Review: Ab-Soul – Do What Thou Wilt.

Rapper da Top Dawg Entertainment lança o seu quarto álbum de estúdio

Não é nada fácil ser membro da Top Dawg. A gravadora é a mais relevante do cenário pelo seguinte motivo: alguns dos melhores artistas do rap atual fazem parte do selo, entre eles, Kendrick Lamar. Quando se tem K.Dot como um companheiro de firma, é difícil se sobressair, e você pode facilmente ser considerado um artista secundário injustamente. Ab-Soul é um exemplo disso.

“Eu não sou talentoso. Eu sou habilidoso.”

Ab-Soul em “Raw”

Secundário na TDE, Soulo trabalha firme para aparecer. Com quase 30 anos, o rapper de Los Angeles lançou em Dezembro o seu quarto disco de estúdio, Do What Thou Wilt. Ele disputou data com um dos discos mais esperados desde 2014, 4 Your Eyez Only (conhecido também como o novo disco do J.Cole), e levou a melhor com um projeto mais consistente, original e bastante diversificado, o que não aconteceu com Jermaine.

A TDE acerta muito na competitividade saudável – até então – entre os artistas. Ninguém quer ficar para trás, não importa o quê o público diz. Soulo sempre foi um dos esquecidos da gravadora, principalmente após o estouro de Kendrick e ScHoolboy Q. Essa batalha nos rende grandes pérolas, e eu encaixo o novo trabalho dele entre elas em vários aspectos, sejam líricos ou musicais.

Soulo traz uma vasta variedade de produtores para o disco. Wondagurl, Mike Will Made It, A$AP P on the Boards e Sounwave são alguns dos que trabalham nas 16 músicas. Isso faz com que o disco torne-se uma grande viagem musical, não se mantendo em apenas um estilo, o que não deixa a consistência do projeto cair. Como o trabalho é longo, eu imaginava um disco que se manteria em uma mesmice, principalmente no meio, mas estava errado. Do What Thou Wilt é uma bela mistura de musicalidade e é bastante autêntico.

Músicas como “Huey Knew”, “Womanogamy” e “D.R.U.G.S.” mostram também a diversidade lírica do projeto. Soulo mantém o nível na escrita falando tanto de revolução, paranoia, mulheres ou drogas. Sempre partindo para uma visão mais introspectiva, ele mantém uma tradição dos seus outros trabalhos: contar histórias com que as pessoas possam se relacionar. Gostos peculiares – e culposos -, sentimentos simples do cotidiano, e o sentimento de paranoia da sociedade atual estão muito bem tratados.

“Por último mas não menos importante… eu amo drogas”

Ab-Soul em “D.R.U.G.S.” 

Muitos fãs e admiradores do trabalho de Soulo acharam o disco um tanto estranho, e ele é. Diferente de outros projetos do rapper, Do What Thou Wilt tem uma certa bipolaridade. Obscuro em sua maioria das partes, o disco parte para um lado mais genérico e alegre em algumas das faixas. Mas o que ele se assemelha com seus antecessores, é na abordagem extremamente pessoal.

Do What Thou Wilt é um dos melhores discos de 2016. É uma boa pedida para quem pede um trabalho versátil, consistente e também original. Soulo não se baseia em ninguém para criar sua música, e até o seus hits mais populares soam como algo único. Caso você ainda não tenha ouvido, não perca mais tempo!

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