar sua própria guerra, deixa-lo impressionar o papai deste jeito).

Ao mesmo tempo em que elas são as justificativas da vontade de ampliar o discurso exposta pelo eu lírico, elas também constroem outra imagem poderosa no consciente do cidadão americano: a figura do então presidente George W. Bush com uma AK-47 indo, sozinho, lutar a Guerra do Iraque para “impressionar o papai”. Isso fala de uma revelação de vulnerabilidade do presidente, um raciocínio que deslegitima e tira o sentido do poder de Bush para enviar milhões para a guerra. Uma anotação Genius na página da música menciona a fala de Eminem para uma entrevista à RollingStones: “é como uma coisa do Bush: você está apenas mandando suas tropas para guerra e você não está nela. Você está jogando golfe e você mandar seus soldados para serem mortos lá”.

“Alcançar Al-Qaeda”, nesse sentido, pode ter diferentes interpretações, sendo a principal delas a ideia de fazer contato com a rede terrorista para entregar a eles o presidente dessa forma vulnerável. “Impressionar o papai” faz óbvia referência ao pai de Bush, o George H. W. Bush (ou Bush pai), 41ª presidente americano durante os anos de 1988 (quando ganhou uma eleição com muita folga do rival democrata Michael Dukakis) a 1992 (quando perdeu com folga para Bill Clinton).

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As linhas seguintes “no more blood for oil” (chega de sangue por petróleo) e “We got our own battles to fight on our own soil” (temos nossas próprias batalhas para lutar no nosso próprio solo) mostram, sobretudo, uma fraqueza da justificativa da guerra, centrada na existência de armas de destruição em massa no Iraque (que até hoje divide opiniões). O eu lírico não acredita nela e omitir a justificativa formal pode significar que todos sabem que o real motivo da guerra foi ter o controle da extração de petróleo da região. Elas trazem também um apelo para que o ouvinte americano olhe para dentro, preste atenção no que está errado no país. A violência entre gangues e o racismo ainda forte na sociedade são alguns exemplos de problemas que afetavam (e afetam ainda hoje) os EUA na época.

“No more psychological warfare” (chega de guerra psicológica) e “to trick us to thinking that we ain’t loyal” (para nos enganar e nos fazer pensar que não somos leais) falam da noção americana de que não apoiar a guerra é uma postura desleal ao país. Desde que o sentimento de patriotismo americano começou a ganhar força, a cultura e o discurso da guerra desempenhando papéis ativos na sociedade. Esta tendência militarista de encarrar os conflitos diz que todos que não apoiarem a destruição do inimigo da nação (a ameaça ao princípio de Segurança Nacional) por meio da guerra são pessoas que não importam com o futuro do país, pessoas desleais. Com as linhas, o eu lírico fala contra essa lógica.

Ele continua: “If we don’t serve our own country we’re patronizing a hero” (se não servirmos ao nosso próprio país estamos apadrinhando um herói). Uma interpretação desse trecho é que ela expressa a seguinte ideia: se não agirmos agora indo contra o governo vigente e votando pelo futuro do país, transformaremos Bush em um herói legítimo com a reeleição.

Já caminhando para o final do verso, o ouvinte tem estas linhas:

Look in his eyes, it’s all lies
The stars and stripes have been swiped
Washed out and wiped
And replaced with his own face, mosh now or die

“The stars and stripes” (as estrelas e as linhas) faz referência à bandeira americana, e dizer que elas foram trocadas e substituídas pelo resto do presidente denuncia um despotismo no governo republicano. Essa denúncia se baseia na opinião de que o governo americano não mais pensa no povo, mas sim serve as vontades próprias de Bush. O verso termina com uma clássica previsão de morte que rappers gostam tanto de fazer. “If I get sniped tonight, you’ll know why: ‘cause I told you to fight” (se eu levar um tiro de sniper essa noite, vocês saberão porque: porque eu para vocês lutarem).

Conclusão

Trata-se, do início ao fim, de um eu-lírico poderoso, um líder para todos os tipos de pessoas, um ser artístico que traz uma revolta política com a qual milhões puderam se identificar. Isso gera revolta em alguns setores da sociedade americana, sobretudo naqueles que tendem a votar mais para os democratas, e essa revolta encontra identidade em “Mosh”.

Como o mapa dos votos por estado nos mostra (veja abaixo), os esforços de Eminem e dos democratas não foram capazes de impedir a reeleição de George W. Bush, que cumpriu o seu segundo mandato até 2008, quando Obama foi eleito derrotando John McCain. A Guerra do Iraque continuou até dezembro de 2011, quando as tropas militares americanas deixaram o país.

election-of-2004

Mapa do resultado de votos por distrito da Eleição de 2004. Tons de vermelho representam porcentagens de maioria republicana (eleitores de Bush) e tons de azul presentam porcentagens da maioria democrata (eleitores de John Kerry).

A análise de “Mosh” nos mostra que a música, mesmo representando uma tentativa mal sucedida de impedir a reeleição de Bush, permanece pertinente depois de 12 anos porque se trata de uma situação extraordinária na carreira de Eminem e fala de um momento em que um grande ícone do rap se fez presente em assuntos políticos de interesse nacional. O Slim Shady ataca Bush e suas ações por diferentes meios, diferentes sentidos e formas. Foi uma metralhadora de críticas em época eleitoral americana. Para os interessados no trabalho do rapper de Detroit, é uma oportunidade rara de analisar certos aspectos políticos em seus versos de forma explícita, aberta, e apelativa ao público.


Nota 1: Na discografia de Eminem, a chuva é um elemento muito utilizado sob significados diferentes. No caso, ela é um dos símbolos que compõe a ilustração caótica do início do verso. Na faixa Stan, por exemplo, um som de chuva está presente do início ao fim do instrumental e vai piorando conforme o personagem principal perde a sanidade mental. Ela representaria, portanto, a confusão ou a loucura.

Para informações mais profundas sobre a música, recomendo fortemente sua página no site americano Genius, que recebe com frequência anotações de usuários de todo o mundo e está em constante melhora.

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